Arquivo de março, 2014

Para o grupo de poetas O15

Publicado: 26/03/2014 em Uncategorized

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Confrontei-me hoje com a pena e a palavra

Esta reunião quinzenal antes de já começar me acabrunhava

Pois eu sabia das provocações que adviriam

Uma delas e que nestes últimos tempos sinto-me um despossuído

Um danado

Com se a fonte que jorrou da minha artéria cerebral durante as últimas décadas estivesse entupida

E não é porque vou fazer quarenta

Não é porque o mundo está pálido

Ou porque descobri que Mefistófeles é o oitavo passageiro e está parindo bestas da sua visgosa e gigantesca pança

Não é porque faço perguntas simples e as pessoas se espantam

Nem por causa dessa impressão de que a maioria está vencida e o restante prostitui-se

Ou porque vou ficar careca

 

É porque o meu coração bate

É quando reúnem-se pessoas em torno da arte

Tudo!!!!

Tuuuudo !!!  Pode amanhecer

 

Mesmo assim sinto-me um pouco entrevado

Esta coisa que intitulei de maré-baixa

Fases… fases… fezes

Como se a cabeça estivesse entupida de coisas desnecessárias

 

Que bom termos estes espaços

E eles estarem cheios e vazios

Para que eu possa preenchê-los com os meus sonhos e as minhas dúvidas

 

Que bom que nem todos foram dormir cedo

Quem bom!!!! Ave! que eu ainda tenho companheiros que se incomodam

Com esse chão movediço

Com estas telas hipnóticas

Com estes olhares alhures

 

Meu deus!

Oh! Grande Arquiteto

Que trabalho colossal tu nos deste

Construir um propósito em nossas vidas

Significar nossos desejos

 

Meu deus

Utilizando apenas as palavras

E o músculo que me destes

É a mente que me envolta

E é através dela que queres que eu mova as alavancas

Ou nem que as mova

Mas as revele

Ou nem que a revele

As enxote

E as mande para longe

E as solte aos ventos

 

Sob os olhares dos incautos

Dos insossos

Dos que nos observam sigilosos

E dos que nos amam

Sobretudo

Dos que nos amam

 

Não há oh mente universal de tudo

Nada, nem tú!!

Coisa mais brilhante do que um olhar amante.