Arquivo de agosto, 2024

Canções do Daimon

Publicado: 23/08/2024 em Uncategorized

Esse bicho preso nas entranhas

Somos nós.

Esse riso de vísceras,

Desejo de arranhar a carne… pra sair,

Ou penetrar a carne… pra entrar

E respirar um ar atômico,

O último dos Moicanos.

Desafiar a morte

E rir da sorte.

Eis o rebento… exposto,

Preso em cada um de nós:

O animal mais perigoso do cosmos,

A um passo do abismo.

Duas taças de tinto a 7%,

Duas de vinho a 15%,

Uma de branco a 10%.

Sem falar no prosecco

E o sangue jorrou na veia,

O grito contido ganhou o ar,

O desejo incontido gozou no mundo.

Existir a qualquer preço,

Enxergar o infinito,

Arder o impossível.

Caos e Entropia…

E num desmaio ébrio,

O homem foi pra dentro,

E o bicho saltou fora.

Foraclusão e recalque cindidos,

Flores do mal que desabrocham,

Gotas pingando na beirada do abismo.

E enfim, o homem acorda:

Ressaca moral,

Reminiscências,

Ruminâncias.

Pensar na infante que precisa preservar,

Na companheira que precisa reafirmar,

Nas amizades, contextos e seres provocados

Pelo enigma do avesso lançado ao mundo.

“Inútil revisar os erros cometidos,”

Só se for para Encontrar novas estratégias pra conter

Esse animal preso nas entranhas,

Que nunca será contido

Num lugar incontinente.

Agora é decifrar o enigma!

Aprender com a mudança!

Puxar para fora a cabeça da razão,

Que trabalho hercúleo.

Colocar o Daimon num lugar

Onde nunca coube nem caberá,

E aceitar essa invenção coletiva

De que somos civilizados.

Nunca fomos!

A inteligência primeva do homo sapiens

Sobreviveu 500 mil anos sem essa razão instrumental

Que nos aprisiona há 2500 anos

Na busca vã de um entendimento,

Um lugar pra ser contido.

Nunca deixaremos de ser bichos,

Bichos que constroem teorias elegantes

Sobre esse Nada que quer ser tudo!

Esta casa embora seja nova, ela já foi velha, ancestral

Ancestral é o que pode e deve ser o novo em permanente mutação e transformação

Aqui já sonhamos essa construção

Aqui já brindamos muitas vezes a vida

Um espaço Resistência

Onde é possível sonhar e desejar um mundo novo

Alguns podem vir aqui para

só brilhar

Eu recomendo que brilhem muito

Outros podem subir aqui pra sublimar

Eu recomendo criar revoluções

Desenhar caminhos novos

Pois se lá fora!

Lá em baixo!

As hordas da ignorância e do fascismo urgem e crescem velozmente

“Miseráveis ovelhas de imenso rebanho!!”

“Enquanto os homens exercem os seus podres poderes”

“Papai Noel velho batuta respeita Os miseráveis”

Mas aqui dentro do meu peito

urge a alegria dos encontros

Que possam desvendar e desvelar novos rumos

Nossos corações estão entorpecidos

Neste espaço de devaneios e alianças, Nosso Morro!

E nossos corpos nos insuflam e inflamam

Vamos subir as escadarias dos morros!

Para encontrar a alegria

Vamos conduzir e cuidar da c!h!a!m!a

Pois é só no alto

que as nossas almas eclodem, sublimam

Feliz daquele que pode dizer que na vida encontrou um amigo ou um abrigo

Ao longo da vida fui apontando o dedo

E dizendo tu és

Tu és !

Espaço Resistência

Nosso Morro

É simples reconhecer que uma coisa que é óbvia pra mim

não é óbvia pro mundo

Mas a jornada vale mais que o destino

Enquanto isso no Globo está todo mundo produzindo Reels,

e os Reels se juntando qual azougue num imã gigantesco de corpos

E esse imã está atraindo a todos e rasgando o nosso tempo.

Desliguem os celulares pelo amor de Deus!!

Antes que nos tornemos informação pura

em volta da borda holográfica do buraco negro

como se fôssemos uma fotografia tridimensional de Deus

Ou liguem!! Descarreguem as energias!

Agora é a hora dos encontros

Não importa o tempo, a hora ou a história,

o que importa é viver!

O amor atravessa tudo!

O que paralisa e isola os corpos é a matéria,

e esse sentimento infértil e estéreo de vazio e vazios,

essa falácia de que é possível se apossar de alguma coisa.

O dia é hoje, a hora é agora, e o momento é já!

Nosso Morro é o lugar da Armação Ilimitada!

Tirar da vida, de cada milissegundo, a sua substancial alegria! Carpe Diem!

Por isso subi Nosso Morro

Meu amigo GeoMetal

Inflado! Feliz!

Para encontrar, formatar, sentir, construir e reverberar sentidos

sem os quais…

o homem não navega

E navegar é preciso! É urgente! É visceral! Quase um espírito!

Espiritualidade visceral!!

Respeitando o momento irremediável de transubstanciar-me e transcender-me

Pois o momento é C!h!a!m!a!

Obrigado amigo George, amiga Grazi

Meu coração é só amor

E por isso o meu verbo é amar!

Mas o meu sentimento: é Coragem!!

Avante! Avante!

Nós somos leões!!

.

“Sentimento que não espairo; pois eu mesmo nem acerto com o mote disso ― o que queria e o que não queria, estória sem final. O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito ― por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.”  ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas, p.293.