Pedagogia da Utopia

Publicado: 24/11/2025 em Uncategorized

Quando se sonha tão grande,
o mundo desaprende suas certezas
e volta para a sala de aula primordial,
onde tudo ainda pode nascer.

O sonho, esse mestre indomável,
recusa a disciplina do possível
e amplia a moldura do que existe.
Ensina o real
a caminhar com passos que não tem,
a falar línguas que nunca ouviu,
a desejar o que nunca ousou tocar.

Toda história começa assim:
um olhar que não obedece,
uma teimosia que abre fendas,
uma mão que insiste em desenhar pontes
onde só havia muros.
Os guardiões do presente chamam isso de delírio
mas o delírio é só a primeira forma da liberdade.

Sonhar é insurgir-se contra o dado,
é desafiar a gravidade do agora,
é dizer:
“o mundo é maior do que o mundo.”
E o mundo, espantado, aprende.

Mas há sonhos que acorrentam.
Há os que diminuem,
os que se fecham como punhos.
Sonhar grande é sonhar para muitos
é estender a mesa,
é acender uma chama que aquece além do próprio corpo.
O sonho ético é o que reparte:
é o pão, não a faca.

Os antigos sabiam:
o sonho é arquitetura.
É projeto de futuro
em terreno ainda bruto.
Ele não espera licença
risca sua linha no ar
e a realidade, depois, corre atrás
para não perder o desenho.

E há ainda os que sonham
com uma paciência feroz,
uma persistência que não grita,
mas que nunca recua.
Sonhadores assim dobram impérios
com o peso suave da presença.
Mostram, vivendo,
que o impossível não morreu.

Mas cuidado:
o mundo tenta domesticar o sonho,
vesti-lo de razoável,
ditar-lhe um salário,
convertê-lo em mercadoria.
É preciso vigília:
proteger a chama do vento,
sem jamais escondê-la da noite.

No fim, sonhar grande
é aceitar a mais antiga responsabilidade humana:
não receber o mundo como fado,
mas recriá-lo como obra.
É caminhar com a ousadia dos que sabem
que a realidade não manda,
ela negocia.

E quando o sonho cresce como fraternidade,
quando se faz maior que o desejo de um só,
então ele não apenas ensina a realidade:
ele a purifica.
Ele a devolve ao seu princípio,
onde tudo ainda é possível
e o humano ainda é vasto.

Porque o sonho, quando é digno,
não muda apenas o mundo.
Ele muda a própria condição de existir.

E a realidade,
curvada diante dessa lição,
aprende a ser mais do que foi…

“Quando se sonha tão grande a realidade aprende.”

Deixe um comentário