Estes dias tenho andado ensimesmado. Não sei se porque retorno ao trabalho daqui há 36 horas, depois de 30 dias de férias, que eu não tirava há um bom tempo. Ou se porque em 2016 faço 42 anos, idade em que meu pai me teve, e sempre tive essa impressão de que por essa idade, eu também teria um guri. E ando sentindo-me mais corajoso e preparado para cogitar essa ideia de uma nova vida. Ou talvez porque eu andasse desacreditado dos versos do Gil: … a raça humana é / uma semana / do trabalhado de Deus.
Nesse sistema capitalístico global com a sua perversidade, desigualdade e insânia. 250 milhões de Sírios dizimados numa guerra civil, cujo cerne é a luta pela democracia, num Estado ditatorial, onde subjaz o monopólio do petróleo das multinacionais dos Estados Unidos da América e a União Europeia, se é que multinacionais tem pátria. A multinacional Monsanto produz alimentos cancerígenas pelo planeta a fora, nume espécie de conspiração para aniquilação da vida.
E o meu país na bancarrota econômica provocada por uma política flébil, incapaz de aceitar os resultados das eleições democráticas que elegeram nossa presidenta, cujos partidos da base aliada estão num escândalo de corrupção que estão desmascarando os objetivos das elites entreguistas desse país. Num país em que os Gigolôs da Pátria (políticos corruptos) tem imunidade parlamentar, e advogam contra o seu povo.
Pensativo ao ver tanta mentira, cinismo, pessimismo, psicopatia e satanização de tudo!! Ligo a TV e tudo é entreguismo, nada é pátria, nada é povo, os códigos de honra foram esquecidos. Difícil acreditar nesses discursos ordinários e fascistas.
Parece que fiquei um pouco abatido com essas coisas todas, e outras, e pensei: Isso é o auge da civilização humana? Alcançamos a tecnologia para enxergarmos o Cosmos, conectar bilhões de pessoas no planeta, e aniquilar dezenas de vezes a vida humana na terra.
As pessoas já não expressam mais os seus sentimentos. Petabytas de Selfies de felicidade estão trafegando na grande rede. A linguagem está transformando-se em pura imagem e letargia. As máscaras de alegria transformando-se em bytes (0 e 1) na beirada do buraco negro que nos puxa e ruge no centro da via-láctea.
Mas hoje, alguma coisa mudou. Encontrei meu afilhado de 5 anos, e desta vez não precisei mendigar um abraço. Sem mais nem porque, o danado correu e pulou nos meus braços e me deu um beijo, o dia estava ganho.
Mas como se não bastasse essa minha pequena e inusitada alegria, na chegada ao meu prédio, ao abrir a porta, uma guria saltitante de uns 7 anos, brindou-me com um sorriso doce, e toda serelepe, inquiriu-me: Olá!!
Espantado com a singela civilidade, que poucas vezes encontro nos meus vizinhos de prédio, e mesmo no encontro com as pessoas hoje em dia, retorqui exclamativo: Boa Noite!!
2016 me transbordou de vida, e a vida, é a esperança que segue….
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A vida nos surpreendendo, sempre… Parece incrível, mas muita coisa pode dar certo! (Risos!).