Arquivo de fevereiro, 2024

As Canções de Liberdade

Publicado: 01/02/2024 em Uncategorized

É possível a um homem cantar o espírito do seu tempo?

É possível a linguagem traduzir o sentido do seu tempo

Quando surgiu o primeiro poeta
Antes ou depois da linguagem

Se poesia é sentir
Quem veio primeiro,
o sentir ou o sentido
Quem veio primeiro,
o propósito ou a linguagem
Que diz

Quem disse o primeiro poema
Quem vociferou pela primeira vez na tribo
As canções de Liberdade

E antes dessa vociferação
Quem tocou os batuques
Quem inventou os batuques

Tunc, tunc, tunc, tunc!
Quem inventou os batuques?

Quem inventou a canção do coração?
Quem definiu o ritmo do coração?

Quem engendrou a sinfonia da vida?

Quem instigou a faísca do raio-trovão
O som do borbulhar e marulhar
do mar e do rio

Quem desencadeou o ritmo das ondas
E quem disse ao andarilho
que era possível deslizar sobre as águas?

Quem disse ao poeta que era possível falar sobre as percepções, sobre as coisas

Sobre o espírito do tempo!

Sobre o sofrimento, sobre a dor, sobre o amor

Quem? Diz ao homo sapiens o que ele tem de ser?

Quem diz ao coração o ritmo que ele tem de bater
Em maestrons eletrificando o sangue os átomos e a alma

Quem diz a quantidade de amor que é preciso dar

Quem sabe o caminho a seguir

Quando o corpo morre no gozo
Quem diz a intensidade do sumir

Quando o poeta diz sobre o som e a fúria do seu tempo e vaticina: Subamos!

Quem ousa duvidar?!

Se o sangue ferve
Se a alma exige a verve

Palavras em vórtex rodopiantes
sob o núcleo esférico dos desejos

Como é possível romper o véu?
Como é que se faz pra sair da porra…
Desta caverna?

E se eu quisesse
com meus próprios punhos e braços
levantar-me do barro da criação
E a plenos pulmões gritar:

Maiakóvski
Pádua Lima
Sartre
Zaratustra
Herman Hesse
Walt Whitman
Saramago
Rilke
Rimbaud
Huxley
Leminski
Borges
Guatarri
Pessoa
Krishnamurti

E atingir a primeira e última Liberdade!

.       ”Quando eu morrer

       não quero choro nem vela,

       quero uma fita amarela,

        gravada com o nome dela”


As vidas são feitas de retalhos

Quando?
em sã consciência
eu poderia dizer que atingi
a primeira e a última Liberdade?

Que rodopiei em vórtex
no crisol mágico da genitais impurezas

Que atingi o espírito do tempo

Levantados do chão

Ópera maestro de Deus

Se fomos insuflados pela palavra

Quem é esse
que ousa dizer que a palavra não é capaz
de dizer sobre a sua constituição?

Um homem em transformação e mudança é aquele capaz de dizer e cantar sobre o seu tempo e o seu futuro

mas sobretudo

agir em congruência com as suas palavras

       Zumbi era Lampião
       Lampião era zumbí!

Quem é o homem
o ser capaz
de capturar o espírito no seu tempo?

        Pessoa era Whitman
       Whitman era pessoa

Quem ousa cantar as canções
Quem ousa bater-se
Insuflar-se

Se não o homem que entendeu
Uma vírgula
Da Teia da vida

Mas ousou torna-se chama
Ousou bater e respirar no ritmo
Do próprio corpo

E sobretudo!
Sobretudo!
Ousou amar cada milissegundos
Dessa explosão infinita

E dessa possibilidade infinita
Efêmera, mas infinita
Enquanto o sangue continuar a jorrar
Pelos buracos de minhoca do COSMOS

E mais que TUDO!
Ousou amar e respeitar cada ser
Cada brilho no olhar
Cada lágrima
Cada grito
Cada criança
Este fruto bendito
Essa semente cósmica
Que cresce em cada um de nós

E que precisa evoluir sempre
Se quisermos ser
mais do que o último segundo
Do relógio do Universo

Por isso eu giro
Em rodopios Sufi
Em sintonia com as batidas
do Deus do meu coração!

      ”Eu gosto dos que tem fome

      e morrem de vontade

       dos que secam de desejo

       dos que ardem.”