Esse bicho preso nas entranhas
Somos nós.
Esse riso de vísceras,
Desejo de arranhar a carne… pra sair,
Ou penetrar a carne… pra entrar
E respirar um ar atômico,
O último dos Moicanos.
Desafiar a morte
E rir da sorte.
Eis o rebento… exposto,
Preso em cada um de nós:
O animal mais perigoso do cosmos,
A um passo do abismo.
Duas taças de tinto a 7%,
Duas de vinho a 15%,
Uma de branco a 10%.
Sem falar no prosecco
E o sangue jorrou na veia,
O grito contido ganhou o ar,
O desejo incontido gozou no mundo.
Existir a qualquer preço,
Enxergar o infinito,
Arder o impossível.
Caos e Entropia…
E num desmaio ébrio,
O homem foi pra dentro,
E o bicho saltou fora.
Foraclusão e recalque cindidos,
Flores do mal que desabrocham,
Gotas pingando na beirada do abismo.
E enfim, o homem acorda:
Ressaca moral,
Reminiscências,
Ruminâncias.
Pensar na infante que precisa preservar,
Na companheira que precisa reafirmar,
Nas amizades, contextos e seres provocados
Pelo enigma do avesso lançado ao mundo.
“Inútil revisar os erros cometidos,”
Só se for para Encontrar novas estratégias pra conter
Esse animal preso nas entranhas,
Que nunca será contido
Num lugar incontinente.
Agora é decifrar o enigma!
Aprender com a mudança!
Puxar para fora a cabeça da razão,
Que trabalho hercúleo.
Colocar o Daimon num lugar
Onde nunca coube nem caberá,
E aceitar essa invenção coletiva
De que somos civilizados.
Nunca fomos!
A inteligência primeva do homo sapiens
Sobreviveu 500 mil anos sem essa razão instrumental
Que nos aprisiona há 2500 anos
Na busca vã de um entendimento,
Um lugar pra ser contido.
Nunca deixaremos de ser bichos,
Bichos que constroem teorias elegantes
Sobre esse Nada que quer ser tudo!