“Sofrimento psíquico porque é um dos preços a pagar pela emergência de uma nova economia: a existência do sujeito se vê obliterada. Todos nos tornamos uma espécie de funcionários, estamos capturados num sistema em que temos que assegurar, que garantir, que produzir o ´bem-estar´ e a satisfação dos que nos cercam. Inclusive os pais, cujas obrigações como educadores vão ser especificadas muito exatamente pelos códigos da paternidade: eles devem velar pelo `bem-estar´ de seus filhos. Toda falta com relação a esse novo papel de funcionários do sistema será também passível da lei…” (2003, p. 113)
Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta
Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta
Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
“Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone”
Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno
Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana
Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana
Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina
Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria
Zeca Baleiro
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nesse completo descaso com tudo
nessa amebíase crônica
vampirismo metálico
poucas coisas me surpreendem
as pessoas parecem anoitecer logo de manhã
talvez o sonho seja mais bonito
mas algumas coisas ainda brilham nessa escuridão de lesmas
tal qual esse poema extraordinário…
obrigado Baleiro
nessas horas simplórias
vale a pena abarcar o mundo e dizer
vamos conquistar a vida.
Juntos!!!!
Cuspir juntos nos lacaios de satã
dançar em volta das fogueiras
tocar os batuques tribais
e dizer
Nos somos os leões e vamos conquistar essa terra de vampiros
Antever, ousar, semelhante ao grande poeta… Pessoa “Quando te vi, amei-te já muito antes…”
“Toda coisa viva é uma obra de arte em si mesma”
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“Quem salva o opressor é o oprimido.” Pois o opressor não tem noção do mal que causa, ele é um prisioneiro da própria covardia. Torna-se um vampiro, um sanguessuga, uma erva-daninha, um parasita da sua própria espécie.
Negando toda a humanidade, ele faz um pacto com morte. Enganando a si mesmo em troca da matéria inanimada, torna-se o carrasco perfeito, lívido e boçal, desumaniza-se e vende o próprio entendimento sobre as coisas. Torna-se uma lacaio do nada, e vai jantar feliz, gozando no vômito da própria ignorância e imbecilidade.
Hoje existem 16 milhões de pessoas que detem 70% da riqueza do mundo, e por incrível que pareça, estes crassos, aprisionam as 7 bilhões de pessoas restantes na miséria, na droga, nas prisões, nas ilusões, na falta de oportunidades, na passividade, na leniência, qual gado, ovelhas dóceis, nos seus respectivos currais.
A Primavera Árabe em 2011, em busca da liberdade nos estados ditatoriais da Africa e oriente médio, anuncia que este estado de coisas está aguardando o momento de mudar sua rota, e essa balança pendendo para a morte a qualquer momento vai virar, e para isso devemos manter a calma e aguardar com resistência. O sistema que reduz as cabeças, o sistema que transforma humanos em vampiros, a sociedade do espetáculo, chamado de capitalismo e alcunhado de Leviatã, precisa mais uma vez mostrar a sua capacidade de ceder a vida. Os membros do Clube de Bilderberg precisam comprender que este mundo não é de 130 pessoas, mas a morada de 7 bilhões de humanos e outras trilhões de espécies de vida.
A qualquer momento Gaia pode nos expulsar e nos extinguir, mas ai nós deveremos obediência ao universo, não a 130 homo-vampyr-sapiens, ou 16 milhões de abastados, homúnculos, que mal sabem que estão vivos e triturando a sua própria raça.
Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?).[1]
Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda esse teu rancor nos enganará? Até que ponto a (tua) audácia desenfreada se gabará (de nós)? (Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?).[1]
O cartunista argentino Quino, desiludido com os rumos deste século no que diz respeito aos valores e a educação, deixou impresso no cartoon o seu sentimento:
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Em sua genialidade, o artista faz uma das melhores críticas sobre os valores e a educação nos tempos modernos.