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… Imperdoáveis

Publicado: 19/04/2009 em Sem categoria

 

a mim também incomoda

esse estado de "coisas"

essa baixa moral
 
mas eu sei um pouco o motivo do meu incômodo
 
mas e aqueles que não sabem?
 
e se eles forem muitos?
 
e se eles estiverem no poder
 
e se eles forem cruéis
 
e se eles forem
 
… imperdoáveis
 
 
++++++++++++++++++++++++
 
a verdadeira caverna de sombras
 
é quando nós só conseguimos enxergar as "coisas"
 
pelos olhos dos outros
 
++++++++++++++++++++++++
 
dio mio
 
porque me ofertastes tanto?
 
e me deslumbrastes com esta viagem tão fantástica
 
um bastão em combustão sou eu
 
uma chama perfeita de radicais livres
 
 
milagre único
 
improvável
 
impossível
 
momento útero
 
e fatal
 
 
e como se não bastasse tudo isso
 
permitir-me comungar deste milagre com bilhões de seres
 
tão especiais quanto eu
 
 
++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
 

é preciso e necessário
 
iluminar a penumbra da caverna
 
nem que para isso
 
seja necessário um corpo
 
em combustão
 
corpos não se enxergam
 
sacos vazios não param em pé
 
uma flor é tão minuciosa quanto uma galáxia
 
e uma galáxia perde muito
 
se nela não houver pelo menos uma vida
 
é preciso e necessário
 
resgatar estes corpos expostos e fincados
 
na aspereza desse chão seco
 
e sem mistérios
 
o Grande Arquiteto com certeza não teria produzido a vida
 
não teria produzido o homem criativo
 
não teria possibilitado o constructo "humano"
 
se o seu propósito fosse o nada
 
um jogo de dados banal

 
 
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Poesia aos gritos

Publicado: 13/04/2009 em Sem categoria

 

Ave Claudinha!!!    Ave Mariazinha!!

"Enlouquecida e desesperada, me pus aos gritos: – Cade a minha felicidade! Onde se foi a minha felicidade? Alguem com cheiro de flor me cutucou as costas. – Sai daqui!! – Gritei sem me virar. Cheirei o ar confusa. Era cheiro de chuva? De crianca? De chocolate? Entre meu desespero e minha curiosidade, me virei. E ela estava ali de maos abertas, sorriso na face, doce nos olhos: a felicidade tinha forma de poesia!"  Cláudia Gomes

Fonte: http://poesiaaosgritos.blogspot.com/

 

estamos tocando a nau

organizando eventos
preparando encontros
estabelecendo metas
vivendo os minutos
antes do grande silvo
que nos levará a Samarra
tomando no cálice
oh! grande arquiteto
o néctar da vida
remoendo por vezes
vivências do passado
construindo metáforas
para perdurarem no futuro
acreditando na vida
essa condição efêmera
e é tudo !
isso !!
que não é pouco
dando passos a frente
num mundo de pés tortos
joelhos descalços
juízos curvos
apostando sempre
nos brilhos dos olhos
do futuro
propondo que não há fronteiras intransponíveis
para uma verdadeira existência.
juntos !
esperando não demorar tanto
para que nos encontremos
breve
ALM

 

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
 

A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
 

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
 

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
 

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


AVE MESTRE!!

Fonte: http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp

Olhe Melhor!!

Publicado: 06/02/2009 em Sem categoria

“Um lado necessita do outro. O lado bom contém a semente do mal, e o lado ruim contém a semente do bem” (JUNG, apud, GRINBERG, 2003, p. 118)

existe essa coisa que nos arrasta para vida

e nos chama para vivê-la de uma forma desbragada

sugar com fome o leite da mãe

absorver cada segundo último

morrer rompendo a barreira do som

…mas com um sabor….

e existe essa coisa que nos arrasta para a morte

e ao vislumbrarmos o por do sol da finitude

dá-nos um medo tamanho

e nos agarramos com unhas afiadas

a essa pele fina e frágil

que contém quase todos os nossos orgãos

fantástica orquestra

Opera Maestra de Deus!!

capaz de abrigar com uma coragem titânica

e uma leveza avassaladora

todos os sonhos do mundo

equilibristas!!

bêbados

lúcidos

santos

loucos

estúpidos

raríssimos…

…. poetas

saltando em suas cordas

para alcançar estes cagas-fogo

que brilham feito estrelas

em nossas órbitas

caçadores audazes de luzes fugidias

sinos de luz

moscas-de-fogo

recolhidos num facho

Diógenes e sua lanterna

apontando-a em direção a escuridão

abissus…..

abissum…..

invocat….

que imensidão sem luz é essa

i n f e r n a l ! ! ! !

vasto mundo escuro

que vibra sob minhas cordas

aponto-lho a  lanterna de pirilâmpos construída a pouco

e é como se brilhassem no escuro os peixes das profundezas

e esticassem seus pescoços íngremes

para fora da escuridão

equilibristas dos abismos

apontadores de lanternas

caçadores de pirilampos

sombras que não querem ser só sombras

iluminadores das profundezas

coreógrafos nervosos de peixes medonhos

olhai!

eles!!!

de lá no fundo escuro

faiscando

ruminando suas esferas

com uma fome voraz

querem dar um salto para aqui

onde brilham bêbados

poetas equilibristas

carcaças de fome

e lacaios de satã

querem-nos iluminadores da escuridão

querem sangrar a nossa frágil luz

minha

e dos vaga-luzes

para que a vida sofra de existência

para que a vida seja só existência

e a existência salte magnífica

dentro do abismo

em busca da escuridão

e de toda a escuridão

que queira ser

!c ! h ! a ! m ! a !

Poetas Del Mundo

Publicado: 28/01/2009 em Sem categoria

 

É impossível ficarmos  ilhados num mundo cada dia mais interconectado.

 

Por isso entrei no movimento poetas del mundo: http://www.poetasdelmundo.com:80/verInfo_america.asp?ID=4866, deêm uma olhadinha no site.

 

Precisamos cada vez mais alimentar e fortalecer a idéia de que não somos simples ouvintes de auditórios. Platéia leniente de bufões e ditirambos. Alegres convivas de um banquete de ilusões. Passivos diante da mesquinhez dos rasos.

 

A nossa voz pode e deve ser ouvida em todos os cantos do mundo. Pois toda a voz que se propõe a não ser só capricho de rufião merece ser expressada.

 

Precisamos fortalecermos a idéia, de que JUNTOS SOMOS MUITO MAIS DO QUE A SOMA DAS PARTES!! Idéia deveras massacrada e carcomida,  pelo Leviatã Capitalismo, através do seu constructo máximo que se chama individualismo.  

 

Já não é mais possível omitirmo-nos, o mundo está ai fora, rugindo feito um dragão, contorcendo-se a espreita com bile nos dentes. E embora muitos só o queiram ver através das TVs, essa forma quadrada de se ver a realidade. Ele está ai sim, e está ficando cada vez mais difícil dar crédito aos parasitas (vampiros), que se alimentam do sangue dos que passam fome e necessidades. Quando sobem em seus palanques para tentar enganar todo o mundo, quando são mostrados em suas festas de gala, quando ouvimos os seus sorrisos toscos, quando nos enjoamos com suas frases feitas e mal cheirosas, parece-nos que uma possessão demôniaca vindo das profundezes da psiqué coletiva os está controlando. São risos programados, e eles dão-nos calafrios, de tão frios e descompromissados com a vida.

 

Em que laboratórios de cínicos foram fundidos estes átomos, estas células, quem construiu estes ascos, será que Josef Mengele teve alguma coisa a ver com isso? Será que estas coisas foram corrompidas por palavras ou por moléculas, ou pelo dedo do próprio Lúcifer, que saiu dos seus afazeres satânicos para deflorar as poucas virgens do mundo?

 

UM PASSO A FRENTE E VOCÊ JÁ NÃO ESTÁ MAIS NO MESMO LUGAR. Chico Science.

 

Agarremos as rédeas de nossas vidas irmãos! Escutemos a voz potente do Cristo, esse ser humano ímpar que nos indicou alguns caminhos. Mas não só a voz dele, a voz do Buda, Ghandi, Zaratustra, Lao Tsé, Martin Luther King, dentre outros não menos humanos. Estes mestres falam uma línguagem universal, que todos nós sabemos de cor (de coração), porque essa língua nos une com uma idéia cósmica. Essa línguagem é a linguagem do amor, linguagem usurpada pelos homens que são movidos pelos interesses, pelos cães de aluguel, mas que vive nos ensinamentos dos grandes mestres e em nossos corpos e corações de forma incorruptível.

 

Este site é para vós, que quereis escutar a Grande Voz, a voz única, que quereis escutar a nossa voz. A voz que é ouvida através de uma vibração e sonoridade que ultrapassa o próprio significado das palavras.

 

Nós somos peças de um quebra-cabeças de feras, montado há milênios por uma fatalidade cósmica, e cuja inteligência nos vem guiando na superfície deste astro que é Gaia, essa nave que percorre o cosmos a bilhões e bilhões de anos. E cuja trajetória encontrou a vida, encontrou a morte, encontrou a inteligência e a criatividade, e encontrou o homem, no seu último segundo de existência cósmica.

 

Tomar as rédeas de nossas vidas é fundamental. Atingimos uma potência tal, que já não é mais possível deixarmo-nos guiar por desejos. O nosso planeta está sofrendo com a ambição humana, com a vontade de poder, que não cessa e nunca cessará, porque faz parte dos mecanismos orgânicos da máquina animal nunca querer acostumar-se com nada. E o circuito dopaminérgido do prazer vem nos dizer muito sobre isso, ou seja, somos organicamente programados para nunca acostumarmo-nos com nada, justamente para que nunca paremos de avançar. Mas chegou enfim a hora de refletirmos sobre essa usina de força amoral que nos move, será que não evoluiremos para o estágio dos que tomam as rédeas do seu destino? Ou permaneceremos sempre e sempre, até o fim, teleguiados por engenhocas orgânicos? Erque os olhos homem, já está mais do que na hora de ultrapassar o teu cadáver. Os corpos dessa guerra de ambições, desejos e vaidades mesquinhas, estão espalhados pelo mundo.

 

Aos brutos que não se incomadam com as palavras, assistam a sétima arte, lá estão Magnólia, Crash, Diamante de Sangue, A Verdade Nua, O Jardineiro Fiel, Sociedade Feroz, Revolutionary Road, A Troca, Advogado do Diabo, O Fim dos Tempos, O Dia Em Que A Terra Parou, são sutiz as mensagens, mas para bons entendendores um pingo é letra, e todos eles falam uma mesma e única coisa, já não é mais possível deixarmos as coisas acontecerem ao bel prazer de uns poucos insconsequentes. 

 

O mundo é nosso, meu teu, dos mestres, dos bons, de todos. Ele não é de alguns poucos, como nos querem fazer crer os leões e os tubarões que tem medo de perder seus privilégios. Ele é de bilhões, ele é da sutiliza da vida, ele é da consciência cósmica, ele é da máxima urgência do milagre que é a vida. E de alguma forma ele retornará ao seu equilíbrio, com a nossa tomada de consciência ou não. Mas eu prefiro pensar que não somos apenas animais teleguiados por desejos, prefiro pensar que não somos apenas pulsões. Prefiro pensar que podemos construir um mundo mais justo e fraterno, cujo alicerce maior seja a liberdade, não a liberdade de uma prisão material, mas a liberdade de tormarmos decisões por nós mesmos, e sentirmos essas decisões pulsando em nossos corpos.

 

Nossa caminhada até aqui é uma grande realização. E inegável as construções que houveram até aqui. Mas ainda assim foram edificações com fundações questionáveis. Como diria Marx "tudo que é sólido desmancha no ar", e até aqui os impérios e as civilizações desmoronaram. Resta saber o que faremos com a nossa civilização daqui em diante, dexaremo-na desmoronar como as outras, por uma pura incapacidade de sustentá-la como podemos observar agora, que mercado se sustenta com falácias e especulações e ambições e irresponsabilidades? Constinuar de olhos bem fechados dizendo: — Não, não é comigo amigo, já deleguei minhas responsabilidades a quem as ambicionava e dei-lhe poder, agora é esperar que as coisas se regulem por elas mesmas.

 

Ou começaremos a abrir os nossos olhos, com amor, com carinho, com respeito, com caráter, essas coisinhas básicas e triviais, que ninguém ainda não aprendeu a produzir em série, nem a vender. Mas que são a base para qualquer início de caminhada. Sem essas coisinhas simples, não passaremos nunca de estúpidos e cruéis bárbaros que conseguiram sabe-se lá como, chegar até na lua.

 

UMA LONGA E IMPORTANTE CAMINHADA INICIA-SE COM UM SIMPLES PASSO. Lao Tsé.

 

Cordiais saudações irmãos,

 

Andrey Mozzer

UNIDOS NÓS SOMOS MUITO MAIS DO QUE A MERA SOMA DAS PARTES!!

 

Subjetividade

Publicado: 26/01/2009 em Sem categoria

excesso

não cabe

tudo que não cabe

tudo isso que não cabe

esse muito disfarçado

extraordinário

fermentado dentro

crisol

universo brilhante

tudo isso que não cabe

nos turbilhões neuronais

brilhos ofuscantes

aprisionados

por estranhas panteras

um insight

um encontro

entre um receptivo

e um bravo

tudo isso imenso

que não cabe em nós

e que é preciso

expor

simplismente tudo o que existe

perfeito

um deus para empinar pipas na chuva

para conter

e mesmo assim

não é contido

acolá um rudimento de linguagem

aqui uma obra de arte

mais adiante um asco

chega mais perto

e é branco

esse abismo

que já foi negro

mais um passo

um gruta de carne

e fogem

feito gotas

estas esferas quânticas

de sangue real

em exponencial multiplicação

cântico negro

mais perto

uma equação

uma orelha surda

desencantada

mais próximo

uma entidade plácida

saravá

um conto absurdo

contorcendo-se

querendo ser só ilha

atrás de uma porta mágica

onde não cabe

sequer

esse tudo quase-perfeito

sorriso na boca de um cão

humano

substância humana

onde gritos nervosos ecoam

na mesma velha dança ancestral

arabescos nas paredes

dos bosques

sombras cintilantes

caminhando sobre os sons

idéias ordinárias

surfando sobre o tempo

rabiscos nas sombrancelhas

e um fel na boca do ventre

o fígado

regenerando-se no penhasco

aguardando o homem

que saltou nas rochas

em busca de um segundo

que o reconectasse aos seus desejos

e aos seus sonhos

que jazem presos

no interior de tartarugas gigantes 

A Alma do Outro

Publicado: 26/01/2009 em Sem categoria

"A maioria esmagadora dos homens é incapaz de colocar-se individualmente na alma do outro. Esta é uma arte rara, que não nos leva muito longe. Quando pensamos entender alguém, melhor do que aos outros, com a confirmação espontânea dessa pessoa, mesmo assim devemos confessar: no fundo, esse alguém é-nos estranho. É o outro. O melhor que podemos fazer é acolher essa leve idéia de uma alteridade, respeitá-la e evitar a grande estupidez de querer explicá-la." (Jung, 1987, p96) 

 

 

 “Ide pois aos vossos campos e pomares,
e lá aprendereis, que o prazer da abelha
é de sugar o mel da flor,
E que o prazer da flor
é de entregar o mel à abelha.
Pois, para a abelha,
uma flor é a fonte de vida,
para a flor
uma abelha é mensageira do amor.
E para ambas,
a abelha e a flor,
dar e receber o prazer ,
é uma necessidade e um êxtase.”

 (Khalil Gibran)
 

O Eu e o Insconsciente

Publicado: 04/01/2009 em Sem categoria

 

“Nenhum espírito criado poderá mergulhar nas profundidades da natureza” (Jung, 1987, p52)

Um Olhar Bom

Publicado: 02/01/2009 em Sem categoria

 

"Não é que o mundo seja só ruim e triste.

É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais.

Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu grande amigo,

nenhum jornalista escreve a respeito."  Rita Apoena 

 

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Alguns oportunistas inventaram essa conveniência de que as notícias boas não dão ibope.

A bem da verdade, muitas outras coisas ruins foram inventadas para justificar bons mentirosos.

O oportunismo é isso, é muito mais fácil encontrar uma notícia ruim do que uma boa.

E para conseguir coisas boas é preciso também ter um olhar bom.

 

Por isso temos essa estranha impressão de que o mundo está um lixo.

É só ligar a televisão que o sangue jorra, as crianças são lançadas dos edifícios.

Está até difícil hoje crer no que está diante dos nossos olhos.

Qual cegos, tateamos os eventos com a nítida impressão de que eles são máscaras fugazes.

 

Quando muita gente pensa junto uma mesma idéia, ela acontece. A igorância é uma força.

 

Ainda bem que ainda existem os poetas, para nos trazerem a magia das folhas caindo.

Dizem por ai que os poetas são ladrões de fogo.

Conseguem resgatar das chamas as gotículas que provocarão as chuvas.

Tirar das tempestades o feitiço da vida.

 

Trazer algumas verdades, e uma delas é que juntos, nós somos muito mais do que a soma das partes.

Quem semeou a vaidade, o individualismo, o oportunismo, a tangibilidade da matéria, o rigor, está por certo, muito distante de um olhar bom.

 

===

 

É preciso muita sabedoria

paciência

humildade

para admitir que uma das chaves

da existência

seja algo tão simplório

fácil

mínimo

como o amor

 

este sentimento titânico

cuja força

só pode ser comparável

a energia contida

no núcleo

do sol

 

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Toda a maquinaria da inteligência, toda a criatividade humana, acaba apresentando-se inútil, voraz e fugaz, se não houver amor no coração dos homens.

Ao mesmo tempo que essa idéia é plena, simples, ela não serve para alimentar cobaias, dessas que exalam sentimentos dentro dessa densa Matrix ideológica que nos aprisiona.

A inteligência é ótima para ignorar coisas simples e faz isso com uma naturalidade de iena.

É preciso uma mutação no pensamento, na caixa craniana não cabem mais neurônios dos que ai estão, é preciso uma mudança na forma de entender o mundo.

Esse osso que chupamos tão diligentemente, qual cachorros, ainda não carrega a seiva da vida. É preciso que nos desnudemos para concluir que esse osso não existe. Ele é mais um produto nessa vitrine que está ficando cara demais.

Nós somos colônias de organismos na superfície de Gaia. E é cada vez mais urgente que resgatemos e tomemos as rédeas da nossa história, sem oportunismos, mas com muito caráter e coragem, estas palavrinhas simples potentes, que a Inteligentzia quer arrancar dos dicionários.

É preciso que nos dispamos destas fantasias surradas de ovelhas. É preciso tomar as rédeas do nosso futuro. Se doravante navegar era preciso, hoje, mais do que necessário é agir sobre o mundo. Basta de sermos ovelhas, basta de gado humano, basta de leniência e passividade.

O homem nasceu para preencher o mundo com os seus sonhos, é preciso resgatar a nossa capacidade de sonhar.  Mas é preciso muito mais resgatar a nossa capacidade de sonharmos juntos, pois juntos, além de sonhar, podemos materializar a nossa história, e não liquefazê-la.

E é preciso que se diga isso hoje, nesse exato instante, no aqui e no agora, pois apesar de estarmos tão distantes da realidade, ao mesmo tempo nunca estivemos tão próximos dela.

 

"Abre os olhos Hannah! Abre os olhos!"

 

É Preciso Um Olhar Bom

Publicado: 02/01/2009 em Sem categoria

 

Não é que o mundo seja só ruim e triste.

É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais.

Quando uma pena flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu grande amigo,

nenhum jornalista escreve a respeito.

Só os poetas o fazem.
 

Rita Apoena

…..

…..

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero
há calma e frescura ma superfície intata
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio

…..

…..


Chega mais parto e contempla as palavras
cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta
pobre ou terrível, que lhe deres:

Touxeste a chave?

…..

Drummond (Fantástico!!!!)

 

 

 

É preciso que estejamos nus, para que possamos saborear o fenômeno de um verdadeiro encontro, eu e tu, cúmplices de um crime perfeito, a existência.
 
Onde possamos ter a liberdade de nos mostrarmos e nos enxergarmos.
 
Compreendendo a distância entre a nudez estética, e a nudez ética.
 
Entre o eu, o tu e o isso.
 
Sair da fortaleza sem armaduras.
 
Sair da mansão despido da veste insignificante da vaidade.
 
Deixar de ser inapaixonante.
 
Sentir a grama crescendo sob os pés.
 
Molhar-se na chuva sem calafrios.
 
Ter esperanças e Sedes para o mundo.
 
Permitir-se a cumplicidade de um beijo.
 
O brilho e a potência de um encontro verdadeiro.
 
Onde não há mais cúmplices do que tu e eu.
 
Aiuda-me a colorir esse sorriso pálido nos que estão cegos para o encontro.
 
Nos que estão deficientes para o amor.

Pérolas aos Porcos

Publicado: 17/12/2008 em Sem categoria

 

Estamos ai, sempre em busca de um significado cada vez mais especial para as nossas vidas.
 
Basta de sermos máquinas, o ser humano é muito mais que uma calculadora a prova de falhas. Nossos corpos estão cada vez mais desgastados, stressados com estes nossos dias de crash. E mais, nossa ética precisa evoluir muito, estamos num nível baixíssimo, e isso com certeza precisa mudar. Daqui a pouco não conseguiremos mais sair as ruas, ficaremos definitivamente presos em nossas caixas, absorvidos por uma outra caixa que se chama televisão, e agora internet.
   
E enquanto não compreendermos que todos nós somos responsáveis por este caos que está ai, e buscarmos fazer a nossa parte para melhorarmos, nos implicando cada vez mais com este outro, a quem o mestre dos mestres chamava carinhosamente de irmão, e que nós, infelizmente, por uma questão de miopia causado por esse sistema cavernoso que se chama capitalismo, só conseguimos exergar um ladrão.
 
"Quem é o teu inimigo?" Disse Brecht, "O que tem fome e te pede um pedaço de pão, chamá-lo teu inimigo? Mas não saltas ao pescoço do teu ladrão que nunca teve fome."
    
Como se de fato houvesse um bem maior e mais precioso que a própria vida, maior e mais precioso que esse sentimento que todos os grandes mestres e as almas sensíveis insistem em nos mostrar como o mais alto dos ensinamentos, que se chama amor. E que é a própria chama. E que eu insisto em tentar traduzir para os tempos modernos, como implicação.
 
Temos que dar conta desse sistema provocador de vaidades que nos aprisiona. Esse sistema que se aproveita meticulosamente do circuito dopaminérgico do prazer. Esse circuito maestralmente arquitetado pela natureza para que pudéssemos sobreviver ao longo de milênios, enquanto o homo sapiens ainda não tinha acesso ao fogo (que lhe proporcionou o tempo para pensar), e à linguagem (provavelmente advinda desse tempo para pensar).
 
Um sistema extremamente desumano, e a ele poderíamos muito bem alcunhar de O Grande Leviatã, pois sem dúvida deve ser o pai de todos os sistemas humanos que já houveram. Sistema que é capaz de transformar estas máquinas perfeitas, fantásticas, prontíssimas para serem formatada com o software do constructo humano, em simples objetos, banais. E por conta de uma programação maluca e vil (no sentido mais baixo da vileza), orquestrada por oportunistas, acaba tornando esse milagre biológico único, singular, em uma simples e medíocre máquina de satisfação, capaz de matar, roubar, estuprar, mentir, abusar, trair, por causa de uma mera satisfação de desejos. A criatura que adquiriu a capacidade do pensamento, quando esvaziada de sentido, acaba por sucumbir aos mecanismos internos, que a milênios possibilitou a sua sobrevivência.
 
Nós somos matéria em construção. E hoje mais do que ontem, precisamos resgatar o que foi construido até aqui, antes que até mesmo esse mínimo constructo se transforme em poeira.
 
O bem mais valioso do mundo nas mãos de um medíocre, não possui valor algum. Pérolas aos porcos.

Um Sim que lhe permita Ser

Publicado: 17/12/2008 em Sem categoria

 

Segundo Buber, no cerne da abordagem dialógica está a questão da confirmação. Para ele, a base subjacente de toda psicopatologia é a ausência de confirmação que cada um de nós sobre no esforço para nos tornarmos seres humanos. Diferentemente dos animais, que parecem não questionar sua “natureza animal”, o ser humano precisa ser confirmado pelos outros, para se perceber como um ser humano. (Hycner, 1995, p. 60)

 

 

 

Secreta e timidamente, ele espera por um Sim que lhe permita ser e que só pode chegar até ele vindo de uma pessoa para outra. É de um homem para o outro que é passado o pão celestial de ser o seu próprio ser. (Buber, 1965, p.71)

 

Eis a eterna origem da arte:

Publicado: 17/12/2008 em Sem categoria

 

Uma forma defronta-se com o homem e anseia tornar-se uma obra por meio dele. Ela não é um produto de seu espírito, mas uma aparição que se lhe apresenta exigindo dele um poder eficaz. Trata-se de um ato essencial do homem: se ele a realiza, proferindo de todo o seu ser a palavra~princípio EU~TU à forma que lhe aparece, ai então brota a força eficaz e a obra surge. (Buber, 1974, p.11)

 

O Normal e o Patológico

Publicado: 12/12/2008 em Sem categoria

 

Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente. 

Jiddu Krishnamurti

o amor

Publicado: 11/12/2008 em Sem categoria

 

"Não há objeto de desejo que satisfaça o ser humano"

 

o que pode dar conta de um parcela desta falta

talvez seja a implicação

 

e uma idéia que talvez traduza essa implicação

seja o amor

 

 

o poder faz o homem defrontar-se com a sua fera

com a sua sombra

com os seus desejos mais viscerais

 

tudo isso que tem de ser contido e que precisa ser sublimado

em benefício de um fenômeno maior

e mais grave

 

o Ser Humano

A Comunidade

as transformações na superfície de Gaia

nave que nos transporta universo adentro

com uma missão

 

fazer valer a pena