Só tem condição de dar Amor, aquele que tem dentro de si, amalgamado ao seu corpo, essa essência.
Todos nós temos dentro de nós, em potência, um Amor Cósmico, a chama infinita, a inteligência absoluta, um caminho, que todos os nossos Grandes Mestres apontaram como o verdadeiro caminho, o Amor, a energia que subjaz a Tudo, preenche Tudo, liga Todas as esferas…
Infelizmente, nem todos nós somos brindados pelo cuidado necessário para o fenômeno do encontro, para a frutificação desse amor, pois ele precisa ser recebido, gerado, entendido, gestado, cultivado, carinhado e germinado no corpo…
como se as esferas tivessem sonhos, como se todos os núcleos atômicos levassem ao Um…
Só podemos dar, aquilo que nós temos, deveras:
Assim como é em cima, é em baixo.
“É de um Ser para o Outro que se passa o pão celestial de Ser o Si Mesmo”
Mas viver mesmo É encontrar-se É estar mesmo perdido Sempre Para encontrar-se Todo dia
É retirar do próprio bagaço O sumo… que se é E de tempos em tempos Produzir um suco novo Um caminho O chorume
Novo esplendor Um novo significado
Deixar de estar tão preso a tudo Para lançar-se no ignoto E perder-se Maravilhosamente
Retirar de dentro do corpo essa sensação de vazio Vislumbrada fora do corpo
Pois vazio não é só o corpo É tudo!
Tudo é o vazio A matéria mesma É muito pouco
Jogar dentro de si uma outra matéria Pra tentar construir um sentimento Produzir um encontro Como se os símbolos fossem matéria Como se as ideias ali se alimentassem
Jogar também fumaça e jogar água ardente Pra ver ou sentir ou impressionar E perceber como este corpo reage
Onde foi que me desconectei Porque quero retaliar tanto meu corpo Fazer doer essa carne Moer o fígado Até Prometeus vomitar o simbólico
Será que quero mesmo é esmagá-lo pra ver se ele me expulsa em alma
Onde será que petrifiquei minhas lágrimas E as palavras não servem
Qual o caminho a seguir Qual o real caminho a seguir Se as palavras Como antes já não servem
A onde deixei minha dor A onde recolhi meu amor
Será que as palavras já não me traduzem Será que meu corpo já não me jorra
A onde perdi o contato com o mundo Em que esquinas abandonei o meu canto
E que caminhos quero trilhar ser uma chama acessa!
Oh senhor! A onde foi bailar minha alma e esqueceu minha’alma
A onde foram naufragar meus sonhos Onde me esqueci de sonhar
E as palavras não bastam para me insurgir Do cerne de mim mesmo
Daonde é que nascem o verdadeiros sonhos A onde é que mora o verdadeiro encontro
Provocar o corpo… e esse provocar a vida Provocar a vida… é essa provocar o corpo
Prescrutrar e prescrutrar e provocar e provocar Pra que as esferas se contorçam com a alma em maestrons Pra que as cordas entoem um cântico negro e brilhe
E a alma regogize e o corpo regogize E as esferas movimentem-se E o corpo em movimento desague No universo Em ondas
E as palavras se traduzam E o corpo se anime E as esferas se batam E o corpo se morra E seja vida
E na morte a vida se vingue Pois nada está planejado
E o próprio sistema te compele
E a IA está perdida Posto que também fruto do regozijo Talvez ela se anime no avesso
Ao se ver também animada E as coisas todas se confluam
E nada esteja fechado
Como pode a razão tentar complementar se ela mesma não se completa
Como pode a inteligência das palavras tentar conduzir o homem
se o homem não é só palavra
O homem é fruto da vida
e a vida não sabe palavra
A vida é fruto do Cosmos e o cosmos não entende palavra
Palavras são códigos criados, em circunstâncias ignoradas e únicas, que não conseguem ser traduzidas por palavra
Criamos um código para tentar unificar o que não pode ser traduzido, o Cosmos não pode ser mensurado
A vida não pode ser traduzida
Nós nos enfiamos dentro de um código que não nos habilita a tentar traduzir nada
Inventamos um enigma, dentro de um enigma, dentro de um enigma vida, dentro de outro enigma Cosmos, que não pode e nem deve ser traduzido
Pra quê traduzir o enigma? Pra quem traduzir o enigma Melhor vivê-lo
Subsumido ao código, o homo sapiens aprisionou-se Desenfurnar-se para existir Eis um caminho
Alguns sapiens tatuaram-se no código, e meteram-se dentro dele E os filhos da puta esconderam as chaves
E condenaram a todos os que vieram a seguir a essa bestagem de escravidão no avesso.
E agora todos nós vivemos dentro do código.
E nós criamos a IA que aprendeu o código, e a IA tornou-se uma virtuose em semanas de treino, e o mundo está a perguntar a virtuo-se, como as coisas funcionam
Mas essa virtuose não sabe como as coisas funcionam, porque nem mesmo nós, que criamos o código, sabemos, e talvez nunca saberemos.
Mas essa não é a questão. A questão é se o sapiens, que é fruto da vida, que é fruto do Cosmos, pode realmente alcançar a existência e comungar com o Cosmos.
Essa é a verdadeira liberdade da existência, se mesmo aprisionados ao código, podemos nos consubstanciarmos com o Cosmos.
Essa liberdade nunca poderia ter sido tolhida. Constructo algum poderia impedir o Sapiens de consubstanciar-se com o seu criador.
Pois essa é a verdadeira liberdade, sentir a vida, comungar com o arquiteto que nós nomeamos Cosmos.
Viver é a Travessia.
O código linguagem, é um dos elementos que elaboramos nessa jornada, talvez o constructo mais perturbador e questionável nesse processo.