Manifesto para uma Literatura Humanista-Existencial
“O amor é sábio, o ódio é tolo.” Bertrand Russell
Existem algumas coisas simples, que são muito importantes para os seres humanos: amizade, companheirismo, caráter, respeito, carinho, fraternidade, dignidade, liberdade, amor, admiração, igualdade, cumplicidade, cuidado, etc. E esses valores não se compram nem se vendem por dinheiro, pois sua natureza não é material. E esses valores o sistema capitalista global não consegue se apropriar para vender. Embora tente, de mil e uma maneiras nos iludir e ludibriar. São coisas intangíveis, só existem no mundo imaterial das ideias, mas fundamentais para o crescimento do Ser.
Existem milhares de pessoas que não entendem o valor destes valores que citei, justo porque não foram ensinados por quem comungue destes valores, com amor, carinho, respeito… pois foram criados sem cuidado, pelas coisas-pessoas que aprenderam as regras do sistema, vender e comprar ilusões. São pessoas-coisas que sabem tudo sobre a matéria, sobre a energia resultante do atrito entre os objetos, mas nada sobre o Ser. Intitulei estes seres-objetos, homens-coisa, meio-homens-meio-sapos, como diria Hesse, de homo-vampyr-sapiens, o próximo passo na involução da raça-humana. Se a raça humana, segundo o Gil, é uma semana do trabalho de Deus, a raça inumana, é um destrabalho de alguns séculos, onde os valores humanos foram reduzidos a matéria inanimada. Pobres miseráveis que rondam a terra com suas riquezas, esfregando na cara dos seres humanos as sua incompreensão com as coisas mais básicas e caras a humanidade.
Pela potência inegável da matéria, a ignorância cresce de forma titânica, e a certeza do ódio a tudo que seja vida e amor, avança avassaladoramente sobre as mentes dos não-nascidos, dos vampiros de sangue e cal. Os homens que nascem no burburinho desse sistema oco, nascem de olhos-bem-fechados, sucumbem facilmente a um sistema que não exige o pensamento reflexivo, autocrítico, ficam presos nas programações criadas pelos homúnculos, que nunca conseguiram enxergar a luz, posto que alijados de todos os processos culturais que formatam o verdadeiro humano.
Já há algum tempo, os pseudo-homúnculos-cientistas de mármore, querem substituir o sangue que correm em nossas veias, VERMELHO, por naftalina, creolina, azougue. Muitos destes miseráveis, se observarmos bem, são apenas carcaças, arremedos de vida, um exemplo dessas ideias, que envolveram milhões de pessoas foi o fascismo, e depois os totalitarismos. Por uma fatalidade, esses sistemas não aniquilaram a vida humana na terra num sopro atômico. Talvez por isso se valorize tanto essa alegoria humana sobre a existência de vampiros, seres capazes de beber sangue. Tantos filmes, tantas alusões, tantos livros para dizer de uma raça sem lei, sem ética, sem caráter, apenas o desejo de morte e de aniquilação da vida.
Ser líquido é isso, adequar-se a tudo, aceitar tudo. Ser conivente com este mundo bizarro da materialidade, da inércia, da conivência, da falta de cumplicidade, que anseia deveras aniquilar a vida, aniquilar a vida humana que atingiu o pensamento, o desejo sincero. Criar mecanismos para que os seres humanos não nasçam mais, pelo fato de não terem sido criados no berço do amor, alimentam esse ódio aos que amam. Querem a aniquilação total de tudo o que seja alegria e felicidade genuínas, entendimento do cosmos, pois a inveja e a vaidade está incrustada nas programações desses materialistas, e a morte dos que amam é a única saída para amenizar as suas frustração. A ignorância é uma lei para esses miseráveis, incapazes de compreender a totalidade e o Cosmos, ficam presos nas suas microcertezas. Nascem no berço da materialidade e são condenados a relacionar-se com a matéria, distantes do sentimento humano genuíno. Num mundo onde os homo-vampyr-sapiens estão devorando o raciocínio lógico, aniquilando toda e qualquer tipo de vida, destruindo as fundações de Gaia. A sorte é que o universo ignora estas bestas, e cedo ou tarde, no tempo do universo, os homo-vampyr-sapiens serão extintos, levando juntos os homo-sapiens e a esperança humana.
Mas a vida é sábia e o amor é sábio, enquanto o que for bombeado nos corações dos seres, for sangue, há esperanças. Enquanto houver amor entre os seres há esperanças. Enquanto a vida germinar na umidade, negritude e quentura da terra… há esperanças. Enquanto houver um único ser humano existente, há esperanças, de que este jogo sinistro de feras que se formatou nesses sistema bizarro e material, seja enfim, ultrapassado, e a raça humana retome o caminho do bem, o caminho do amor, o rumo da vida capaz de produzir a vida autoconsciente.
* CMI – Capitalismo Mundial Integrado
“São precisamente as perguntas para as quais não existem respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência” Kundera