A substância que respira

Publicado: 22/08/2025 em Uncategorized

Sem amor, eu nada seria — disse-nos Paulo
uma onda que atravessa desertos e galáxias
e pousa em mim como pássaro noturno.
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Entre um Ser e Outro, há um espaço onde o Cosmos se esconde
e nesse interim somos mais que carne:
somos a luz que reconhece e entrelaça a escuridão.
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Educar é acender, é alfabetizar-se no olho do outro
a palavra que só pode ser lida com o coração
Ave Lancellotti!
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Somos a forma que o universo criou para se enxergar
no espelho da própria vertigem, ave Sagan
existe uma coisa irredutível, um núcleo de fogo
um sopro sem tradução, do qual fomos moldados.
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Não somos a ponta do cachimbo, não somos a fumaça
somos a paz: somos a brisa
a umidade que anuncia o amanhecer nas frestas da noite.
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E Rumi ri-se de nós, quando insiste:
“Pare de ser tão pequeno, tu és o universo em êxtase!”
E eu tremo. Porque no instante em que me dobro sobre mim
feito o buraco negro que engole as estrelas
do outro lado jorra um novo universo
um cosmos de tetas que alimentam
coração que expande a vida
substância que respira o silêncio.
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E então eu compreendo: sou pólen, sou seiva
sou palavra encarnada que arde
ferida que cura
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Sou o próprio poema-enigma, escrito antes de mim
e só agora neste momento flagrante, me leio.
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Qualia!

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