Fragmentos – Leonardo Boff “Saber Cuidar – Ética do Humano”, 2011.
Algumas reflexões sobre o livro “A Árvore da Vida”, de Maturana e Varela, 1995.
“Amor é uma das palavras mais desgatadas de nossa linguagem. E como fenômeno inter-pessoal, um dos mais desmoralizados.”
“Segundo Maturana, o amor é contemplado como um fenômeno biológico. Ele se dá dentro do dinamismo da vida, desde as suas relações mais primárias, de bilhões e bilhões de anos atrás, até as mais complexas no nível humano.”
“O amor é o fundamento do fenômeno social e não uma consequência dele.”
“Se falta o amor (o fundamento) destroi-se o social.”
“O amor é sempre uma abertura ao outro e uma con-vivência e co-munhão com o outro.”
“Não foi a luta pela sobrevivência do mais forte que garantiu a persistência da vida e dos indivíduos até os dias de hoje, mas a cooperação e a co-existência.”
“A competição, enfatiza Maturana, é antissocial, hoje e outrora, porque implica a negação do outro, a recusa da partilha e do amor.”
“A sociedade moderna neoliberal, especialmente o mercado, se assenta na competição. Por isso é excludente, inumana e faz tantas vítimas.”
“O que é especialmente humano no amor não é o amor, mas o que fazemos no amor enquanto humanos…; é a nossa maneira particular de viver juntos como seres sociais na linguagem…; sem amor nós não…” nos tornamos humanos. (Maturana, 1995)
“O amor é um fenômeno cósmico e biológico. Ao chegar ao nível humano, ele se revela como a grande força de agregação, de simpatia, de solidariedade.”
“As pessoas se unem e recriam pela linguagem amorosa o sentimento de benquerença e de pertença a um mesmo destino e a uma mesma caminhada histórica.”
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“Não é que tenhamos pouco tempo, mas que perdemos muito. Deveras longa é a vida e mais que suficiente para consumar as maiores empresas fosse feito dela bom uso.”
“Quando se desperdiça a vida e o tempo na dissipação e na negligência; quando a nenhuma coisa boa se dedica, ao empuxo da última hora inevitável, sentimos que se foi aquela vida, que não reparamos sequer que a tivesse vivido.”
Fragmentos Sêneca – Da Brevidade da Vida
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Estamos num mundo cercado por vampiros (homens-besta), posto que nascidos sem cuidado e sem amor, estes singulares pilares para a edificação do humano.
Na ausência do amor (do fundamento), nasceram e continuam a nascer os seres mais bizarros que já pisaram sobre a terra.
Ali, naquele nicho de sangue, cal e esgoto, desabrocham os esbanjadores e os orelhas secas, os penitentes, posto que na ausência do sopro do amor, desprovidos de um propósito estruturante que os permita seguir e aceitar o milagre da vida e do mundo, sucumbem e boiam qual folhas secas sobre os abismos, bolhas de sabão sobre os desertos.
Vivemos num tempo em que a inteligência ultrapassou a sabedoria. A matéria tornou-se mais importante que o espírito que a infla. Os homens estão transformando-se em zumbis, cegos, surdos e mudos.
Meras baterias, motores e peças para mover e compor a alavanca e o corpo e as visceras do Leviatã.
Esgoto, escremento, cal e argila, ligados por micróbios, boiando nos espaços vazios, sem o sopro fantástico do amor, que tudo liga e que tudo dá sentido e fundamenta.