A Verve de Um Amigo Meu

Publicado: 07/07/2008 em Sem categoria

queria
escrever fosse
a lótus do meu lodo

nada mais

sei
não é pouco

sim
fosse bela
a flôr desse esforço

que só exala o cheiro ruím do fosso
feito churume ácido em gás

podia
então
ser árvore fincada
sobre um pedaço firme
duma rocha elevada

à beira dos abismos que há em mim

queria fossem pétalas/palavras
de magestosas rosas bem cuidadas
aquí, d’algum recôndito jardim

áh, fossem escritos
vindos uvas
de cepas centenárias portuguesas
restantes nesse sangue que me queima a face
enquanto choro
e sonho
e insisto

sem poder pisá-las
porque não nascem
não nascem
não nascem

queria mesmo
nessa busca impulsiva e tosca
se não achá-las palavras

achar-me n’algum canto
enquanto as busco

pra não deixar os outros
que amo tanto
tão sem algo de bom vindo de mim

Eninho – Vitória, 06Jun2008

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