O Véu do Sem Fim – para Elis, meu Sol Lindo!

Publicado: 19/03/2025 em Uncategorized

No ventre do cosmos,
pulsa um segredo.
Um fogo invisível que dança e devora
entre os lábios do tempo e do medo.
O amor cintila, estilhaça, reluz, aflora.

Somos poeira que sonha as estrelas,
um eco de luz na curva do tempo,
matéria e espírito que se entrelaçam
na trama sutil do eterno momento.

E quando nos vemos dentro do abismo,
somos também o olhar que nos vê,
a chave e o enigma
de um outro enigma
que insiste em arder.

O real se dissolve no que ainda não é,
sombras que a mente projeta e refaz.
Nada existe fora da consciência,
nada há que não possamos sonhar.

O mundo nos fita em seu vasto espelho,
e nele dançamos sem perceber.
Loucos, ouvimos a música oculta,
enquanto os olhos, surdos,
se negam a ver.

O amor que move o sol e as estrelas
toca também cada ser singular.
O divino em nós encontra seu templo
no instante que ousamos nos entregar.

“Conhece-te a ti mesmo”, diz o sussurro,
e um universo em êxtase se abre em ti.
A autoconsciência, maioridade…
pequena e frágil centelha…
c!h!a!m!a!

Não busques fora o que germina dentro.
Não temas a noite que vem te regar.
Decifra-me, errante, ou serei tua fome,
o eco sem rosto a te devorar.

Pois tudo flui num círculo ardente,
da densa matéria ao véu do sem fim.
De um ser a outro fulgura a centelha:
o pão celestial do que nunca tem fim.

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