Pedagogia da Utopia

Publicado: 24/11/2025 em Uncategorized

Quando se sonha tão grande,
o mundo desaprende suas certezas
e volta para a sala de aula primordial,
onde tudo ainda pode nascer.

O sonho, esse mestre indomável,
recusa a disciplina do possível
e amplia a moldura do que existe.
Ensina o real
a caminhar com passos que não tem,
a falar línguas que nunca ouviu,
a desejar o que nunca ousou tocar.

Toda história começa assim:
um olhar que não obedece,
uma teimosia que abre fendas,
uma mão que insiste em desenhar pontes
onde só havia muros.
Os guardiões do presente chamam isso de delírio
mas o delírio é só a primeira forma da liberdade.

Sonhar é insurgir-se contra o dado,
é desafiar a gravidade do agora,
é dizer:
“o mundo é maior do que o mundo.”
E o mundo, espantado, aprende.

Mas há sonhos que acorrentam.
Há os que diminuem,
os que se fecham como punhos.
Sonhar grande é sonhar para muitos
é estender a mesa,
é acender uma chama que aquece além do próprio corpo.
O sonho ético é o que reparte:
é o pão, não a faca.

Os antigos sabiam:
o sonho é arquitetura.
É projeto de futuro
em terreno ainda bruto.
Ele não espera licença
risca sua linha no ar
e a realidade, depois, corre atrás
para não perder o desenho.

E há ainda os que sonham
com uma paciência feroz,
uma persistência que não grita,
mas que nunca recua.
Sonhadores assim dobram impérios
com o peso suave da presença.
Mostram, vivendo,
que o impossível não morreu.

Mas cuidado:
o mundo tenta domesticar o sonho,
vesti-lo de razoável,
ditar-lhe um salário,
convertê-lo em mercadoria.
É preciso vigília:
proteger a chama do vento,
sem jamais escondê-la da noite.

No fim, sonhar grande
é aceitar a mais antiga responsabilidade humana:
não receber o mundo como fado,
mas recriá-lo como obra.
É caminhar com a ousadia dos que sabem
que a realidade não manda,
ela negocia.

E quando o sonho cresce como fraternidade,
quando se faz maior que o desejo de um só,
então ele não apenas ensina a realidade:
ele a purifica.
Ele a devolve ao seu princípio,
onde tudo ainda é possível
e o humano ainda é vasto.

Porque o sonho, quando é digno,
não muda apenas o mundo.
Ele muda a própria condição de existir.

E a realidade,
curvada diante dessa lição,
aprende a ser mais do que foi…

“Quando se sonha tão grande a realidade aprende.”

A Gota e o Mar

Publicado: 09/11/2025 em Uncategorized

Pai,
me ajuda a olhar.

Com os olhos, eu achei que vi.
Com o pensamento, acreditei ter encontrado.
Mas o amor me revelou o segredo:
nada precisa ser achado —
porque tudo já é.

O coração, quando silencia,
enxerga o invisível.
As moléculas dançam,
vibram o mesmo nome:
vida.

Onde o amor finca morada,
a dor é semente e a perda é orvalho.
Cada lágrima é mar em miniatura,
querendo voltar pra casa.

E a gota, ao se deixar cair,
não morre —
ela recorda.
Recorda o que sempre foi:
o próprio mar.

A substância que respira

Publicado: 22/08/2025 em Uncategorized

Sem amor, eu nada seria — disse-nos Paulo
uma onda que atravessa desertos e galáxias
e pousa em mim como pássaro noturno.
.
Entre um Ser e Outro, há um espaço onde o Cosmos se esconde
e nesse interim somos mais que carne:
somos a luz que reconhece e entrelaça a escuridão.
.
Educar é acender, é alfabetizar-se no olho do outro
a palavra que só pode ser lida com o coração
Ave Lancellotti!
.
Somos a forma que o universo criou para se enxergar
no espelho da própria vertigem, ave Sagan
existe uma coisa irredutível, um núcleo de fogo
um sopro sem tradução, do qual fomos moldados.
.
Não somos a ponta do cachimbo, não somos a fumaça
somos a paz: somos a brisa
a umidade que anuncia o amanhecer nas frestas da noite.
.
E Rumi ri-se de nós, quando insiste:
“Pare de ser tão pequeno, tu és o universo em êxtase!”
E eu tremo. Porque no instante em que me dobro sobre mim
feito o buraco negro que engole as estrelas
do outro lado jorra um novo universo
um cosmos de tetas que alimentam
coração que expande a vida
substância que respira o silêncio.
.
E então eu compreendo: sou pólen, sou seiva
sou palavra encarnada que arde
ferida que cura
.
Sou o próprio poema-enigma, escrito antes de mim
e só agora neste momento flagrante, me leio.
.
Qualia!

Se eu tivesse uma viola
eu não desenhava poemas
eu os tocava

Tocava Chopin com cheiro de mato
Tom Zé cruzando o asfalto da Paulista
Raul em delírio, Milton no dorso
de um pássaro que cantasse
em latim e yorubá

Tocava o brilho das penas do dia
a sinfonia das estrelas caídas
o soluço dos cometas

Mas o que tenho
são só palavras

parece pouco…

mas podem conter mundos e sons

palavras que me ardem na língua
feito carvão em brasa
palavras que tremem no ar
como se tivessem
um corpo invisível

Aprendi a ser ladrão de fogo
mas não domino o violão das chamas
Aprendi a decifrar enigmas
mas não a construir pontes
entre som e silêncio

Se eu tivesse uma viola
tocaria Dhafer Youssef sob o luar
de um minarete que só existe em sonho
Tocaria Les Ondes Orientales
na varanda de um templo desabitado

Mas eu só tenho palavras, Neia
e mesmo assim
já me disseram que existe o qualia
esse brilho interior das coisas
que não se explica
que só se sente
que só se toca
com a alma do verbo

E eu
malabarista de vogais
prestidigitador de sorrisos
faço de cada frase
uma tentativa de canção

Por enquanto
só tenho as palavras

Mas quem sabe, Neia
eu aprenda
eu capture o mistério da música
quem sabe até surpreenda
a Grande Mente Cósmica
com algum samba-canção
com algum tom em sol menor…

E então, possamos cantar juntos
um Canto General
que abrace o mundo
em clave maior

Abate-me, camaleoa
ave Caetano!
antena parabólica, Camará
ave Gil!

E que venha, enfim
a viola dos dias
com suas cordas
de sol e harmonias

O poema desenha, sim
mas às vezes canta
E por vezes encanta

Ave a viola!
Ave Paulinho da Viola!
Ave a música e o espanto
Ave o arrebatamento-vertigem da poesia
a dança
a música
O encanto!

A Travessia é para Dentro

Publicado: 29/07/2025 em Uncategorized


abandonar as palavras como bastões de apoio
caminhar sem chão
flutuar no vazio
até que o Ser se revele
não como construção
mas como presença pura
… ouvir a pulsação…

abraçar minha hereditariedade
minha ancestralidade
caminhar solitário…
… pé, areia, água, chão e mar ~~~~
~c~o~m…. b~r~i~s~a

“Além das ideias de certo e errado, existe um campo —
eu te encontrarei lá”

vestígios do que é real em meio ao ruído do mundo
não é uma preparação para partir
quiçá uma preparação para chegar

chegar pela primeira vez
ao que realmente importa
o que se é

… a travessia é pra dentro

Escutai, ó filhos desta mãe terra, o que dizem os que vivem nas margens: pois é lá que o rio escava o mundo.

Num lampejo de silêncios
formou-se a sinapse esquecida
Não no cérebro
mas no corpo inteiro e adjacências
na carne viva e fogosa do tempo real

Era uma memória que nunca foi embora
um saber antigo
anterior à linguagem
à lógica
ao nome
um saber que pulsa na Terra
canta nas veias como um rio de fogo
ilumina raízes ancestrais

E então veio o cântico
Indígena
primordial
visceral
gutural
Jorrando sanguíneos pulsares… respira….

Não aprendido
mas lembrado
Entoado por mil vozes
dentro de uma só garganta
Chamado de volta pela própria vida
Uma música atravessada desde os primeiros hominídeos
uma sinapse ancestral varando o tempo
dizendo:
tempo, não é necessário

Foi ali que compreendi:
sou feito de antorchas
Cada célula acende outra
cada gesto desperta um mundo
cada palavra só vale se nascer do Amor
Um raio de luz percorreu bilhões de anos até aqui
desde que o primeiro organismo inspirou

Não há mais rabo para correr atrás
O sentido não está adiante
está aqui, agora, na clareira
nos pés descalços na areia
nos abraços da filha amada
da companheira
dos amigos e irmãos

No calor do Sol
no pulsar da alma que diz:
“vive.” respira…

E nesse instante
a vida não é ideia
É fogo
É dança
é a semente que anuncia a primavera.

É antorcha.

Há dois rios que correm no mundo
mas não se opõem, dançam.
Um nasce do medo, o outro do amor
e se entrelaçam como serpentes em espiral.

Um é o Yang
  razão exata, lógica firme, cálculo, estrutura, selo
É a unha que arranha, mas também protege.
É o passo que mede, o muro que sustenta, o verbo que organiza.

Tem medo, sim
  mas o medo é uma força que empurra,
  quando o coração não se deixa dominar.

O outro é o Yin
  sensível, fluido, receptivo, criativo, saliva
É a carne que sente, abriga e pulsa.
É o espaço onde a lágrima se transforma em canção,
  onde o caos vira arte,
  onde o tempo vira presença.

Separados, são mansos:
  Um vira tirano. O outro, desorientado.
Unidos, são deuses.
  São o dançarino, o símbolo e a música.
  São o Sol que fecunda a Terra e o Cinturão de Kuiper que nos envolve
  São o pensamento que sente e o sentir que pensa.

Não é o Yin contra o Yang.
É o Um na embriaguez do Dois.
É o super-homem nietzschiano,
  aquele que teme, mas salta.
  que duvida, mas dança.
  que pensa a totalidade, mesmo só.

falsa solidão.

Ele vê no abismo o seu espelho.
Boiando no rio profundo, ele sabe da finitude,
mas mergulha assim mesmo
  com olhos abertos,
  girando em rodopios,
  sabendo até onde pode ir antes de ser tragado.

E volta.
Traz nos braços não verdades, mas oferendas.
Presentes para os que ainda tremem,
para os que esperam por coragem,
para os que não sabem que a liberdade é filha da integração.

Tu tremes, carcaça
mas tremerias ainda mais se soubesses onde pretendo te levar.
  Ao limiar. Ao fogo. Ao néctar do Um.
  Onde o medo dança com o amor
  e a carne abriga a unha que protege.

Agora somos o terceiro rio
  aquele que os antigos não nomearam.
O medo é tinta, o amor é pincel,
  e a mão criativa que os mistura é feita de eternidade.

Os deuses nos deram fome de infinito
  mas só a carne finita pode saciá-la.
Ah, carcaça gloriosa!
  Tu tremes porque és o altar
onde o fogo e o néctar se confessam.

No fim, não há Yang ou Yin — mas ambos,
  gesto que os desenha no ar em vórtex vibrante


O nome disso?


  Chame-o de “Entrega”,
chame-o de “Fúria Quieta”,

Chame-o de Som & Fúria

Chame de Tao e pegada marca na areia

após o primeiro passo

Chame-o de Enigma & Mistério

De Caos e Cosmos

de Caosmose

de Cheio e de Vazio

Chame-o de Ser e Tempo


  chame-o de Ser e Nada.

ou simplesmente ….

encontros e desencontros

Arte

No ventre do cosmos,
pulsa um segredo.
Um fogo invisível que dança e devora
entre os lábios do tempo e do medo.
O amor cintila, estilhaça, reluz, aflora.

Somos poeira que sonha as estrelas,
um eco de luz na curva do tempo,
matéria e espírito que se entrelaçam
na trama sutil do eterno momento.

E quando nos vemos dentro do abismo,
somos também o olhar que nos vê,
a chave e o enigma
de um outro enigma
que insiste em arder.

O real se dissolve no que ainda não é,
sombras que a mente projeta e refaz.
Nada existe fora da consciência,
nada há que não possamos sonhar.

O mundo nos fita em seu vasto espelho,
e nele dançamos sem perceber.
Loucos, ouvimos a música oculta,
enquanto os olhos, surdos,
se negam a ver.

O amor que move o sol e as estrelas
toca também cada ser singular.
O divino em nós encontra seu templo
no instante que ousamos nos entregar.

“Conhece-te a ti mesmo”, diz o sussurro,
e um universo em êxtase se abre em ti.
A autoconsciência, maioridade…
pequena e frágil centelha…
c!h!a!m!a!

Não busques fora o que germina dentro.
Não temas a noite que vem te regar.
Decifra-me, errante, ou serei tua fome,
o eco sem rosto a te devorar.

Pois tudo flui num círculo ardente,
da densa matéria ao véu do sem fim.
De um ser a outro fulgura a centelha:
o pão celestial do que nunca tem fim.

Nasci nesse intermezzo entre a fortuna e a fome,
No limite onde os opostos se beijam,
O único, genuíno lugar onde enxerga-se o invisível,
Que nos atravessa na flecha lançada das metáforas.
Como Heráclito à beira do rio, vi o fluxo do tempo,
E, no espelho das águas, reconheci meu rosto —
Fragmento do eterno, reflexo do todo.

Minha mãe brindou-me com amor, ternura, obstinação
meu pai-herói acrescentou cooperação e uma biblioteca,
Um labirinto de palavras onde os mortos ainda falam,
Onde é possível a Revolução dos Bichos,
Onde é possível O Homem, o Tempo e o Seu Motivo.
Platão mostrou-me a caverna, Sócrates a virtude,
Nietzsche o martelo que quebrou meus ídolos.
De Zoroastro a Zaratustra, mergulhando na Criação,
Submergi em mim.
Deram-me óculos para ver com clareza,
Mas também foice, machado e facão —
Ferramentas para abrir picadas dentro das ilusões.

Adentrei florestas de sentimentos, árvores,
Ideias, sombras e mistérios.
Colhi e sorvi frutos proibidos, gotas de sangue e mel
Brilharam os meus olhos, fizeram soluços no meu corpo.
Sem medo, percorri veredas estreitas,
Subi dentro das nuvens e colhi brilho e caos em gotas.
E o espanto me esperava em cada curva:
Era o espanto de Einstein diante do cosmos,
De Rilke diante do belo,
De Jung no mergulho do inconsciente.

Construí choupanas, não apenas de carne,
Mas de sonhos, memórias e esperanças.
Plantei árvores para colher não só sombras,
Deitei-me e embrenhei-me no rizoma Walt!
Buscando o solo fértil do ser.
Entre raízes e folhas, colhi amigos e irmãos,
Companheiros de jornada e de destino.

Hoje, busco o pão celestial,
Não o pão que sacia o corpo,
Mas o pão que nutre o espírito.
Procuro clareiras, vazios luminosos
Onde presente, futuro e passado se clareiam.
Agostinho viu o eterno no instante,
Heidegger escutou o chamado no ser-tempo.

Quando o caos se transforma em cosmos
E as sinapses se alinham,
Faço poemas ao amanhecer:
Versos que brotam como flores no deserto,
Estrelas cintilando no firmamento,
Gotas no oceano cósmico,
Pequenas, mas parte do infinito.

Sou grão de areia na vastidão do oceano,
E deserto inteiro na onda do mar-tempo,
Também as profundezas onde nasce o ignoto.
Na pequenez encontro a maioridade,
Na finitude, a eternidade.

Assim, caminho livre onde me sei,
Perco-me enquanto me desconheço.
Ah! O homem é o seu mistério,
Um enigma que se revela no encontro:
Eu e Tu, mais-que-perfeitos,
Na improvável construção
Do entrelaçamento com o Outro,
Eu me encontro com o Todo.

Do Amor e dos Dias Tolos

Publicado: 19/12/2024 em Uncategorized

.

O tempo passa

mas o amor

essa energia que nos atravessa

nunca passa

..

É o sussurro eterno entre as estrelas

o elétrico dançar dos átomos

a centelha nos olhos de quem ama

aquilo que nos ergue quando o mundo cai

hoje, os dias mortos invadem o palco

É a era das almas cinzentas

intoxicadas por paradas cardíacas de desejos

Mortos-vivos de corpos vivos

sufocados pelo fôlego mórbido do hábito

seguir em linha reta sem nenhum destino

até Marte

gozar a qualquer preço

….

Morre lentamente

quem deixa o fogo apagar-se em brasa fria

quem faz do cotidiano um prédio sem janelas

de onde nunca se vê o horizonte

…..

Morde lentamente quem rejeita a luz do novo

quem teme vestir o vermelho do improvável

quem sela a porta contra o vento inesperado

……

Levanta-te! Oh cadáver de sangue e cal

Eu te conclamo a existência

a ouvir o pulsar dos teus átomos

o batimento do teu coração

Vira a mesa

quebra os ponteiros

queima o livro das regras insossas!

…….

O mundo carece de heróis do instante

criadores de desejos renascidos

amantes das suas próprias contradições

Necessitamos de poemas improváveis

……..

Respirar a paixão como oxigênio

e mergulhar no turbilhão indomável

Pula de cabeça em Sagitário A*

e volta trazendo pelo amor de Deus

alguma coisa

quem sabe os teus soluços

que guardas sob a areia do teu gelo

………

tropeços e gargalhadas.

Deixe o coração errar o passo

pois só assim ele dança

passo pachola

………..

Os dias mortos precisam de ressuscitação

textos como choques elétricos de desejos

poemas que rasguem os véus da monotonia

como um falo que singra a carne da vida

…………

cada palavra um punhal

um golpe de maestria

um choque que anime os corações

que incendeie a apatia

………….

É a hora de renascermos no raio da velocidade

de atravessarmos o turbilhão das informações inconclusas

…………..

busque o mar

busque o risco

busque o amor

……………

Ame quem desafia a morte e encontra a vida

pulsando nas entrelinhas

…………….

O tempo passa

mas o amor não é tempo

é pra sempree

e se nos atravessa

talvez ainda haja tempo

de atravessar o pouco de mundo com ele

Hans Free

…………….

Elegia ao Amor e a Vida

Publicado: 15/11/2024 em Ensaios

Existe um pulsar no centro de tudo, uma presença que habita cada célula, cada estrela, que costura todas as eras e liga todos os seres. Esse pulsar é vida, e seu nome mais verdadeiro é amor. Não um amor que se limita ou se prende à matéria, mas o amor cósmico – aquele que brota do mesmo mistério que gera galáxias e pulsa no coração de cada ser vivo e humano. Esse amor é o alicerce, a semente e o destino.

Lá no fundo, cada grande Ser, cada Avatar que caminhou sobre esta Terra, já reconhecia: “Não há separação.” A ilusão das diferenças cai quando olhamos além dos olhos. Como disse o Buda, não há outro caminho senão o do desapego das ilusões. E o Cristo caminhou entre nós, dizendo: “Amai-vos uns aos outros”, como quem aponta para a chama que pode reacender a centelha divina na humanidade. Para os antigos sábios, a verdadeira revolução não era contra o outro, mas contra o medo, contra a ignorância que aprisiona e seca a fonte da coragem.

Somos feitos para experimentar o vasto, o indizível. Cada um de nós é uma expressão única e irrepetível da inteligência da vida, da consciência que quer se conhecer e se amar através de bilhões de formas, rostos, vozes, risos, gestos. A vida clama em nós para ser vivida em sua inteireza. Não para ser uma sombra no teatro das ilusões, mas para ser fogo, água, verdade, beleza e ternura. A beleza que nos desperta é o chamado para nos libertarmos e para vermos os outros como a nós mesmos. “É de um homem para o outro que se passa o pão celestial de Ser o si mesmo” (Buber).

O amor – esse amor que nos une, que todo fascismo teme, que toda covardia tenta apagar – é o que rasga e ilumina as trevas. Pois o amor é coragem em sua essência. Como nos ensinou Sócrates, viver sem examinar a própria vida é submeter-se a correntes invisíveis. “Conhece-te a ti mesmo” — gravado na entrada do santuário em Delfos, é um pensamento poderoso que atravessa os séculos, chamando-nos ao autoconhecimento e à liberdade interior.

Nietzsche também nos mostrou que amar o que é – o real – é uma afirmação de poder e liberdade. Aquele que vive com medo da verdade foge de si mesmo, tornando-se escravo de uma ilusão. Mas aquele que verdadeiramente ama não conhece amarras, pois reconhece que sua alma pertence ao universo, à totalidade.

Embora amarras ideológicas e correntes de pensamento nos aprisionem, o amor se ergue como a singular pergunta e a fantástica resposta – a palavra princípio. Porque o amor é a inteligência em seu mais alto potencial. Não é uma força cega, mas a essência da vida, refletida no respeito, na liberdade e na criação, a energia que subjaz e une Tudo!

Ele (o Amor) nos convoca, quando necessário, a nascer de novo, a abrir os olhos além do que o sistema nos diz que somos e podemos. Convida-nos a resistir, a sermos autores de nós mesmos, a restaurar nossa potência. A vida, em sua verdade, é ser infinito, é ir além de todos os limites.

Abyssus abyssum invocat – um abismo (ignorância) sempre chama outro, mas também pode ser a base de onde a luz da civilização emerge. Integrar o caos é transformar sua força bruta em uma nova ordem. Huxley nos alertou: “A covardia expulsa o amor, a inteligência, a bondade.” O amor é a única força capaz de destruir essa covardia e de rasgar as mentiras que escondem nossa grandeza. Porque quando escolhemos amar, escolhemos ver o que é real, ver o outro como ele é, ver o mundo não como querem que vejamos, mas como ele se revela em sua plenitude.

Quando escolhemos ser livres, como Sartre afirmou, a liberdade é a nossa condenação, caso optemos pelo ser humano ao invés de autômatos, subservientes, capitães do mato ou Cyphers dentro da Matrix. Uma condenação de quem assume a responsabilidade de cuidar do outro e da humanidade. “O homem está condenado a ser livre, condenado, porque não se criou a si mesmo, e no entanto livre, porque uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo aquilo que fizer.” A princípio parece um peso, mas não é, o peso maior está em não ser nada (quando cheios do que não somos), em não ter um propósito dentro do milagre cósmico da vida, pois é justo aí, nessa completa desconexão com vida, que reina todo o sofrimento humano.

Invoco aqui todas as vozes dos que vieram antes: os artistas que transbordaram e nos mostraram o caminho da liberdade, os pensadores, os santos e profetas de todos os cantos e épocas, aqueles que sabiam que a vida só é vida em sua intensidade, em seu encontro, em sua verdade visceral, em seus mistérios.

Amemos, então, com coragem! Que a coragem seja nossa oração, que o amor seja nossa revolução. Que cada ser humano desperte, um a um, como bilhões de sóis nascendo, como bilhões de galáxias pulsando em uníssono, para essa força que é pura vida. E que sejamos a expressão plena dessa inteligência que criou os mundos, dessa consciência que habita cada um de nós e que nos liga a tudo e a todos. Pois estamos aqui para sermos inteiros, para sermos chama infinita, para sermos luz. Como disse o poeta: “gente é pra brilhar, e não pra morrer de fome.”

Como vaticinou Rumi: “Nós não somos uma gota no oceano. Nós somos o oceano inteiro em uma gota.”

Sejamos a mudança que queremos ver no mundo, uma realidade viva, concreta, pulsante, aqui e agora. Mudança e transformação que vem acontecendo há milênios, e segundo Heráclito de Éfeso, tudo o que permanece é a mudança. E, ao final, saberemos que todo amor que compartilhamos é uma faísca eterna, brilhando para sempre na tapeçaria cósmica da existência.

Estas palavras não são verdades absolutas, pois não existem verdades absolutas, posto que o que permanece é a mudança, mas um convite a refletir, sentir, viver. E que cada um, à sua maneira, descubra o pulsar do amor em si mesmo e no mundo. E compreenda a importância do respeito a vida, do milagre da existência, e entenda que o processo civilizatório – iniciado há 3 milhões de anos pelos hominídeos e ampliado há 300 mil anos pelos homo sapiens, e amplificado ha 60 mil anos pelo homo sapiens sapiens – precisa continuar sua jornada de emancipação e consubstanciação com o Cosmos. Precisamos urgentemente continuar a nossa evolução, o nosso crescimento, a nossa missão de Supernova.

“O futuro entra em nós, para se transformar em nós, muito antes de acontecer.” – Rainer Maria Rilke

Hans Free

A Potência de Ser

Publicado: 22/10/2024 em Uncategorized

Como é possível,
no meu caminho,
na minha arte,
com a minha ética e a minha política,
com o meu amor
meus amores
com os meus irmãos
e companheiros de passo
achar-me enfraquecido

Parece um absurdo.

Mas essa é a perversão do sistema
Mesmo em expansão
Ele quer te jogar no chão

Se fores expansivo ele quer te furar

Se fores coragem, ele quer te intimidar

Assumiu o controle uma besta-fera feroz
que devora lágrimas
aprisiona o amor
cospe nas esperanças
lambe vidas
e arranha nossa voz

Mas isso não é o real, o mundo somos nós
O que cada um enxerga a luz da sua existência
É de dentro pra fora que nós precisamos enxergar o mundo

E é justamente por dentro que o nosso amor floresce

Precisamos atravessar esse avesso
Superar esse afasia
com a potência do Ser

Um passo
Um movimento
E o mundo se transforma

A maré alta sempre desce
A maré baixa sempre sobe
Esse é o ciclo ininterrupto
permanência na mudança…

milissegundos de luz

São suficientes para iluminar a escuridão

Movimiento és Vida!!

E vida és movimiento…

Quem é o teu inimigo?

Publicado: 06/09/2024 em Uncategorized

Uma das coisas mais estúpidas nessa vida
talvez seja
ter de ensinar e/ou apontar ao inimigo/opressor
aquilo que esses bichos-escrotos nem mesmo sabem que são

Pra exercer mais uma vez essa estupidez

que parece torna-se cada dia mais urgente!

nesse jogo/matrix de necro sapiens brutais

vou subir no ombro de gigantes
Que já angustiaram-se nesse desvelamento

“Aqui não há mais cúmplices do que tu e eu,
tu por opressor, eu por libertador,
merecemos a morte.” Túpac Amaru

Para ver do alto
a verdade que escorre com sangue
e cuja maioria só observa sombras
E inquirir:

“Quem é o teu inimigo?
O que tem fome e te rouba um pedaço de pão,
chamá-lo teu inimigo?
Mas não saltas ao pescoço do teu ladrão
que nunca teve fome.” Bertolt Brecht

É o ego que nos divide
ou nós somos prisioneiros

da nossa própria ignorância?

e quem nos aprisiona,

é externo a nós, ou somos nós mesmos?

muitos acham que é mais fácil

não responsabilizar-se

não construindo e assumindo a sua visão do mundo

a única visão que realmente importa

e o que é a fome?
o que é a fome verdadeira?
essa coisa que almejam nossas vísceras
que iluminam nossos desejos

e alimentam nossos corações

você tem fome de quê?

E você, que me olha de soslaio?

E você?

Quem é o teu inimigo?

Canções do Daimon

Publicado: 23/08/2024 em Uncategorized

Esse bicho preso nas entranhas

Somos nós.

Esse riso de vísceras,

Desejo de arranhar a carne… pra sair,

Ou penetrar a carne… pra entrar

E respirar um ar atômico,

O último dos Moicanos.

Desafiar a morte

E rir da sorte.

Eis o rebento… exposto,

Preso em cada um de nós:

O animal mais perigoso do cosmos,

A um passo do abismo.

Duas taças de tinto a 7%,

Duas de vinho a 15%,

Uma de branco a 10%.

Sem falar no prosecco

E o sangue jorrou na veia,

O grito contido ganhou o ar,

O desejo incontido gozou no mundo.

Existir a qualquer preço,

Enxergar o infinito,

Arder o impossível.

Caos e Entropia…

E num desmaio ébrio,

O homem foi pra dentro,

E o bicho saltou fora.

Foraclusão e recalque cindidos,

Flores do mal que desabrocham,

Gotas pingando na beirada do abismo.

E enfim, o homem acorda:

Ressaca moral,

Reminiscências,

Ruminâncias.

Pensar na infante que precisa preservar,

Na companheira que precisa reafirmar,

Nas amizades, contextos e seres provocados

Pelo enigma do avesso lançado ao mundo.

“Inútil revisar os erros cometidos,”

Só se for para Encontrar novas estratégias pra conter

Esse animal preso nas entranhas,

Que nunca será contido

Num lugar incontinente.

Agora é decifrar o enigma!

Aprender com a mudança!

Puxar para fora a cabeça da razão,

Que trabalho hercúleo.

Colocar o Daimon num lugar

Onde nunca coube nem caberá,

E aceitar essa invenção coletiva

De que somos civilizados.

Nunca fomos!

A inteligência primeva do homo sapiens

Sobreviveu 500 mil anos sem essa razão instrumental

Que nos aprisiona há 2500 anos

Na busca vã de um entendimento,

Um lugar pra ser contido.

Nunca deixaremos de ser bichos,

Bichos que constroem teorias elegantes

Sobre esse Nada que quer ser tudo!

Esta casa embora seja nova, ela já foi velha, ancestral

Ancestral é o que pode e deve ser o novo em permanente mutação e transformação

Aqui já sonhamos essa construção

Aqui já brindamos muitas vezes a vida

Um espaço Resistência

Onde é possível sonhar e desejar um mundo novo

Alguns podem vir aqui para

só brilhar

Eu recomendo que brilhem muito

Outros podem subir aqui pra sublimar

Eu recomendo criar revoluções

Desenhar caminhos novos

Pois se lá fora!

Lá em baixo!

As hordas da ignorância e do fascismo urgem e crescem velozmente

“Miseráveis ovelhas de imenso rebanho!!”

“Enquanto os homens exercem os seus podres poderes”

“Papai Noel velho batuta respeita Os miseráveis”

Mas aqui dentro do meu peito

urge a alegria dos encontros

Que possam desvendar e desvelar novos rumos

Nossos corações estão entorpecidos

Neste espaço de devaneios e alianças, Nosso Morro!

E nossos corpos nos insuflam e inflamam

Vamos subir as escadarias dos morros!

Para encontrar a alegria

Vamos conduzir e cuidar da c!h!a!m!a

Pois é só no alto

que as nossas almas eclodem, sublimam

Feliz daquele que pode dizer que na vida encontrou um amigo ou um abrigo

Ao longo da vida fui apontando o dedo

E dizendo tu és

Tu és !

Espaço Resistência

Nosso Morro

É simples reconhecer que uma coisa que é óbvia pra mim

não é óbvia pro mundo

Mas a jornada vale mais que o destino

Enquanto isso no Globo está todo mundo produzindo Reels,

e os Reels se juntando qual azougue num imã gigantesco de corpos

E esse imã está atraindo a todos e rasgando o nosso tempo.

Desliguem os celulares pelo amor de Deus!!

Antes que nos tornemos informação pura

em volta da borda holográfica do buraco negro

como se fôssemos uma fotografia tridimensional de Deus

Ou liguem!! Descarreguem as energias!

Agora é a hora dos encontros

Não importa o tempo, a hora ou a história,

o que importa é viver!

O amor atravessa tudo!

O que paralisa e isola os corpos é a matéria,

e esse sentimento infértil e estéreo de vazio e vazios,

essa falácia de que é possível se apossar de alguma coisa.

O dia é hoje, a hora é agora, e o momento é já!

Nosso Morro é o lugar da Armação Ilimitada!

Tirar da vida, de cada milissegundo, a sua substancial alegria! Carpe Diem!

Por isso subi Nosso Morro

Meu amigo GeoMetal

Inflado! Feliz!

Para encontrar, formatar, sentir, construir e reverberar sentidos

sem os quais…

o homem não navega

E navegar é preciso! É urgente! É visceral! Quase um espírito!

Espiritualidade visceral!!

Respeitando o momento irremediável de transubstanciar-me e transcender-me

Pois o momento é C!h!a!m!a!

Obrigado amigo George, amiga Grazi

Meu coração é só amor

E por isso o meu verbo é amar!

Mas o meu sentimento: é Coragem!!

Avante! Avante!

Nós somos leões!!

.

“Sentimento que não espairo; pois eu mesmo nem acerto com o mote disso ― o que queria e o que não queria, estória sem final. O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito ― por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.”  ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas, p.293.

Ecce Mysterium

Publicado: 06/06/2024 em Uncategorized

É certo e certeiro

que eu me aniquilo aos poucos

nesta tentativa vã

de compreensão do mundo

Mas a vida

essa danada

me mata

milissegundamente

sem pedir ao meu Ser

A compreensão de Nada

“Navegar é preciso,
Viver não é preciso”

E a bendita me diz só rindo

com a lingua na minha boca:

Decifra-me! Enquanto eu te devoro

te aniquilo petit mort!

te insuflo a chama infinita

caosmose em combustão

E tudo!

Tudo o que permanece

vibra e atravessa multiversos

é a mudança.

Ave Heráclito de Éfeso!

“A nossa percepção e compreensão do mundo,

é afetado pela nossa condição de existência no mundo.”

Precisamos lutar diariamente contra a estupidez desse mundo das ideias que só enxergam a potência da materialidade, deste mundo de Necro Sapiens cuja programação é roubar a essência do humano. Um mundo cuja arte é a redução de cabeças, quanto mais estupidos, mais louvados, quanto mais insípidos, mais idolatrados, quanto mais medíocres mais seguidos.

Uma visão de mundo sem o sal da terra, sem o sabor da pele, sem o brilho da beleza, onde tudo é literalmente roubado, inclusive as almas e os sorrisos das crianças. Um mundo bizarro, quadrado e ao mesmo tempo plano, a negação do real.

Um mundo onde as máscaras/personas assumiram o controle. Onde a perversão e a psicose fizeram o seu ninho, e deram poder a tantos fascistas.

Esse é o deserto do real vaticinado pelas irmãs Wachowski (Matrix). Um mundo onde os seres humanos precisam retomar o controle, principalmente o controle do riso, basta de máscaras, basta desse gesso é dessa cera de vela quente, pincelada na cara e na pele.

Onde a ética e a substância do processo civilizatório precisam retomar o seu rumo, ajustar as velas.

Nem a natureza aguenta mais esta vilania, desta horda de estúpidos velozes e boçais, a natureza está gritando pela vida. Está chorando sua água pelo mundo, está gritando os seus vendavais, e vai nos invadir com os rios, oceanos e mares.

Precisamos urgentemente assumir o controle. Se somos a maioria avassaladora (8 bilhões) de homo sapiens em evolução, e se criamos uma rede capaz de nos potencializar, uma inteligência artificial capaz de nos auxiliar, precisamos urgentemente retomar o rumo, urgentemente assumir o controle.

Antes que os estúpidos e vorazes nos aniquilem a TODOS! Esses estúpidos que são educados para serem ladrões de beleza, ladrões de esperança, ladrões de amanhãs, ladrões de futuros, essa sociedade feroz.

Esses estúpidos são educados pela materialidade (fuga metafísica do real), para serem ladrões da arte e da beleza. E onde nós, seres humanos, somos educados pela natureza, pela ética e pelos valores civilizatórios, para sermos corações valentes, fraternos e racionais. Não essa racionalidade vil, no sentido mais baixo da vileza, cuja ética é a usurpação da vida e da vida humana, mas uma racionalidade humana, ética e comunicativa, que tem nos valores universais, onde toda a humanidade esta incluída, a sua máxima afirmação ao respeito a vida e a vida humana.

Por isso digo de punhos fechados e a plenos pulmões:

Nós somos leões! Somos a força da natureza, somos os guardiões da beleza e do sorriso da voz, e não podemos deixar que estes insípidos nos roubem o tom da melodia, o brilho da simpatia, a singeleza do encontro, a quentura dos nossos corpos, a capacidade de sonhar com um mundo em evolução.

O amor é a nossa maior bandeira, cuja frequência e vibração nos religa (Religare) com o COSMOS. E permanentemente precisamos agitá-la e gritar a plenos pulmões, a potência dos nossos sonhos. Essa é a mensagem que os nossos grandes mestres, cuja ação no mundo e repercussão de suas ideias nos permitiu chegar ate aqui. Sem essas consciências cósmicas, cujas ideias reverberaram, e ajudaram a corrigir o nosso rumo civilizatório, o homo sapiens já teria se aniquilado.

E dizer que a inteligência da vida, e muito mais complexa e potente, do que esse arremedo de razão chamada inteligência funcional, positivista, Individualista, essa é a inteligência dos fascistas, a aniquilação da vida.

“Não é sinal de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente”.

Nós precisamos buscar aquilo que nos une. E o que nos une é a ética, o respeito a vida, o respeito a vida humana, ao processo civilizatório, a racionalidade do real, aquilo que nos permitiu chegar ate aqui, graças a inteligência Cósmica dos nossos Grandes Mestres.

Precisamos construir uma resistência, organizar movimentos sociais cujo valor seja a vida, e a vida humana, que vão de encontro a essa necropolítica, conduzida por necro sapiens, esses animais, educados sem o amor, esse amálgama do universo que nos faz, e fez, evoluirmos e chegar até aqui.

“Fomos socializados para respeitar mais ao medo que às nossas próprias necessidades de linguagem e definição, e enquanto a gente espera em silêncio por aquele luxo final do destemor, o peso dos silêncios vai terminar nos engasgando.” Audre Lorde

A arte é resistência!

A existência é resistência!

As Canções de Liberdade

Publicado: 01/02/2024 em Uncategorized

É possível a um homem cantar o espírito do seu tempo?

É possível a linguagem traduzir o sentido do seu tempo

Quando surgiu o primeiro poeta
Antes ou depois da linguagem

Se poesia é sentir
Quem veio primeiro,
o sentir ou o sentido
Quem veio primeiro,
o propósito ou a linguagem
Que diz

Quem disse o primeiro poema
Quem vociferou pela primeira vez na tribo
As canções de Liberdade

E antes dessa vociferação
Quem tocou os batuques
Quem inventou os batuques

Tunc, tunc, tunc, tunc!
Quem inventou os batuques?

Quem inventou a canção do coração?
Quem definiu o ritmo do coração?

Quem engendrou a sinfonia da vida?

Quem instigou a faísca do raio-trovão
O som do borbulhar e marulhar
do mar e do rio

Quem desencadeou o ritmo das ondas
E quem disse ao andarilho
que era possível deslizar sobre as águas?

Quem disse ao poeta que era possível falar sobre as percepções, sobre as coisas

Sobre o espírito do tempo!

Sobre o sofrimento, sobre a dor, sobre o amor

Quem? Diz ao homo sapiens o que ele tem de ser?

Quem diz ao coração o ritmo que ele tem de bater
Em maestrons eletrificando o sangue os átomos e a alma

Quem diz a quantidade de amor que é preciso dar

Quem sabe o caminho a seguir

Quando o corpo morre no gozo
Quem diz a intensidade do sumir

Quando o poeta diz sobre o som e a fúria do seu tempo e vaticina: Subamos!

Quem ousa duvidar?!

Se o sangue ferve
Se a alma exige a verve

Palavras em vórtex rodopiantes
sob o núcleo esférico dos desejos

Como é possível romper o véu?
Como é que se faz pra sair da porra…
Desta caverna?

E se eu quisesse
com meus próprios punhos e braços
levantar-me do barro da criação
E a plenos pulmões gritar:

Maiakóvski
Pádua Lima
Sartre
Zaratustra
Herman Hesse
Walt Whitman
Saramago
Rilke
Rimbaud
Huxley
Leminski
Borges
Guatarri
Pessoa
Krishnamurti

E atingir a primeira e última Liberdade!

.       ”Quando eu morrer

       não quero choro nem vela,

       quero uma fita amarela,

        gravada com o nome dela”


As vidas são feitas de retalhos

Quando?
em sã consciência
eu poderia dizer que atingi
a primeira e a última Liberdade?

Que rodopiei em vórtex
no crisol mágico da genitais impurezas

Que atingi o espírito do tempo

Levantados do chão

Ópera maestro de Deus

Se fomos insuflados pela palavra

Quem é esse
que ousa dizer que a palavra não é capaz
de dizer sobre a sua constituição?

Um homem em transformação e mudança é aquele capaz de dizer e cantar sobre o seu tempo e o seu futuro

mas sobretudo

agir em congruência com as suas palavras

       Zumbi era Lampião
       Lampião era zumbí!

Quem é o homem
o ser capaz
de capturar o espírito no seu tempo?

        Pessoa era Whitman
       Whitman era pessoa

Quem ousa cantar as canções
Quem ousa bater-se
Insuflar-se

Se não o homem que entendeu
Uma vírgula
Da Teia da vida

Mas ousou torna-se chama
Ousou bater e respirar no ritmo
Do próprio corpo

E sobretudo!
Sobretudo!
Ousou amar cada milissegundos
Dessa explosão infinita

E dessa possibilidade infinita
Efêmera, mas infinita
Enquanto o sangue continuar a jorrar
Pelos buracos de minhoca do COSMOS

E mais que TUDO!
Ousou amar e respeitar cada ser
Cada brilho no olhar
Cada lágrima
Cada grito
Cada criança
Este fruto bendito
Essa semente cósmica
Que cresce em cada um de nós

E que precisa evoluir sempre
Se quisermos ser
mais do que o último segundo
Do relógio do Universo

Por isso eu giro
Em rodopios Sufi
Em sintonia com as batidas
do Deus do meu coração!

      ”Eu gosto dos que tem fome

      e morrem de vontade

       dos que secam de desejo

       dos que ardem.”

                   

A Mudança & a Liberdade

Publicado: 15/11/2023 em Uncategorized

Essa frase é muito significativa:

“Escolhi chamar de modernidade líquida a crescente convicção de que a mudança é a única coisa permanente, e a incerteza, a única certeza.” Zigmunt Bauman.

Aliada a esse pensamento:

“Tudo o que permanece é a mudança.” Heráclito.

E a esse outro aforismo:

“O homem está condenado a ser livre! Condenado, porque não se criou a si mesmo, e no entanto livre, porque uma vez lançado ao mundo, é responsável porque tudo aquilo que fizer.” Sartre.

E conectado com essas próximas ideias:

“O homem não quer realmente a liberdade, pois liberdade, implica responsabilidades, e as pessoas não querem assumir responsabilidades.” Freud. “A alma seduz para a vida a inércia da matéria que não quer viver.” Jung

Essas frases são aforismos, cada uma delas contém um conhecimento amplo e universal. E quando juntadas, mais principalmente, quando entendidas, são nitroglicerina pura! E termino essa conexão de ideias com um dos mais lindos pensamentos que já acessei:

“É de um homem para outro que se passa o pão celestial de ser o si mesmo.” Buber.

É justamente juntos, iguais e respeitosos, com liberdade e fraternidade, que alcançaremos:

A Mudança É a Liberdade!

Tudo vibra e tudo flui!!

Paz e Luz!!!

O Ser e o Nada

Publicado: 04/11/2023 em Sem categoria

Esse pedacinho ínfimo de tempo

Que dispomos

talvez seja a única coisa real

diferença

Distância

ou repetição

entre o ser e o nada

Imaginar que alguém possa

não gozar

instantes

nesses pedacinhos de presença

Não existindo

dá-me calafrios

Subservindo ideologias ocas

e não a uma visão de mundo

única

grande pena

           “existirmos

        a que será que se destina”

sem existência

autocondução

encontros

desencontros

evolução

revolução

meio

entre

Caosmose

TUDO

parece

vazio

        oco

       por dentro

quanto menos o indivíduo realiza as suas possibilidades existenciais

mais a irremediável finitude vai transmutando-se em ameaça

perigo

medo

      consequente sofrimento.

Por isso é inegável a necessidade de existirmos, pois tudo o que permanece é a mudança!

Não só é preciso, mas necessário, que cada ser humano ignicie a sua Supernova!

         navegar é preciso!!

       Aconteça o seu Big Bang!!!!

Oxalá cada singular existência

possa ser oportunizada

E oportunizar-se

construir

ouvir

          Ser

sua própria voz