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boi de piranha

Publicado: 30/10/2009 em Sem categoria

 

nada contra dar-me vida à vida

o foda é que

o que fazemos com a vida

queria eu que a Vida não pertencesse à nós

que Deus

com  seu bastão

nos rumasse

ora ora

como sermos humanos senão nessa pequena brecha

brecha de bucetas que fazem humanos novos

máquinas constituídas gratuitamente

e nós?
 

Johnny Bee Good

si mesmo

Publicado: 28/10/2009 em Sem categoria

 

o sujeito

                                                    que não abre alas

a sua subjetividade

 

fica

                               impregnado

 

de um

 

                                         si mesmo

 

ignorado

 

                    que de alguma forma

 

vai transbordar

 

o real é o avesso

Publicado: 21/10/2009 em Sem categoria

quem é o teu inimigo?

o que tem fome e te rouba um pedaço de pão chamá-lo teu inimigo?

mas não saltas ao pescoço do teu ladrão que nunca teve fome.

Brectht

 

 

o real

é o avesso

do que é há

 

o que é visto

é uma fachada

o que está dentro

guardado

até o convite

adentrai !!!

 

é algo inusitado

perdido nos infindáveis cômodos

nas mansões da alma

 

previsto talvez

mas completamente

… improvável

 

nós somos potências

cada um

imprevisível a seu passo

cada qual

imperdoável do seu jeito

impensável em sua completude

intraduzível em sua incomplexidade

irresgatável pelo simbólico

 

apaixonado pelos sentimentos

e pelos sinais da carne

pelo colo

pela corpo-expressão

de acolhimento

 

um brilho no olhar

um gesto de ternura

um carinho

um sussurro no escuro

 

falam mais

do que qualquer som de linguagem

ou qualquer dessas invenções que humanam

emanam

 

essa coisas que a razão tenta

inultimente traduzir há milênios

 

e que os poetas

 

intuitivos desde o princípio

conseguem expressar

 

sentimentos em gotas

 

c

a

i

n

d

o

.’.’.

 

visto que exploradores do avesso

 

jorrando nas páginas

nos muros

nas paredes

sem quaisquer paradigmas ou calços

que segure

sem arestas e sem apoios

ou ordem da razão suficiente

esquema

ou mapa

talvez uma bússula

seta ígnea apontada para o coração

 

talvez um estranho sentimento

de pertencimento ao todo

ao tudo

ao milagre

a sensação de êxtase

e uma vontade instransponível

de subverter

qualquer anatomia

 

como se uma mensagem subliminar

houvesse

em cada batimento do coração

 

como se um mistério

houvesse

em cada brilho no olhar

 

em cada suspiro de satisfação

ou dor

 

contração

fuga

avesso

!c!h!a!m!a!

 

N  .   I  .   R  .   V  .   A   .  N  .  A

 

a liberdade na escolha

Publicado: 17/10/2009 em Sem categoria

 

nós somos Seres
 
talhados para o encontro
 
                    entre
                            tantos
 
    infelizmente
 
re+programados
 
    em nossa época vil
 
para os desencontros
                                    oxalá fossem dez encontros
 
    mescla de passividade
                                        subserviência
                                                                aceitação cíclica
 
medo da dúvida que existe na existência
 
        e a nossa resposta é
 
                                        muitas vezes
 
um desvio no olhar
                                um irresponsabilizar-se
 
                                um desacreditar-se sem motivos
 
                                                    um brilho de luz sob a água morna
 
            a dureza do muro
 
 
                                  a altura do muro
 
                         a imparcialidade do muro
 
            a covardia do muro
 
 
    mal sabem eles
                                que nós somos peixes
 
   teleguiados para o salto que existe dentro do escuro
 
                     que nesse mar de vida
 
                                nós somos a cura
 
                                           e a ferida exposta
 
a possibilidade da escolha
 
e uma grande possibilidade de alcançarmos a liberdade na escolha

 

 

JANELA SOBRE O CORPO

A   igreja diz:  O corpo é uma culpa.
              A ciência diz: O corpo é uma máquina.
              A publicidade diz: O corpo é um negócio.
        O corpo diz: Eu sou uma festa.
                                                                                (Galeano, p. 138)

sons de uma mesma orquestra

Publicado: 12/09/2009 em Sem categoria

 

o meu desafio

é uma música

que toca os corações em…

 

                    silêncio !!!!

 

fui talhado para a busca dos cem sons

mas eu só os encontro

quando não os procuro

 

eles fogem

porque me querem

 

eu os busco

porque tenho medos

de devorá-los

 

nós somos

fanfarrões

que se evitam

 

quando me embriago

ele toma minhas pernas

ouve o som dos meus ouvidos

leva-me descalço pelas ruas

e ousa dizer-me palavras intraduzíveis

 

=================

 

"A esperança existe por causa dos desesperados"

 

quando dou o salto para o escuro

é porque sei que do outro lado

brilha

majestoso

o meu sol de milênios

 

só na guerra o meu amor nasce

nós somos guerreiros de marte

e a minha angústia monstruosa

cresce

e há de transformar essa meia-volta

entre o que há dentro e o que está fora

num estandarte

 

"Abram alas pra minha bandeira

       já esta chegando a hora"

 

===================

 

O ser e a cena

o setting

o sonho

e o sonhador

são sons

de uma mesma

orquestra.

 

 ============

alquimias para a existência

Publicado: 12/09/2009 em Sem categoria

 

As formas que encontramos

e adotamos em nossas vidas

são construções incertas

localizadas entre

o que há dentro

                     ardendo

e o que está fora

                           amainando

 

a solificação dessas formas

embrutesce o ser

a maleabilidade destas substâncias

                     cósmicas

deste espírito quase etéreo

de tão líquido

é o que faz de nós

seres para o encontro

elementos para outros

alquimias

para a existência

A Coragem de Criar

Publicado: 03/08/2009 em Sem categoria

 

"… a coragem como condição essencial ao ato criativo."

"… a criatividade exige que nos coloquemos, antes de tudo, como veículos das novas visões de mundo que querem emergir do fundo de nós – coisa que mostra que outra condição básica do ato criativo é a liberdade. Pois, sem coragem e sem liberdade, o mínimo que ocorre é nos deixarmos envolver e enganar tragicamente pela angústia que teme e suprime qualquer tentativa de renovar nossos modos de vida." (May, 1975)

 

 

 

Aquele que não tem com o que comprar uma ilha
Aquele que espera a rainha de sabá na frente de um cinema
Aquele que rasga de raiva e desespero sua última camisa
Aquele que esconde um dobrão de ouro no sapato furado
Aquele que olha nos olhos duros do chantagista
Aquele que range os dentes nos carrocéis
Aquele que derrama vinho rubro na cama sórdida
Aquele que toca fogo em cartas e fotografias
Aquele que vive sentado nas docas debaixo das gaivotas
Aquele que alimenta os esquilos
Aquele que não tem um centavo
Aquele que observa
Aquele que dá socos na parede
Aquele que grita
Aquele que bebe
Aquele que não faz nada

Meu inimigo
Debruçado sobre o balcão
Na cama em cima do armário
No chão por toda parte
Agachado
Olhos fixos em mim
Meu irmão

 

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Ceiaremos juntos na sombra da existência meuirmão

A Certeza

Publicado: 14/06/2009 em Sem categoria

 

De todos as idéias elaboradas pelo cérebro humano

parece-me que aquela que mais o faz confundir-se

é a que o leva a enveredar-se pelos descaminhos da certeza

 

Na tentativa vã de encontrar uma plataforma para agarrar-se

justo esse que vive a equilibrar-se sobre o abismo

que separa o animal do constructo humano

neste mundo onde as palavras e as coisas urgem ganhar um sentido

os homens insistem em segurar-se em suas "verdades"

 

aos gritos e escandalosos

 

Presos em suas cavernas de sombras

afirmam o encontro com as "respostas"

acalenta o seu cérebro dopaminérgico tê-las

 

Nessa penumbra interminável de ignorância

cuja chama vê-se incapaz de iluminar a noite nesses crânios

os homens vão submergindo em seus vícios

em suas vaidades

regurgitando sobre o seu próprio vômito

rindo desrazoados do sorriso em seus rostos pálidos

 

Uns acreditam serem deuses

outros cientístas de mármore

outros são reis e rainhas

outros super-heróis de gesso

 

O homem perde-se nessa brincadeira de existir

e acaba sucumbindo em suas microcertezas

e numa irresponsabilidade louca

titânica

da ignorância transmutando-se em força

provocando a morte de milhões de seres humanos

 

A certeza dança irresponsável

com uma venda nos olhos

e nas profundezas da vida

o animal suplanta a razão

um sorriso bizarro surge…

e um calafrio invade nossos corpos

 

Após bilhões de anos de evolução

30 mil anos de existência simbólica

há apenas 100 anos conseguimos voar

em 50 anos dar um salto até a lua

mas permanecemos absolutamente incompetentes

para implicamo-nos com a vida

com a vida humana

com este outro que nos autoriza

com a mensagem dos grandes mestres

com o amor

 

o que resta desta pobre certeza 

 

é o inevitável

é o que sempre fomos

 

etéreos conduzidos para a morte

 

======

"Toda experiência de certeza é um fenômeno individual cego em relação ao ato cognitivo do outro"

(Maturana e Varela, 2007, p.22).
 

 

Poucas palavras… e tanto!!

Publicado: 07/06/2009 em Sem categoria

 

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…

(Senhas: Adriana Calcanhoto)

==========

 

Impressiona-me como poucas palavras podem dizer tanto.

Uma verdade tão urgente que é difícil até corrompê-la.

Não é qualquer pulha que coloca estes símbolos na boca.

Não é qualquer pecador que comunga desta hóstia consagrada.

Mais fácil é dizer:

— Eu te amo!

— Deus lhe abençoe!

— Isso é uma calúnia!

— Tenho a consciência tranquila!

 

Num mundo onde as teorias e idéias nascem vendidas, onde há um encaixotamento de toda a intenção.

Constroem-se tratados, formatam-se conteúdos, estabelecem-se metas, para preencher páginas em branco.

A palavra serve aos amoladores de facas e aos homens da cobra.

O homem-da-cobra saiu da praça e subiu até a tribuna, e deu lugar aos pastores de ovelhas.

O homem de bem desceu do caráter e transformou-se em ovelha.

Foi ser coadjuvante no filme: O Silêncio das Ovelhas!

 

A fome continua a roer dentro dos corpos vazios.

Adoecendo toda a intenção.

Há não muito tempo, quando se usava a palavra, havia uma coisa chamada: respeito a palavra.

 

Avé Adrianapaixonada pela vida.

Comungamos da mesma sinfonia aprisionada em nossos corpos de desejos que não cessam.

Também sabemos transformá-los em aves vermelhas e gaviões.

Néctar são tuas palavras em meus ouvidos.

Fundem-se em minhas moléculas e ganham uma nova e mesma configuração.

Garoa que me sublima… orvalha e refresca….

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…

(Senhas: Adriana Calcanhoto)

  

 

Se não reconhecemos nossas potencialidades

não nos organizamos para que ela aconteça

permitindo assim que a nossa energia seja sublimada

conduzindo para fora essa seiva-fonte que nunca cessa

 

A vida e a sua potência

apesar de suas ondas não cessarem nem mesmo com a morte

necessitam ser convertidas em outras vidas e formas inda no seu tempo

transubstanciando-se em zilhões de possibilidades antes do ocaso

 

Isso acontece justamente para que o organismo do ser não adoeça

e permita o fantástico encontro entre o cosmos

o milagre da vida

e o milagre da existência

 

Numa fusão mágica e titânica

onde bilhões sonharam e acreditaram nos seus sonhos ao longo de alguns milênios

construindo mil e uma razões para  a existência do universo

 

 

Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo.

Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma.

Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.

Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.

 

Herman Hesse – Esse companheiro de viagens que tive a feliz oportunidade de encontrar na biblioteca de meu pai (Demian, O Lobo da Estepe, O Jogo das Contas de Vidro, Viagem ao Oriente, Sidarta, dentre outros…) que vem nos trazer estas verdades tão óbvias que mal consiguimos enxergá-las, talvez esse seja o principal problema das verdades, são tão simples que chegamos mesmo a duvidar. Principalmente num mundo transbordante de vaidades, individualismos e especialidades, um mundo onde os homens voltaram para a sua caverna de ignorância (Platão ficaria assustado ao pensar que em 2500 anos o homem não passaria de uma sombra esquizoide), e de como é difícil para esse homem sonolento e débil praticar a humildade e a autocrítica, e por fim admitirmos que somos rasos. Distantes, tão distantes que estamos do amor.

Nave Maria (Tom Zé)

Publicado: 03/05/2009 em Sem categoria

 

 

 
quando eu cheguei das estrelas
entrei na terra por uma caverna
chamada nascer
 
e eu era uma nave
uma ávida ave maria
e como a fera que berra
entrei na atmosfera
 
e cuspida espremido petisco de visgo
forçando a passagem pela barreira
sangrando rasgando subindo a ladeira
orgasmo invertido gritei quando vi
já estava respirando
 
 
                                                                                Ave Mestre !!

O Sujeito e a sua história

Publicado: 28/04/2009 em Sem categoria

 

O sujeito vai alienando-se aos significantes

que foi construindo ao longo de sua história

 

não meu é quando escrevo

não meu é quando falo

é quando fodo

não meu é quando decido

não meu é quando sinto

é quando imploro

não meu é quando deploro

é quando exploro

quando estupro

é quando devoro

é quando rio

esse rio vazio

 

não meu é quando morro

é quando bato as botas

desse meu avô caduco

que nunca fui

 

###################################

 

Nós temos de aprender errado

para tentarmos em vão

comprendermos

que não existe

 

o correto

 

 

O homem é apenas um arbusto, o mais tênue arbusto na natureza, mas é um arbusto que pensa. Não existe nenhuma necessidade de todo o universo de se armar para aniquilá-lo: um vapor, uma gota d’água já são o suficiente para matá-lo. Se, no entanto, o universo desejasse destruí-lo, o homem seria ainda mais nobre do que a força que o mata porque ele sabe que morre, e da vantagem que o universo tem sobre ele; e disso o universo não conhece nada.

Assim, toda a nossa dignidade está em pensamento. Pelo pensamento devemos nos erguer, não por tempo e espaço que não temos condições de preencher. Vamos lutar, portanto, para pensar bem – aí reside o princípio da moralidade. Pascal (1946, p. 35) In: May (1983, p. 106-107)

Talvez seja útil observarmos que por "pensamento" ele não se refere ao intelectualismo ou à razão técnica, mas sim à autoconsciência, a razão que também conhece as razões do coração. May (1983, p.107) 

“A Descoberta do Ser”

Publicado: 20/04/2009 em Sem categoria

 

"Quando uma cultura se vê tomada por profundas convulsões em um perído de transição, é compreensível que as pessoas sofram uma convulsão espiritual e emocional; e ao perceberem que os códigos de moral estabelecidos e linhas de pensamento não mais oferecem segurança, as pessoas tendem a mergulhar no dogmatismo e no conformismo renunciando à consciência, ou são forçadas a lutar por uma autoconsciência mais elevada com o objetivo de reavivarem suas existências com nova convicção e sobre novas bases. Esta é uma das mais importantes afinidades do movimento existencial com a psicoterapia – ambas tratam de indivíduos em crise." Rollo May (1988, p. 61)

Pensar

Publicado: 19/04/2009 em Sem categoria

 

 

Pensar é um pouco triste

Mas é desta tristeza que emana

Toda a genuína alegria

 

di-me

Publicado: 19/04/2009 em Sem categoria

 

di-me tu oh! inconsciente

ho! ignoto
que nos conduziu até aqui
 
di-me tu
oh! carcaça neuronal
esfinge e enigma
ao avesso
 
tu que és antes de mim
fragmentado
di-me !!!
tu que me mandas ao Lete
tu carcaça
devoradora de crânios
porque motivos !?!?!
 
deste ao fragmentado homem
tu
carcaça que comandas
quere-me o ponto de mutação?
 

 

  

O propósito do Grande Arquiteto
Se é que de fato existe Um
E eu rogo que sim!
Mas…
… é uma idéia questionável…
 
Visto que talvez nunca tenhamos acesso a ela
A Fé talvez seja tudo que o tenhamos, por milênios…
mas ela não é pouco…
e tem uma potência titânica de mover montanhas
 
E embora todo o aparato científico
… infelizmente consumido por uma medíocre vaidade
Talvez nunca tenhamos de fato
Acesso a esse saber
 
Mas penso que não devamos nos resignar tanto
Humildade e prudência são virtudes perfeitas
A autocrítica é um manjar fundamental
 
Meu pai já me dizia
… deveras … e centenas
"Cavalo dado não se olha os dentes"
Impressiona-me como uma sentença de sete palavras
Possa ter tanto a nos dizer
Tudo pode não passar de um mero acaso
De uma singularidade
Que desembocou na vida
E o nosso propósito
Seres que atingiram a inteligência
E capazes de acumular conhecimentos
Seja…
Criarmos o nosso próprio propósito
 
Somos nós quem construímos o nosso propósito
Por nós mesmos
É só observar a história
E valorizar um pouco a memória
Vários caminhos foram construídos
Mas nenhum deles ainda nos levou a todos
Ao ponto de mutação
 
Temos o milagre da vida
Da Inteligência
E agora?
O que faremos?
Que caminhos trilharemos?
Milagres insólitos
Capazes de construirmos uma trajetória
Um caminho pelo mundo
Da vida
 
Devo afirmar !!
O nosso propósito somos nós quem construímos
Basta de terceirizarmos nossas responsabilidades
Chegamos até aqui
E muitos nem conseguem ver onde estamos
A família inteira fica diante da tela
Hipnotizada por radiação
E pela estupidez
De uns poucos sonâmbulos
Ímã oco e quadrado
Onde se plantam fezes
E elas reverberam em ondas
Por todo o planeta biodigestor
Construíram até mesmo um acelerador de partículas
Querem devorar essa terra
Querem explodir os excrementos por todo o universo
Para admitirmos ao cosmos
Que ainda somos rasos
 
Obedecermos a quem?
 
A um Deus a quem talvez nunca saibamos a complexidade
Posto que efêmeros?
 
Eu rezo todos os dias da minha vida
Pelo amor de Deus
Agradeço por mais um dia de existência
Pelo alimento
Pela saúde dos próximos e dos distantes
E que a cada dia eu tenha mais sabedoria para conquistar o meu futuro
 
Temos que admitir
Nós somos irrelevantes diante da magnitude do universo
 
Existe um Deus em nossos corações
E ele nos acompanha desde os primórdios
Desde que formos lançados no abismo da existência
 
Rasos somos nós
Pois que implicados dos pés a cabeça
Com o nosso destino
 
Mas sempre responsabilizando esse Outro
Grande irmão
Que nos ultrapassa
 
 
E se pensarmos só um pouquinho
Sobre a origem da vida
Veremos que somos improváveis
Desde o início
 
Pérolas oriundas de um grão
 
Devo afirmar que o norte somos nós mesmos
Milagres em busca de significados
Fatalidades cósmicas
Projetando-se no mundo
 
Cujos destinos e significados
Cabe a nós criar
Instituir
Fundar
 
Qual é o verdadeiro ponto de mutação?
Antes da aniquilação total do mundo
Antes que o sol nos lamba
Com sua chama?
E o acelerador nos imploda
E as bombas nos cuspam para fora da terra
 
Se a premissa de uma verdade não existir
 
Não existe um propósito definido ou definitivo para a vida
Ela é um mero acaso
…. singularidade
E cabe a nós significá-la
E há milênios já não estamos fazendo isso?
Desde o primeiro símbolo
Signo
 
Psicóticos que conquistaram um limite
O cimento de toda civilização está na Ordem
Ordem para o Caos
 
Qual é o verdadeiro ponto de mutação?
 
O nosso propósito somos nós quem construímos
 
What a main job?
Significar a vida !?
Talvez essa seja a origem do Medo
Ousar e admitir que estamos sós
Condenados a liberdade
E a responsabilidade
De decidirmos por um caminho
 
Que desafio?
E que visão é esta?
 
E que missão e esta?
E quem nos a deu?
 
Eu não me sinto tão criativo para tal?
E tu meu irmão?
Tu que me olhas de soslaio?
Com um medo estranho nos olhos…
 
E porque não?
E porque não nos sentirmos criativos e vivos
Se chegamos até aqui?
 
Milagres cósmicos
Na superfície de Gaia
 
Que vicissitudes nos trouxeram até aqui?
Elas de fato importam?
Elas tem um compromisso fundante com a minha visão de mundo?
 
… prosseguir?
Com suas implicações fantásticas
Ou parar?
ECCE HOMO
 
 
Tu tremes carcaça?
Mas eu gostaria mesmo é que gozasses
Mas não esse gozo de pulha
Esse gozo raso
Esse lamber-se
Esse sorriso de asno
Eu gostaria que pelo menos uma vez nessa vida
Ou nessas
Provasses do néctar da vida
Como se fosses um animal predestinado há uma existência única
E fatal
 
E pudesses rir
E pudesses ficar nu
E pudesses dançar nos braços de Shiva
E pudesses explodir em uma supernova
E pudesses amar
Mesmos que o teu corpo estivesse esfacelando-se em radicais livres
Mesmo que a tua vida fosse um facho de luz
 
Pudesses dizer junto comigo
Eu que sou teu irmão e que te amo
Valeu !!!
Valeu demais esse milagre
E não importa quem mo o deu
Importa que foi sincero
Que foi genuíno
Que foi amor a primeira vista
Que foi um beijo sincero com o fim
 
Que foi um agradecimento sincero a Deus
Que foi uma cumplicidade genuína com o universo
Um transubstanciar-se com o cosmos
 
Em gotas
 
                       ! c ! a ! i ! n ! d ! o ! . ! . ! .
 
                                   ! !   !   !   !   ! !   !   ! ! ! !   ! !   !   !   ! !    !   !   ! ! !
 
                                               : t : o : c : a : n : d : o : – : s : e :
 
Uma sinfonia cósmica
 
                                                                       transformando-se na mais pura
 
… luz