Pai,
me ajuda a olhar.
Com os olhos, eu achei que vi.
Com o pensamento, acreditei ter encontrado.
Mas o amor me revelou o segredo:
nada precisa ser achado —
porque tudo já é.
O coração, quando silencia,
enxerga o invisível.
As moléculas dançam,
vibram o mesmo nome:
vida.
Onde o amor finca morada,
a dor é semente e a perda é orvalho.
Cada lágrima é mar em miniatura,
querendo voltar pra casa.
E a gota, ao se deixar cair,
não morre —
ela recorda.
Recorda o que sempre foi:
o próprio mar.