O Fantástico Mistério da Vida

Publicado: 01/05/2011 em Uncategorized
 

“O MAL SÓ PREVALECE ENQUANTO OS BONS NÃO FAZEM NADA.

Li e ouvi essa frase diversas vezes em minha história de vida, ora atribuida a Mahatma Gandhi e outras vezes a Martin Luther King. Para mim não importa muito qual dessas duas grandes almas nos presenteou com essa sentença, duvido que eles estivesse preocupados com autorias, a frase em si, é prova de que está há anos-luz distante de quaisquer elementos sombrios inventados pela mente humana, tais como a vaidade.

O que realmente importa para mim, é o espírito que a sustenta, sua fundação, é se essa idéia foi e é capaz de trazer a tona algum estímulo para a nossa rede neuronal, algum significado, algum sentido, algum norte. Já li textos em que não consegui achar nada de singular e olha que não foram poucos, livros até, mas minto, em cada um deles sempre encontrei algum tesouro escondido. As vezes até mesmo do próprio autor.

Quando escrevo qualquer coisa, um poema, um pensamento, quero capturar uma idéia, como se eu fosse capaz de apanhar uma mosca tenaz que me atazana o pensamento, como sugeriu Eduardo Galeano. Segurá-la, com a engenharia da linguagem, como quem captura um pássaro arredio e selvagem, e quer treiná-lo para ser mensageiro de promessas. Imprimi-la no papel, ou mesmo colocá-la numa garrafa ou num blog, e jogá-la ao mar ou na teia global, feito um náufrago, que da solidão de sua ilha, tem a esperança de que por fim virá a liberdade que subjaz ao verdadeiro encontro.

“Em todas as refeições que fazíamos, a liberdade era convidada a sentar-se conosco,  a cadeira permanesse vazia, mas o lugar está marcado.” Rene Char, poeta, prisioneiro em um campo de concentração nazista.

A esperança de que um outro ser a acolhará, lerá a frase, ouvirá a idéia, e a entenderá, do seu jeito singular de entender, e sentirá a música cósmica das idéias vagando, neurônios espelho, interconectadas, uma idéia distante… de que estamos juntos nessa nau, de que somos companheiros nessa caminhada em busca de nós mesmos, de que não estamos sós e sem desculpas, de que há motivos extraordinários para continuarmos lutando a nossa luta diária. De que não podemos gastar nossas vidas sem tocarmos um pouco os tambores da fraternidade, do companheirismo, do respeito pelo pela vida, da promessa que nos é feita diariamente pelo amor. De que não podemos despirmo-nos de nossas vestes sem amarmos um pouco, sem vislumbrarmos nossa efêmeridade dentro do tempo cósmico, de que nossas vidas são missões irrecusáveis, dadas pelos mistérios da vida, e cantadas por grandes mestres, e pelo Cristo. Seres de sensibilidades tamanhas, capazes de intuir em seu tempo e em qualquer tempo a grandiosidade do Universo, grandiosidade que nós, embora toda a ciência, ínfimos grãos, embora toda a tecnologia, continuamos incapazes, insensíveis, cegos, aleijados para compreender. Posto que presos a simulácros, idéologias, preconceitos, certezas, fanatismos, talvez por medo, covardia, ou mesmo, pela extrema falta que faz o espanto.

“Uma mente que se abre a uma nova idéia, jamais retorna ao seu tamanho original” Einstein

Animado e espantando pelas mensagens dos nossos grandes mestres, re-ligare, penso que…

O MAL ABRIGA-SE NO INSUPORTÁVEL SILÊNCIO DAQUELES QUE NÃO FORAM CONVIDADOS PELO AMOR, A CHORAR, EXISTIR E LUTAR PELA VIDA.
A maldade habita e finca raízes fortes e covardemente parasitárias, e envergonhada na sua inércia, entranha-se  nos subterrâneos dos silêncios e da impotência, daqueles que não estão sendo chamados para ouvir e sentir.
Alijados e aleijados dos processos mentais que permitem a escuta, absorção e entendimento, não se espantam e por conseguinte não se sensibilizam com o convite diário feito pelo amor, para participarem dos fantásticos mistérios da vida e das possibilidades titânicas da existência humana.
 “É de um homem para o outro que se passa o pão celestial de ser o si mesmo.” Buber

 

comentários
  1. Avatar de Vandercy Soares Neto Vandercy Soares Neto disse:

    Meu caro Andrey, bom dia.

    Em primeiro lugar eu quero concordar com o professor da escola da Macedônia, eu também acho que se deus existe ele é mal, pois ele como ser supremo criou “tudo”, portanto o bem o mal. E como vivemos num tempo em que temos a sensação de que o mal está prevalecendo sobre o bem (violência, guerras, catástrofes, mortes e mortes e mais mortes…), isso sem dúvida nenhuma deve ser creditado ao altíssimo.
    A grande sacada de quem inventou deus, foi também inventar ali colado com ele a idéia do “livre arbrítrio”, pronto: tá tudo resolvido. O que é bom é obra divina, e que é ruím, e que a priori deus poderia evitar, mas não o faz por respeito ao livre arbítrio, é obra do homem aliado a Satanás.
    Como você já sabe eu não acredito em deus. Um ser supremo que criou os céus e a terra, e que nos guarda, etc.
    Caso se comprove sua existência, será inevitável julgá-lo e condená-lo pela sua imensa capacidade de omissão.
    Pois, com toda sua ONIPOTÊNCIA, ONISCIÊNCIA E ONIPRESENÇA. Ele não fez, não faz, e não fará nada para impedir que o mal aconteça.
    deus, meu caro Andrey, rasga as roupas das mulheres violentadas e goza junto com os estupradores;
    deus, lançou as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.
    Hoje, o seu deus apertará milhares de gatilhos ao redor do mundo, e se deliciará ao ver crianças famintas desnutridas, cavando a terra a procura de migalhas.
    Um abraço e fique com deus.

    • Avatar de almozzer almozzer disse:

      Prezado Vandercy,

      Cada um tem a sua forma de buscar algumas respostas para o enigma da vida e da existência humana. Uma delas é o Deus Criador de Tudo (O Grande Arquiteto do Universo). Outra o Deus Responsável por Tudo. Outra o Deus que concedeu ao homem o privilégio de tomar suas próprias decisões e responsabilizar-se por suas ações e por tudo. Outra o Deus cujo pensamento humano nunca será capaz de alcançar ou intuir o que seja esse Arquiteto. Outra, que Deus não existe, mas estes, estão geralmente associados a uma religião, ou seja, são anti-aquela-religião, anti-aquele-Deus, até hoje só tive a oportunidade de conhecer ateus anti-católicos. Outra…, enfim, muitas razões foram construídas e vai ser difícil elencar todas. Até porque talvez hoje possa estar nascendo uma nova idéia de Criador que talvez eu nunca tenha a oportunidade de conhecer.

      Respeito todas estas tentativas, e penso que o homem não pode parar nunca de buscar novos caminhos, novas respostas, penso que ai reside a criatividade da vida, segundo Maturana, a própria inteligência surge dessas infinitas tentativas.

      Penso que todas as religiões são importantes e devem ser respeitadas, mesmo a concepção de universo sem um criador, assim como cada ser e cada idéia humana é importantíssima para a construção de novas idéias. Certa vez num evento, um palestrante me trouxe um idéia interessante, segundo ele, os Grandes Mestres conversariam tranquilamente entre si, e penso que existem boas razões para acreditarmos nisso, visto que suas idéias fundamentais eram iguais ou semelhantes em sua essência, tais como o amor, a fraternidade, a justiça, o respeito, dentre tantos. Os que não conversariam entre si, seriam justamente os discípulos que não alcançaram a mensagem dos seus mestres. É comum ouvir o discurso dos grandes mestres sair da boca de pessoas que se comportam de forma absurdamente inversa. A esse fenômeno na psicologia chamamos de incongruência (um discurso incoerente e contraditório).

      As vezes utilizo palavras que não são minhas, assim como utilizo idéias que não são minhas, o que é genuinamento meu é o sentimento ao dizê-las e a forma como as reuno na tentativa de encontrar novos sentidos, e a implicação e o compromisso que tenho ao dizê-las. São novas saídas, novas respostas, que precisam acontecer, é um recado da vida, sejamos criativos, as soluções estão germinando dentro de cada um de nós. Usar textos da religião x, y, z ou de nenhuma religião, realmente não é uma questão importante. Assim como usar um texto do autor a, ou b, ou c, também não é, é impossível que consigamos abarcar todas as respostas que já foram dados pela vida e pelo humano em sua história milenar ou secular.

      A grande questão é, que sentido e que caminhamos construiremos para as nossas vidas, para as vidas daqueles que amamos, para nossos filhos, para nossas mulheres, para nossos irmãos, para nossos pais, ancestrais e familiares, enfim, para o nosso semelhante, para toda vida, que razões construiremos para justificar essa nossa efêmera passagem, que muitos acham ser perpétua, tá ai uma outra saída. Ou se simplesmente nos deixaremos ser levados, boiando num mar de possibilidades, mas nenhum delas realmente pensadas por nós.

      Deus, O Grande Arquiteto, Javé, Jeová, Luz, Senhor, Todo Poderoso, Criador, Mãe Natureza, Gaia, Infinito, Universo, Big Bang, A Grande Luz, Ha, O Cristo, A Grande Alma, Brahma, O Deus do Seu Coração, e milhares de outros nomes e a cada dia outros novos, isso não importa, o que importa é que todos eles falam da mesma coisa, é uma tentativa de dar conta do mistério da vida e da existência humana. A idéia original é a mesma, são tentativas necessárias para buscarmos um significado, um sentido, para existirmos e continuarmos. Aos que já entenderam e já o encontraram, parabéns, aos que ainda não, continuemos na luta, sejamos cada vez mais criativos, há de chegar a nossa hora e a nossa vez. Tenho quase certeza que serão saídas que nos conduzirão as idéias propagadas pelos grandes mestres, que falam de amor, fraternidade, compenheirismo, implicação, responsabilização, respeito, liberdade, igualdade, solidariedade, compromisso com a vida e com as possibilidades da existência humana dentro dela.

      Estamos Juntos!!!

      Andrey Mozzer

  2. Avatar de Leni Almeida Leni Almeida disse:

    Olá Andrey

    Gostei muito do teu blog. Estou escrevendo um artigo acadêmico sobre adoção e gostaria de utilizar uma frase genial, que li no texto “o Fantástico Mistério da Vida”, e me chamou a atenção:
    “O MAL ABRIGA-SE NO INSUPORTÁVEL SILÊNCIO DAQUELES QUE NÃO FORAM CONVIDADOS PELO AMOR, A CHORAR, EXISTIR E LUTAR PELA VIDA”.

    A bem da verdade, eu a coloquei no meu artigo e a referenciei como sua (MOZZER, 2011) logo abaixo da frase, e orientadora do TCC está me pedindo mais informações… Eu já lhe disse que retirei de um blog… nas referências bibliogáficas eu coloquei: MOZZER, Andrey. O fantástico Mistério da Vida. Disponível em: . Acesso em: 10 de jun. 2011. Sinceramente não entendo o que ela quer mais…

    Mas, agora, aproveitando o ensejo, eu gostaria de saber realmente se a frase é de sua autoria mesmo, se você tem ela publicada em algum livro teu, enfim, quero tanto usá-la no meu artigo e por isso, se você não se importar, ou melhor, se você realmente se importar…rsrsrs… me dê essas preciosas informações. Ficarei muito agradecida!

    Sinceramente

    Leni

    • Avatar de almozzer almozzer disse:

      Ei Leni,

      Esse texto é meu sim. Alguns dos textos do blog compõe o meu terceiro livro, Desfragmentação, penso que ficará melhor se você citar o livro.

      Estou ainda tentando aprová-lo em algum lei de incentivo cultural aqui de Vitória no ES. Se você quiser posso encaminhá-lo em formato digital.

      Grande abraço, e estamos a disposição. Sei das dificuldades na construção do texto, e das exigências da academia, estou terminando finalizando finalizando minha especialização também.

      Estamos a disposição, e quando você finalizar seu trabalho meu encaminhe, achei o tema interessante e gostaria muito de saber como você articulará com a idéia do FANTÁSTICO MISTÉRIO DA VIDA.

      Andrey

      • Avatar de Leni Almeida Leni Almeida disse:

        Que ótimo, Andrey!

        Eu preciso, na verdade, do nome do livro, página em que se encontra a citação em referência, o teu nome, tal e qual está no livro, o ano da edição do livro, enfim, da ficha catalográfica do mesmo…

        Hoje (08/11/2011) estarei me reunindo com o grupo do TCC e vamos enviar provavelmente amanhã já o artigo definitivo, portanto se vc puder me enviar estas informações, com certeza nos alegrará bastante e ficaremos muito agradecidas, pois, sinceramente, não gostaria de abrir mão dessa maravilhosa citação.

        Estamos falando da “Adoção exposta” no nosso artigo. Aquele tipo de adoção que acontece quando uma criança é posta na porta da casa… quando li essa frase tua, achei que tinha tudo a ver com “a dimensão da evolução de sentimentos no ser humano, uma vez que se acolhe o diferente do seu próprio gene e se ama simplesmente por amar e não por obrigação biológica…”, aí deu o “clic”!!! Eu disse, – é essa frase que abrirá o enunciado do que vamos falar! E eu a coloquei na introdução do artigo, e acho que ela (frase), por si só já fala muito!

        Bom, preciso correr… não posso me empolgar muito… rsrsrs.. senão perco a hora.

        Ficarei esperando por uma resposta, meu email é: leni.al@hotmail.com ou leni_all@hotmail.com
        Na dúvida, mande com cópia para os dois… rsrsrs

        Mais uma vez, muito grata!

        Leni

Deixar mensagem para Vandercy Soares Neto Cancelar resposta