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O Ser e o Nada

Publicado: 04/11/2023 em Sem categoria

Esse pedacinho ínfimo de tempo

Que dispomos

talvez seja a única coisa real

diferença

Distância

ou repetição

entre o ser e o nada

Imaginar que alguém possa

não gozar

instantes

nesses pedacinhos de presença

Não existindo

dá-me calafrios

Subservindo ideologias ocas

e não a uma visão de mundo

única

grande pena

           “existirmos

        a que será que se destina”

sem existência

autocondução

encontros

desencontros

evolução

revolução

meio

entre

Caosmose

TUDO

parece

vazio

        oco

       por dentro

quanto menos o indivíduo realiza as suas possibilidades existenciais

mais a irremediável finitude vai transmutando-se em ameaça

perigo

medo

      consequente sofrimento.

Por isso é inegável a necessidade de existirmos, pois tudo o que permanece é a mudança!

Não só é preciso, mas necessário, que cada ser humano ignicie a sua Supernova!

         navegar é preciso!!

       Aconteça o seu Big Bang!!!!

Oxalá cada singular existência

possa ser oportunizada

E oportunizar-se

construir

ouvir

          Ser

sua própria voz

há uma rosa no meu peito

Publicado: 02/11/2010 em Sem categoria

 

tenho um apresso incompreensível por essa fatalidade que é a vida

impossível suprimí-la do meu projeto

pesar de sentir-me pequeno ante o desafio de exortá-la

fazer-lhe a necessária e urgente apologia

valorizá-la perante um mundo gigantesco e titânico de mecanismos

fomentadores da permanência das ilusões

da passividade

 

um medo de que esse absurdo que é a vida

e a existência humana dentro da vida

sucumba

permaneça subjugada e alienada

ante a ignorância

titânica

que rege os nossos dias atuais

 

o meu para-sí não cansa

nem me acobarda

preciso sempre

organizar-me ante as premissas

este projeto não me solta

não me larga

não me dá outras alternativas

 

a vida assalta-me a cada novo segundo

e sempre que a nego

ela só ri

me cospe na cara

meu beija

me empurra

me lambe

me goza

 

meu projeto é um enigma urgente

decífra-me

ou devoro-te

 

o mesmo e singular

enígma

que há 5 milanos

animava os contemporâneos do nilo

esse rio-veia de gáia

mistério que 5 mil anos no futuro

traduzirá o átomo

 

e sigo assim

                     ….. cambaleando

segurando os meus pedaços

                                             …. que vão despencando dos ossos

fragmentos decompondo-se dos dedos das pernas das mãos dos braços

querem reunir-se uma vez mais a terra

como se o meu tempo fosse sempre

passagem urgente e inevitável

ephemeridade

 

sigo

aos trancos

mas não vou como a alice

escolhendo qualquer caminho

 

eu sigo uma coordenada

um presságio

um norte

uma idéia milenar

intuitivo desde o princípio

prestes a alcançar o umbral

sempre

prestes

 

vou no rumo de um propósito

constructo humano

demasiado humano

idéia passageira

singular

de que nossas vidas

são missões irrecusáveis

 

carrego em meu peito

uma rosa 

e um cruz pertinaz segue os meus passos

obstinada e furiosa

anseia destronar

minha própria sombra

 

 

 

eu quero estudar as almas
sangrar os corpos
singrar as carnes
fritar a bile
aspirar os cheiros
que evaporam
das almas das ninfas
encapsular lagartos
e aguardar os   v ^ o ^ o ^ s
destas lindas
borboletas
de maio
 
eu quero sugar
os fótons
e cuspir as sementes
nos ventres
mais lindos
que já nasceram
da terra
 
eu quero estes homens
eu quero estas mulheres
nús nos palcos
da vida
festejando a sinfonia
quântica
da existência
 
que germina
que emana
nos subterraneos da terra
eu quero uma festa multicolorida
ao som de batuques tribais
onde
        animais
                    flores
                            crianças
                                        homens
                                                    essencias
  ^         ^        ^                                              grãos
d | a |  n | c | e |  m                                                  mosaicos
       v         v
 
com olhares brilhantes
na garoa de   ! S ! H ! i ! V ! A !
sob o brilho das estrelas
 
leves como plumas
dentes de leão
boiando das  o ~ n ~ d ~ a ~ s        e ~ s ~ p ~ a ~ ç ~ o ~ s
                                          d ~ o ~ s  
 
nascendo
               na gota quanticatlântica da .  
 
                                                      ! T ! E ^ R ! R ! A !

                                                              v v

                                                            v  v  v
                                                          v  v  v  v 
                                                            v  v  v
                                                              v v
                                                               v
                                                               .
                                                               .
 

a superfície das coisas

Publicado: 01/09/2010 em Sem categoria

impressiona-me deveras

a forma como as pessoas ficam

~b~o~i~a~n~d~o~

sobre a superfície das coisas

Infelizmente a ética de nossos dias vaga num nível baixíssimo, mundo vasto mundo… mas não se pode afirmar que em algum momento a ética foi melhor do que é hoje. Somos operários em construção nesse Baixio das Bestas (http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/05/09/295681173.asp – uma viagem pela miséria humana). A vida humana perde o seu valor a cada geração nessa sociedade de “espertos ao contrário”, de individualistas, de materialidade desenfreada, onde a única coisa que tem valor é a imagem, e a única coisa que move é o gozo, a qualquer preço.
Sisteminha medíocre e tenaz esse tal de capitalismo, fruto mais-que-perfeito do Grande Leviatã. E por trás da imagem / estética, nos deparamos com um vazio de propósito e de existência, e com uma fria caricatura do que um dia convencionamos serem características da espécie humana. Estamos mais próximos dos homúnculos do que dos homens, e os seres humanos raras vezes aparecem por aqui, para dar o ar da sua graça, para felicitar Gáia pela sua ininterrupta viagem para dentro da escuridão do universo.
Somos peixes num mar de tubarões. Bois num rio de piranhas. Corpos expostos num lamaçal de sanguessugas. Somos cobaias num laboratório conduzido por feras não-reflexivas.
Mas não acho que devamos baixar nossas cabeças, muito pelo contrário, foi justamente esse abaixar de cabeças e de calças que nos trouxe até aqui. Precisamos resgatar e abrir espaços para que as consciências reflexivas tenham mais desejos por este mundo do que estes parasitas não-reflexivos que o infestaram, do que estas ansias sem dono, cães-sem-dono, do que estas mulas sem cabeça.
Continuo afirmando que as coisas mais importantes nesse mundo não se compram com dinheiro. O amor de um filho, de um pai, a coragem, o cuidado de uma mãe, a dignidade, o caráter, o respeito de uma mulher, a confiança de um grupo, são constructos humanos que o dinheiro não pode comprar, que todos nós queremos, mas já nem sabemos como conquistá-los, pois somos ensinados dia e noite que tudo nesse mundo se compra com dinheiro. E nada importa mais do que o vil metal, do que gozo dos corpos, nada mais importa do que as programações, do que a passividade e o gozo a qualquer preço.
A grande mentira de que a imagem é tudo disseminou-se como erva daninha nesse mundo raso, a Caverna de Platão enfim alcançou o seu tempo. Constroem-se barrigas, corpos, sorrisos, impérios, vaginas, honoráveis bandidos, joelhos, rostos, culatras, políticos corruptos, celebridades, nas fábricas pútridas e fúnebres do capital.
Mas não devemos radicalizar, é preciso que reaprendamos a ler as entrelinhas do que está acontecendo em nosso mundo. Carregados a 300 kilometros por hora, o homem parou de pensar, já não consegue mais digerir o alimento da informação, e deixou sua vida para ser pensada pelos marketeiros de plantão, legisladores de plantão, políticos de plantão, juízes de plantão, pelas putas de plantão, pelos covardes de plantão. Deixou sua vida para ser pensada pelos personagens de tv´s, oráculos da modernidade, e pelos digníssimos apresentadores de plantão. O homúnculo deixou sua vida… deixou… transformou-se em matéria inerte, sem amor, sem desejos, sem esperança, sem coragem, sem sentido, sem rumo, sem siginficado, sem propósito.
O constructo que mais me repugna no constructo humano é a covardia, fruto do medo irracional, primitivo, é montado em cima desta covardia que os corruptores “sobem em suas montanhas para tentar enganar todo o mundo”. Ave Jodorowsky, in Holy Mountain!!
A.L.M.

a força da vida é o amor

Publicado: 07/08/2010 em Sem categoria

 

 

Um homem completo possui a força do pensamento, a força da vontade e a força do coração. A força do pensamento é a luz do conhecimento; a força da vontade é a energia do caráter; a força do coração é o amor.

 

Ludwig Feuerbach

 

nossos cérebros precisam ser retreinados para a digestão do conhecimento

um século de des-signifacação precisa ser retomado

a ciência está ai fazendo um des-serviço a humanidade

serve ao lassez faire

que está por ai mostrando a que veio

uma grande mentira

não existe o ser humano sem caráter, sem respeito, sem coragem, sem amor, sem dignidade, sem criatividade

sem isso o homem não passa de uma besta, um objeto alimentado e ali-matado pelo grande leviatã

a ausência de propósito desse sistema corrompeu o conhecimento

corrompeu o método

as pessoas, as família, as comunidades, não constroem mais um propósito comunal

sem um propósito cujo amor seja o cerne, reina os sem-sentido, e o homem não passa do animal mais feroz e traiçoeiro que já pousou sobre a terra, incapaz de ser adestrado

bestas do após-calypso

a função do grande leviatã e retirar o nosso sentido

e alimentar os objetos com o gozo

dopamina, cocaina, adrenalina, putaria

estimulando o sistema dopaminérgico dos meio-homens-meio-ratos-meio-homem-meio-assassinos

esse é o propósito desse homem-rato-homem-pulha-homem-sem-gravidade-boçal

gozar…. a qualquer preço…. sem saber praonde nem porque…

sem preocupações, sem sentido, sem nada, oco de pau olhando sabe-se-lá para onde

um gozo sem sentido, sem pé, nem cabeça, mula-sem-cabeça

um gozo de fezes apodrecidas e neurônicos amolecidos

os sinais da tempestade estão ai enquanto os aveztruzes escondem suas cabeças nos buracos

como se fossem germinar a terra com a ignorância dos seus olhos

como se a tempestade fosse parar ou passar sem devastar

como se o trem a 500 kilometros por hora da história fosse parar ante a imbecilidade humana

as bestas estão saindo dos seus buracos, dos seus ocos, dos seus covis, da sua biodigestão

os vampiros-ratos-avestruzes estão saindo dos seus submundos obscuros

as b6st6s começam a mostrar suas caras e barrigas recortadas por bisturis de gelo

e suas tocas fétidas estão exalando seu cheiro por toda a humanidade

querem foder com todo o universo

será por isso é que ambicionam descobrir a chave do big-bang??

putz!!!

já não adianta mais ter medo

o super-homem precisa acontecer antes que estes lacaios de satã fodam nossos filhos, estuprem nossas mulheres

mutilem nossos corpos

mijem e caquem em nossos jardins antes mesmo de roubarem a nossa voz

o medo já não é mais solução

a ignorância já não é mais uma saída

o constructo humano precisa ser redescoberto

reinventado

antes que os não-reflexivos venham cobrar o preço inevitável da nossa inércia

nossas mentes precisam dar o próximo passo para a evolução

tomar as rédeas desse sistema conduzido por homúnculos e fazer com que toda a construção humana brinde a vida

precisamos dizer não a essa meia dúzia de escrotos que governam esse teatro de marionetes

marias-vão-com-as-outras

as bestas precisam ser reconduzidas aos seus berços, resgatadas para um sentido

um propósito humano

os objetos precisam resgatar a sua dignidade

antes que a barbárie aconteça, aliás, a barbárie já está ai

arrancando nossas cabeças

esfolando nossa carne

cortando nossos ossos

e jogando nossos restos no porão

o sangue da vida precisar ser rebombeado para dentro desses corações de plástico

os animais precisam esconder as suas fezes

precisam ser reconduzidos para um sentido

antes que o trem-bala conduzido por satã

aniquile a bela e ephemera história humana

A.L.M.

orelhas se entre-olham

Publicado: 19/06/2010 em Sem categoria

 

 

 
orelhas se entre-olham

                                            [olhos vesgos roçam a beirada do abismo]
 
{o [s§e§r] que é ser}
 
                                            [desvio no olhar ante as premissas]
 
procurando um abrigo
                                            [audição nua absorvida pelo medo de assaltar a idéia]
 
de neur{ô}nios entre
                                            [calafrios que encontram causas primeiras]
 
ôh {s§e§r} q é ser
 
                                            [razão última da grande explosão]
 
e a pluma
 
                                            [razão primeira de preparar-se para o salto]

vislumbrando o enigma

bastão de nêutrons

Publicado: 03/06/2010 em Sem categoria

 

  

consumir-se feito uma nebulosa

consubstanciar-se com a vida

                                            : : :

                                          :  :  :

           caindo em  ! g : ! o ! t ! a ! s !

 

   na foz imorredoura do rio

um bastão de nêutrons em combustão perpétua

vibrando suas cordas

sofrendo a fisão efêmera

até o jazigo da inexistência

                  nada

                paz

           cova  úmida

                      \./

                nicho

          gestação cíclica

eterno retorno

fornalha-fênix-vida

 

morrer a cada    -M-[s]-I-[e]-N-[g]-U-[u]-T-[n]-O-[d]-o-

para alim(e[a]n)tar a vida 

viver a cada milisegundo para

    abraçar & beijar & beber & fumar & foder &

    torcer & digerir & sugar & acreditar

 a morte

               ecce homo

                                 fatto

 

 

 

 
quando meu pai me disse certa vez
 
  
                          com firmeza na voz e no olhar
 
 
                 — Você tem toda a liberdade para me questionar!!
 
 
            Ele
 
 
 
                  o grande legislador dos meus limites
 
                    Zeus do meu monte olimpo
 
                    humano demasiado humano
 
 
                           talvez ignorasse
 
 
que o que eu escutava era:
 
 
 
         — o universo pode e deve ser questionado pela existência.

criar é a nossa habilidade

Publicado: 02/04/2010 em Sem categoria

 

quem me garante

que não somos nós

que criamos as nossas próprias mentiras

aliás

quem me garante

que não somos nós

que inventamos

as nossas próprias

VERDADES

há milênios

desde a primeira

PALARVRA

e mais

quem me garante que inventar

CRIAR

não é a nossa maior

habilidade…

 

 

As vezes as pessoas se esforçam para dizer de forma complicada, idéias simples.
 
Segundo Galeano, A linguagem hermética nem sempre é o preço inevitável da profundidade. Em alguns casos pode estar simplesmente escondendo uma incapacidade de comunicação, elevando-a à categoria de virtude intelectual. Suspeito que o fastio serve, dessa forma, para bendizer a ordem estabelecida: confirma que o conhecimento é um privilégio das elites.
 
Dentre as inúmeras opções disponíveis para o constructo humano, três caminhos são elementares, são os que levam o ser-humano a optar ou pelo  individualismo, ou pelo privilégio de uma minoria, ou por toda a comunidade humana (humanidade), quiçá por cada ser vivo. Ao decidir-se por um desses caminhos o sujeito está definindo o seu futuro, a sua ética, a sua ação e participação no mundo.
 
Num sistema onde predomina a acumulação de capital, o individualismo e a manutenção dos privilégios de uma minoria são as opções mais escolhidas. Talvez por isso esse sistema receba a alcunha de Grande Leviatã, pois ao decidir-se por esses caminhos, é como se o sujeito vende-se a alma ao diabo/sistema.
 
Ao pensarmos as grandes mazelas de nossa sociedade, e do mundo, não fica difícil reconhecermos que na grande maioria delas a raiz é nutrida em função dessas escolhas. Quando o sujeito escolhe somente a si mesmo, ou a uma minoria, essa escolha acaba por reverberar pelo mundo inteiro.
 
As consciencias dos sujeitos, que lhes permitem fazer suas escolhas, segundo Sartre, trabalham de duas formas. Consciências não-reflexivas, e consciências reflexivas, e segundo ele, a grande maioria dos seres humanos, infelizmente, vive sob a égide de consciências não-reflexivas. Não refletindo sobre suas ações, os seres humanos de consciencias não-reflexivas acabam não compreendendo os efeitos que eles provocam no mundo.
 
Talvez por isso as pessoas ignorem tanto as raízes das mazelas humanas, afinal de contas, suas consciências não trabalham para que a compreendam. Aceitam de bom grado qualquer coisa que lhe dão, se isso compensar o circuito dopaminérgico, o mecanismo cerebral que permite que as pessoas tenham motivações para alimentar-se, reproduzir-se, saciar a sede, etc. pois esse circuito compensa o organismo dos animais com sensações prazerosas.
 
Felizmente, consciências não-reflexivas, possuem características muito diferentes de raízes tortas, pois ao contrário da raiz, há uma qualidade no cérebro humano chamada neuro-plásticidade, funcionalidade esta que permite ao conhecimento encontrar novos caminhos, através da reconecção de neurônios, ininterruptamente.
 
É baseado nessa plásticidade que a psicologia trabalha, pois ela não faz juízo de valor, e entende, que diferente de uma árvore torta, cada ser humano possui dentro de si uma chave para libertar a si mesmo. Cada ser humano possui mecanismos internos que lhe capacitam a enfrentar seus próprios demônios.
 
A psicologia existencial se propõe a ser um conhecimento, e uma ferramenta, capaz de fazer a borboleta que existe dentro de cada um de nós ganhar asas, como diria Rubem Alves, ou deixar o nosso pássaro azul voar, ave Bucowski.
 
Gaia necessita urgentemente que seus organismos "mais evoluidos", busquem cada vez mais a consciência reflexiva, para que continuemos louvando o milagre da vida e da existência humana, em nossa trajetória ao redor de Aton (disco solar = sol), vagando e buscando sempre mais e mais ampliar nossos universos, para dentro da escuridão do cosmos, em busca de nós mesmos.
 
 
Saudações,
 
 
Andrey Mozzer

 

 

"Odeio os que me roubam da solidão

       sem em troca oferecerem verdadeira companhia."

 

"Cuidado, pois ao livrar-se de seu demônio,

          poderá perder o melhor que há dentro de você."

 

"O homem é uma corda estendida sobre o abismo,

 

    de um lado

 

                                                         o animal,

                       do outro…

 

                                                   o super-homem."

 

Ave Nietzsche!!!

 

 

perde muito nessa vida
aquele a quem não foi dada a oportunidade
de mergulhar nas profundezas de um bom poema
             transubstanciar-se em puro sentimento
                          fazer o melhor do amor com ele
 
talvez perca o melhor
                           esse milagre único
singularidade
                           momento útero
que a vida nos dá
                               doa
para que nos transbordemos de desejos
carpe diem
seiva da vida
                          riso preso na garganta e que não se aguenta ali
 
foge assustado o incauto acordado a pouco
da possibilidade de fazer-se a si mesmo
                                        I N C R Í V E L
foge o danado                                                      do                para si
volta-se para o sono
esse que rouba as almas dos artistas
                                    e das ninfas pétalas doces de mel
 
nós temos na vida
                            esse néctar
o que há de melhor em todo o universo
 
          mas obesos
                    mas brutos
                                 cegos
                                              e certos
                                                       
desviamos novamente o olhar
 
rilke!! meu mestre…
o que será que falta nessas pérolas
será que não bastou o grão que pousou ali para ser
                                    germina(n)do
o que faltou na subida ao monte
para que na derradeira hora
brotasse o desejo de mais uma vez
olhar para o que não foi pouco no vale da terra 
e vislubrar o quanto há de belo
                                magnífico
                       em cada segundo partido
 
oh!! hóstia consagrada
                 o que será que perdes no teu olhar em cada segundo em que te decantas
cada milésimo em que evaporas
não percas o teu derradeiro segundo
              evola-te em curvas dentro do espaço
em espiral faiscante para dentro do si mesmo
               que não há nada mais belo
          que não há nada mais fantástico e incerto do que as tuas multipossibilidiversidades
ah!! esse animal em busca de si mesmo
                                  é o mais poderoso dos titãs que mordem o universo
                                  é desse homem que os brutos fogem
                                  é dessa máquina fantástica que os parasitas se escondem e debocham um sorriso de analgésicos
                     é por isso que estes homúnculos não dormem e cheiram pó até o tampo do c(é)u
                     inventando venenos para aniquilar-nos
                     é por isso que a inteligentzia não cessa por desmoralizar-nos
                                       e inventam subterfúgios para aprisionar nossas potencialidades
                     estuprando-nos espancando-nus maldizendo-los roubando-pus assassinando-tus desmoralizando-vos massacrando-cus
 
        tudo!!
                    para não deixar que o titã acorde do seu sono de princesa… nessa inércia laboratorial
                                    e fique ali
                                             a só rir
                                                     só no lento
                                                             bobo da corte
                                                                        plebe ignárea
                                                                                 hipnotizados por facas amoladas
                                                                                             e telas fosforescentes
 
voltem meus irmãos
                                não desviem-se do caminho que leva ao norte dos homens
não percam um tempo que é mais-do-que precioso
                                           amarrado a estas ilusões que estancam a urgência da paixão humana
             
que muito pouco tempo temos para viver dessa impossibilidade incrível
           absolutamente improvável
                  desde o primeiro choro
                              desde o primeiro brilho de luz rasgando a retina
                 desde o primeiro agarrar-se com os dedos
                                              desde o primeiro sugar de seiva e aconchego no colo do calor
                                                        desde o primeiro contato com a chama-aton que nunca cessa
                                                                e ilumina a água da vida
 
nós somos uma conquista do universo
mas sónóslentos e sonamburros permanecemos crianças
                                                  gigantes dançando ao toque destes espertos que nadam no seu avesso
                                                          e ingestam a sua própria carne paralítico-parasitária
 
adultos ainda crianças
                           velhos inda crianças
               meninas mulheres mães e borboletas de maio
                                          conectadas a deusa
                          mas ainda crianças nuas e envergonhadas
                                                distantes da fonte-força capaz de entortar o rumo a história
 
como se a decisão não fosse possível
tão longe estamos da convicção na autocondução de nossos destinos
inda em botão crescemos na umidade do chão
                    gestantes e gerantes
            inda assim
                            não há mais tantas desculpas para
                                                                                       sermos tão irresponsáveis
 
nascidos do chão
                            levantados no tempo
                                                          homo-sapiens-erectus-projetos-para-si
                                                                                                        arrancados da seiva da vida
poeira cósmica ajuntada na alquimia da paixões
                              não!!
já não há mais tantas desculpas para esse irritante desvio no olhar
não há tantos subterfúgios para sustentar essa
                                grande mentira de que não tomamos decisões transformadoras
          falácia de um falastrão
                              inteligencia de um bobo que não vê o reflexo da própria ação
                 a pior das invenções humanas é a certeza
                               ela é o combustível da vaidade
                                    
          vaidade…     constructo vil
                                                          que reside primorosa
                                                                  boiado no suco da matrix (ideologias)
o mais perigoso dos constructos
                                                                              a vaidade humana cega o entendimento
 
imperdoáveis 
                    se não respeitarem a vida
imperdoáveis
                      se não implicarem-se com o milagre
imperdoáveis
                         enquanto não se atreverem a dar o salto por sobre o abismo
                                                         ou mesmo…
                                                                            construir a ponte
pela simples falta de coragem
                  digamos não ao discurso de que somos cegos no castelo
coragem… essa sentimento que não se compra em vitrines… ou casas de show
e que o humano tem dentro de si
                                                               borbulhando no crisol mágico da vida
imperdoáveis
se não tiverem coragem para assumirem-se a si mesmos
não há desculpas
 
o homem que está no caminho…  entre
           tem de ser uma promessa rezada todos os dias
                             a cada passo
               a cada nota tocada pelo coração
                        nesse meio…  entre
           eu e tu
                  tu e outro
                      unidos aqui e agora
através da ferramenta da palarva
             simples
não me faltou coragem para prosseguir
                         num caminho onde não existem certezas
                                 essa constructo rasteiro ainda não aprisiona
                                            certezas…
                                                           … germe roedor de tantos medos
 
será que a palavra foi dita com a sintonia capaz de aprisionar o olhar
qual a próxima mensagem
qual a derradeira linha
qual o fim do encontro
 
               deste
                          que até aqui
                                              só me desejou
 
existência
 
abre os olhos ninfa

 

 

 

que o maio dos homens vos aguarda desde o princípio
 
abre os olhos

abre os olhos irmão
abre os olhos mulher
abre os olhos borboleta

tú que és o mais temido dos titãs
é chegada a hora de aprendermos a aprender
assim como criança tem de aprender a andar
o homem precisa aprender a encontrar a si mesmo
tirar de dentro de si o que ele é
 
                                                    uma ponte entre o ser e o nada
                                                             entre a luz da vida e o abismo do propósito
 
A.L.M.
 

 

abre os olhos irmão
abre os olhos mulher
abre os olhos borboleta

 

 

 

O sol é dominante, como uma tocha lá no alto

Os jatos cruzam ao seu lado

E os foguetes saltam feito sapos

A paz não é mais preciosa

A loucura circula como lírios em volta da lagoa

Os artistas pintam suas cores: vermelhas, verdes. Amarelas

Os poetas rimam sua solidão

Os músicos morrem de fome

Os escritores erram o alvo

Mas não os pelicanos. Não as gaivotas

Os pelicanos mergulham

Sobem, arrepiados quase mortos.

Com peixes radioativos em seus bicos

O céu se acende de vermelho

As flores desabrocham como sempre

Mas cobertas de uma fina poeira de combustível e cogumelos

Cogumelos envenenados

E em milhões de alcovas, os amantes se entrelaçam.

Perdidos e doentes como a paz

Não podemos acordar?

Não…

Temos de continuar, amigos.

A morrer enquanto dormimos

 

 

Bukowski

Saindo da Matrix

Publicado: 27/01/2010 em Sem categoria

 

 

Quando Buda alcançou a liberdade espiritual (nirvana), estado de iluminação (luz), exclamou:

 

              "Apanhei-te arquiteto, nunca mais tornarás a construir-me" Sidarta Gautama

 

Ele referia-se ao ego, criador da falsa realidade em que vivemos.

 

Texto extraido do site: http://www.vivendonamatrix.com/analisesmatrix.html

Avesso

Publicado: 26/12/2009 em Sem categoria

 

 

 
Se me submeto a tudo
Se não avalio as coisas
Sou uma coisa…
Concreta!!!
Podem me vender nas vitrines
Qual objeto inanimado
Limpo e lindo
A qualquer um
 
Mas….
Se não me submeto
Se cogito
Se contesto
Se grito!!
 
Sou um nada
E no universo misterioso desse nada
Me reinvento
Me arremesso
Sou tudo o que o Nada é possível
Sou um passo a frente da “coisa”
Um ser humano em processo
Um projeto da minha angústia
Da minha existência
Meu sonho
Da minha alegria
Meu amor
Do meu futuro
 
São meus
Os meus versos
Ver – a – sós
Os meus gestos
Os meus gritos
E não vendo
Dou
De presente
Aos que me dizem:
SIM!!!!
 
Aos que me querem
E mesmo
Aos que só sabem dizer não
Aos que nasceram com cara de abortados… AVE CAZUZA!!
 
Assim!!!
Ser humano
Sem início nem final
Um ininterrupto vir-a-ser
Cascata jorrando da fonte
Rio correndo prao mar
Longe de ser “coisa”
Objeto pra o gozo do Leviatã
Bato na porta dos surdos
E dos que ainda não sabem
Enxergar os sons da existência
E da liberdade dentro dela
SIM!!!
A mim mesmo
SIM!!!
Aos meus
SIM!!!
A todos vocês
SIM!!!
A todos os que têm fome
 
E um SIM misterioso
A todos aqueles que só querem permanecer
Coisas
Usufruto
Objetos
 
Produtos na vitrine
Num mundo de aparências
Mentiras
Simulacros
Simulações
Avesso
SIM!!!!
 
 
 

 

 

 

eu gostaria de dizer uns versos mansos
enquanto o dragão feroz devora minha língua
e o tempo consome a meu templo
irmão do núcleo do sol eu sou
viro-me
e …      l . e . . n . . . t . . . . a . . . . . m . . . . . . e . . . . . . . . n . . . . . . . . . . t . . . . . . . . . . . .       e
vejo
um rastro
de fragmentos bóiando no espaço
por onde pasto
despedaço-me e despeço-me
sempre
gozando antes da hora da partida
de forma que urge um grito desesperado
e talvez para isso sirvam-me estas palavras
estes rudimentos de linguagem
símbolos
incapazes de dizer tudo o que sinto
a vida é o grande enigma
enquanto muitos cegos
só querem saber da esfinge
e por isso a ignoram
submersa dentro do templo
esquecem
o milagre improvável
que somos
e ínfimos os seus cantores
a cada dia encontro meu canto
noutros
me perco
para encontrar de novo
o mesmo canto que morrera mim
e vive nessoutros inda
em botão
inda
no avesso deles
renascidos
ânsia outrora minha
e agora ignorada
e descubro que não sou eu o outro
mas o outro é meu
palavras são inúteis para dizer disso
símbolos são inúteis para conceber isso
ouvir o batimento do coração
talvez seja
a única linguagem capaz
de explicar um pouco
as razões que permitiram
e ainda permitem
a existência
desse enigma
vida
implicada
evaporando-se
preservando-se
consubstanciando-se

 

cúmplices

Publicado: 08/11/2009 em Sem categoria

 

 

Aqui não há mais cúmplices do que tu e eu

tu por opressor

e eu por libertador

merecemos a morte.

                                         Túpac Amaru

Per / Verso

Publicado: 07/11/2009 em Sem categoria

 

pessoas boiando no avesso

 

                              fugindo de si mesmas

 

com medos

 

                             despidas de coragem para enfrentar suas verdades

 

cabe ao poeta apreender o ser

                                   quando ele emerge entre os sorrisos

ouvir-lhes o desejo

                                         e provocar

 

o doce que subjaz no espanto

 

somos cicerones do reverso

                                 construimos pontes

para o si-mesmo

 

 

equilibristas

                                      ditirambos

 

e quando as máscaras ficam distraídas

podemos tocar-lhes os corpos

                                                    nús, leves e perfeitos

                            divinas criações de Deus

 

dentes-de-leão

                                flutuando no espaço

 

um passe

um sopro luminoso

                                    um suspiro de gozo

um olhar indefeso

                                              um anseio por libertar-se

                         destas correntes que não são prisões sinceras

 

eis o mistério

                                   ecce homo… fato

a poesia

                        e o fenômeno

 

desconstruindo o avesso do encontro

reconstruindo o real

                                              verdadeiro

conjunção

 

                                        autêntico

 

EU e TU

 

mais-do-que-perfeito

 

Per  /  Verso