Decifra-me!
Rios de sangue
E corpos humanos
Escorrem sob a lama
Que escorre dos homens
Que operam o sistema
Rios de sonhos
Enterrados sob a lama
Que estravasa dos corpos
Dos homúnculos dos Psicopatas
Cujos corpos colam-se ao corpo do sistema
Rios de homens
Que sofrem o sistema
Que agridem Gaia
E sufocam a vida
Rios que não correm
Quando a vida ecoa
Das engrenagens presas
Das raízes canto
Rios que envergam
as raízes que descolam
Da planície que decola
E rasgam as peles e os órgãos
Dos homens que engolem
A saliva dos que abussam da fé
Risos que afogaram-se
Sonhos triturados
Mortes desaparecidas
Eram 12:30 quando a Vale
Engoliu o vale
E enterrou homens, mulheres, crianças
E os animais
Quem vale mais que 300?
Quem vale mais que a justiça
Quem vale mais que um povo?
Uma multidão invade a internet
Batendo panelas
Para eleger uma sentença
O futuro está incerto
As nuvens cheias
O mar revolto
As galáxias engolidas
Os asteróides nervosos
Dentro de seus rodopios
Século XXI
Teu nome é incerteza
Assassinaram os humanistas
Mataram Deus
Crucificaram as verdades
Prostituíram as ciências
Empalaram a política
Curraram a ética
Expulsaram do palco a utopia
Dedos denunciadores escreviam
Na lúgubre extensão da rua preta
Todo o destino negro do planeta
Onde minhas moléculas sofriam
Decifra-me!
Enquanto te devoro!