Homens mortos não choram!!

Publicado: 08/01/2011 em Uncategorized

“Acredito que um homem que consegue chorar vive por mais tempo. Chorar protege o coração. É a única maneira de aliviar a dor de um coração partido, da perda de um amor. A vida é um processo fluido que se torna completamente congelado na morte e parcialmente congelado em estado de rigidez, que são estados de tensão. Chorar é um degelo. Os soluços convulsivos do choro são como a dispersão do gelo no degelo da primavera. As lágrimas são o fluxo decorrente.” LOWEN, 1997, p. 59

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Quem são esses homens que ensinam a não chorar? Será que foram ensinados a não chorar?

Quem são esses homens que ensinam a não sentir? Será que foram ensinados a não sentir?

Quem são esses homens que ensinam a não pensar? Será que foram ensinados a não pensar?

Quem são esses homens que ensinam a não existir? Será que foram ensinados a não existir?

Quem são esses homens que ensinam a não amar? Será que foram ensinados a não amar?

De pai para filho, quem foi que aceitou primeiro essa triste reverberação, o pai ou o filho?

Será que porque aceitam não chorar, não sentir, não pensar, não existir, precisam condenar os seus filhos e os seus semelhantes a mesma sentença?

Porque será que é tão difícil compreender que dentro de cada um de nós existe uma singular resposta para o fantástico milagre da vida? Essa idéia simples, é tão difícil de digerir assim? Será por medo do dragão sonâmbulo que existe dentro de cada um de nós? Medo de soltarmos as rédeas das nossas insubornáveis feras? Medo de desacorrentarmos o nosso Titã? Medo de não conseguirmos suportar a consubstanciação com a vida? Medo de segurarmos as mãos dos nossos filhos quando eles estiverem prestes a dar os primeiros passos para a vida, e diante do desafio de mantermos o nosso equilíbrio na hora de caminharmos juntos!

“É de um homem para o outro que se passa o pão celestial de ser o si mesmo”. É preciso, é urgente, é necessário, que não neguemos a mensagem de amor que existe no milagre da vida e que nasceu incrustado dentro de cada um de nós, feito o grão dentro da ostra, que vai sendo recoberto, camada por camada, na construção da pérola, jóia rara. Grãos que nos acompanham desde a grande explosão (big-bang), “nós somos poeira de estrelas”.  Ainda não descobriram em nenhum laboratório um ensinamento que supere essa Lei Máxima do Universo que se chama Amor, e que todos os grandes Mestres, a sua maneira, tentaram nos mostrar: o Caminho,  o Tao, a Paz, o Significado, o Amor, o Norte, a Seiva da Vida, a Verdade, o Cristo, a Consciência Cósmica, a Liberdade Existencial, a Consciência Reflexiva. E que os inapaixonantes tentam desmesuradamente negar, quando nos dão o seu desamor, quando nos transmitem os seus tristes rudimentos de ensinamentos, os seus fragmentos de entendimento, e a sua tosca visão do que é “O Homem, o Tempo e o seu Motivo”. E nos ofertam esse mundinho primitivo, básico, fragmentado, estético, insustentável, primário, insípido, pobre, inapaixonante, inglório, banal, lugar comum, material, como se fosse a mais fantástica das ofertas possíveis aos únicos animais que atingiram o pensamento e a consciência reflexiva, e que foram capazes de elaborar constructos maravilhosos, dentre os quais, o constructo ao qual denominamos Ser Humano.

250 mil anos desde os primeiros símbolos, 150 mil anos desde os primeiros rudimentos de linguagem, 50 mil anos desde as pinturas rupestres, para em pleno século XXI continuarmos dando tanta credibilidade as ilusões e aos ilusionistas da má fé, aos “espertos ao contrário”? Tanta criatividade elaborada pela natureza há bilhões de anos, para chegarmos em pleno século XXI e deixarmos nossa nave ser comandada por bandidos oportunistas? Como se não bastasse a impossibilidade do milagre da vida, e dentro dela o milagre da existência humana, seremos então capazes de negarmos a vida, para sermos conduzidos pela pela ignorância, e pela reles… vaidade? Permitiremos esse absurdo, por simples covardia!?!

Pobres homens, pobres miseráveis,  será que por serem incapazes de compreenderem a singularidade da vida, o significado da existência, a singeleza do amor, tem o direito de condenar toda a humanidade aos mesmos infortúnicos aprendidos e ensinados?

Mais eu vos digo (fustigo), é por uma escolha que não choram! É por uma escolha que não entendem! É por uma escolha que não sentem! É por uma escolha que não pensam! A potência que existe dentro de cada um de nós, é ávida, é faminta, é titânica, atravessa a morte, mas ela não faz escolhas, nós fazemos. “Todo mundo tem direito a vida, e todo mundo tem direito igual!”. “Todo homem está condenado a ser livre!”.

Todos nós temos a oportunidade de fazer as nossas escolhas. Mesmo aquele mais desafortunado, que nasce no berço mais miserável, mesmo esse, tem a sua hora e a sua vez. E quando não escolhemos, essa é a nossa resposta, não fazer a escolha. Não assumir o compromisso com a vida, não decidir sobre o próprio rumo, não tomar as rédeas do próprio caminho, das próprias ações. Aceitando passivamente o cálice do vinho da negação da liberdade das escolhas, desembocam nos descaminhos da covardia, da apatia, da leniência, da usurpação.

“As folhas verdes são verdes, a flores vermelhas são vermelhas, não precisam ver as coisas a não ser como elas foram, são, e sempre serão”.

Ninguém, nunca, está condenado ao desamor! Nós somos todos filhos do Universo. Em cada célula do nosso corpo existe uma mensagem de união, uma mensagem de recomeço, uma mensagem de fraternidade, uma mensagem de organização, uma mensagem de construção, uma mensagem de liberdade, uma mensagem de equilíbrio, uma mensagem de igualdade.

Quando e como conseguiremos sair de nossas cavernas, quando entenderemos que as sombras não são as coisas? Quando nos despiremos de nossos medos para enfrentarmos com coragem os nossos desafios. Quando nos responsabilizaremos por toda a vida, e pela vida humana, quando assumiremos e nos responsabilizaremos pela nossa espaçonave Terra!

Homens mortos não choram!!

comentários
  1. Avatar de Katyusca Katyusca disse:

    Queria eu poder escrever assim, coisas tão sinceras, verdadeiras e apaixonantes como essas que leio em seu blog e em sua vida.
    bjo

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