O Eclipse da Razão

Publicado: 16/01/2023 em Uncategorized

A inteligência funcional, positivista, executiva, especialista, individualista, copiar-e-colar, é aquela que diz: os fins justificam os meios, mas ela é limitada, e só pode sustentar isso a curto prazo. E também não esclarece, e nem quer esclarecer, qual a ética desses fins.

Dizer que as coisas sempre foram assim, é um contrasenso, justo porque nem sempre as coisas funcionaram assim.

Mas inteligência funcional funciona assim, ela é uma inteligência que não funciona a luz da história, ela é obtusa.

Ela não é uma inteligência que funciona a Luz da mudança. Ela é estática, por isso não é uma inteligência que funciona pro ser humano, pelo menos não sozinha.

Quem não pensa a vida em termos históricos, tem uma visão limitada sobre o futuro. Porque não sé organiza para o futuro comum.

Para um ser humano isolado, individualista, egoísta, atuar sobre o aqui e o agora é o seu modus operandi.

Essa inteligência é também a inteligência especialista, focada, ela só enxerga o curto prazo e por isso é tão obtusa e embotada. Os fins que ela enxerga, são limitados pelo seu tempo limitado, sua perspectiva é de curto prazo.

Os grandes pensadores, os verdadeiros, que pensaram realmente o mundo, na sua grandeza, não se limitavam ao aqui e o agora, eles pensaram a humanidade.

A verdade é que pra esses obtusos, o mundo é pequeno, não tem a envergadura da história humana.

Penso que a grande questão em nossos dias atuais é: como o atual sistema colocou os valores materiais (os fins de curto prazo para a sua prole) acima dos valores humanos (de toda a raça), coisa que até pouco tempo, poderia se sustentar, posto que esse comportamento não afetava a todos.

Mas como esse comportamento atingiu tal grau de complexidade, afetando a todos no mundo, esse tipo de comportamento de curto prazo não se sustenta mais, posto que ele afeta a todos, e não sustenta mais nem mesmo a sua prole. Ele tornou-se danoso para toda a vida, não só a vida humana, mas o próprio planeta como um todo.

Por isso é urgente que encontremos outros caminhos para a inteligência humana, pois toda a civilização está em cheque com essa forma de operar desse tipo de pensamento.

Por isso será importante construir uma nova forma de pensamento, que coloque a todos, como co-responsaveis pela manutenção da raça humana.

Esse é o ponto de mutação aludido por Capra, essa é a ideia milenar do Yang e do Yin, um lado necessita do outro, e Jung já vaticinou, a semente do mal contém a semente do bem.

Somente a construção de uma inteligência global, que subjugue a inteligência local, poderá apontar para uma saída possível, precisamos evoluir enquanto raça, se quisermos perpetuar a nossa espécie no Cosmos.

Se de fato, somos a forma que o Cosmos encontrou para vislumbrar a si mesmo, como nós apontou Sagan, precisamos nos religar a inteligência maior, Cósmica, assim como fizeram os grandes avatares que nós guiaram até aqui, para que ela possa nós guiar, e possamos assumir o controle, caso contrário estaremos fadados ao fracasso civilizacional.

Mas como fazer isso, se a inteligência funcional, obtusa e individual, está no poder?

Nós últimos 80 anos nos criamos uma tecnologia que pode nos aniquilar a todos (a tecnologia atômica) e nos últimos 30 anos uma tecnologia que pode nos conectar a todos (a internet), resta agora que criemos uma massa crítica, uma nova tecnologia que consiga nos unir a todos, convergir nossos interesses comuns, a perpetuação da nossa raça.

Segundo Habermas nós precisamos apostar em uma inteligência/razão comunicativa, capaz de fazer com que as nossas inteligências se juntem e irmanem num ideal comum, coletivo e global.

Não existe ignorância maior do que a daqueles que não conseguem dar credibilidade ao que vêem, com os seus próprios olhos.

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