Enfurnado na vanguarda do seu tempo
o poeta e a poesia tem um compromisso com a história da humanidade
principalmente aqueles que lutaram pelos fundamentos da vida
e ousaram sentir além das suas possibilidades
“com a lança do sonho desce aflito e sobe aos mundos mais imponderáveis”
questionando gritos que nunca foram ditos
entoando cantos que sempre foram versos
desdizendo ditos outros, desconexos
insuflando brasas ocas e outras explosivas
maculando verdades opressoras
de fantasmas que pululam sobre o brilho das lâmpadas, e não sentem
quando envergam as colunas vertebrais dos que tem fome
“com a lâmpada dos sonhos descem aflitos”
como dizer disso aos que sonambulam…
que palavras podem ser tão fortes e incisivas
ao ponto de impingirem a lágrima ao gigante
que lanterna e facho de luz pode fazer tremer a íris de um mortal
que desejos pode o poeta operar a vida
e arrancar um sentimento
neste crisol mágico que é o homem.
Essa carne que produz tanto esse saboroso sal
como é possível fingir tanto, e com tal maestria
e puxar a cabeça da criança que angustia nessa boca ancestral?
“quem sois vós que me dareis impulsos ferramentas e coragem para derrubar meus obstáculos”
quando uma gota de orvalho cai do céu…
e toca a pele e a delicia
quem foi afinal que uniu as gotas?
quem foi o poeta sublime que atravessou o ar e o cosmos
em tantos rodopios
e quem é que suga a luz e faz ordenhar as galaxias?
Quem sonhou tão solto em tantos multiversos
que nos trouxe aqui nesta terra de lava, sangue e cal
“o poeta é um fingir-dor”
que alquimia quântica é essa que nos permite sentir os cheiros das flores e dos corpos
e degustar tanto esse sabor de vida nesta nau
como pode esta arte da poesia dizer assim tanto de sentir as coisas
e nos dar um rumo antes mesmo de haver um norte-sinal?
Quem relegou este oficio a tantos homens e mulheres atemporais
provando que tudo não nasce ao seu tempo?
e que o tempo não nasce… atravessa…
Quanto sinto que um grupo de humanos trás fé a esta arte
é a hora enfim de fazermos a nossa mísera parte
e com alguns versos
desferir um elogio a poesia.
Hou!!! Viva a poesia e aos poetas, pois realmente são os únicos que generosamente podem nos levar, bravamente, pelos universos Newtoniano e Quântico, e ainda, por outros mais!!!
Salve, Palavra!