Arquivo de outubro, 2012

Fragmentos  – Leonardo Boff  “Saber Cuidar – Ética do Humano”, 2011.

Algumas reflexões sobre o livro “A Árvore da Vida”, de Maturana e Varela, 1995.

“Amor é uma das palavras mais desgatadas de nossa linguagem. E como fenômeno inter-pessoal, um dos mais desmoralizados.”

“Segundo Maturana, o amor é contemplado como um fenômeno biológico. Ele se dá dentro do dinamismo da vida, desde as suas relações mais primárias, de bilhões e bilhões de anos atrás, até as mais complexas no nível humano.”

“O amor é o fundamento do fenômeno social e não uma consequência dele.”

“Se falta o amor (o fundamento) destroi-se o social.”

“O amor é sempre uma abertura ao outro e uma con-vivência e co-munhão com o outro.”

“Não foi a luta pela sobrevivência do mais forte que garantiu a persistência da vida e dos indivíduos até os dias de hoje, mas a cooperação e a co-existência.”

“A competição, enfatiza Maturana, é antissocial, hoje e outrora, porque implica a negação do outro, a recusa da partilha e do amor.”

“A sociedade moderna neoliberal, especialmente o mercado, se assenta na competição. Por isso é excludente, inumana e faz tantas vítimas.”

“O que é especialmente humano no amor não é o amor, mas o que fazemos no amor enquanto humanos…; é a nossa maneira particular de viver juntos como seres sociais na linguagem…; sem amor nós não…” nos tornamos humanos. (Maturana, 1995)

“O amor é um fenômeno cósmico e biológico. Ao chegar ao nível humano, ele se revela como a grande força de agregação, de simpatia, de solidariedade.”

“As pessoas se unem e recriam pela linguagem amorosa o sentimento de benquerença e de pertença a um mesmo destino e a uma mesma caminhada histórica.”

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“Não é que tenhamos pouco tempo, mas que perdemos muito. Deveras longa é a vida e mais que suficiente para consumar as maiores empresas fosse feito dela bom uso.”

“Quando se desperdiça a vida e o tempo na dissipação e na negligência; quando a nenhuma coisa boa se dedica, ao empuxo da última hora inevitável, sentimos que se foi aquela vida, que não reparamos sequer que a tivesse vivido.”

Fragmentos Sêneca – Da Brevidade da Vida

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Estamos num mundo cercado por vampiros (homens-besta), posto que nascidos sem cuidado e sem amor, estes singulares pilares para a edificação do humano.

Na ausência do amor (do fundamento), nasceram e continuam a nascer os seres mais bizarros que já pisaram sobre a terra.
Ali, naquele nicho de sangue, cal e esgoto, desabrocham os esbanjadores e os orelhas secas, os penitentes, posto que na ausência do sopro do amor, desprovidos de um propósito estruturante que os permita seguir e aceitar o milagre da vida e do mundo, sucumbem e boiam qual folhas secas sobre os abismos, bolhas de sabão sobre os desertos.

Vivemos num tempo em que a inteligência ultrapassou a sabedoria. A matéria tornou-se mais importante que o espírito que a infla. Os homens estão transformando-se em zumbis, cegos, surdos e mudos.

Meras baterias, motores e peças para mover e compor a alavanca e o corpo e as visceras do Leviatã.

Esgoto, escremento, cal e argila, ligados por micróbios, boiando nos espaços vazios, sem o sopro fantástico do amor, que tudo liga e que tudo dá sentido e fundamenta.

Confesso que essa criminalidade que tomou conta desse importantíssimo espaço democrático chamado Política, deveras me entristece. Mas não posso ser mais um a dizer que a Política não interessa, não é mesmo Bertold? Porque a verdadeira Política é uma ferramenta destinada ao bem coletivo, muito distante da prática atual, onde oportunistas enxovalham esses espaços… e ao invés de Política, promovem a balburdia, politicagem e organizam verdadeiras máfias. Sujeitos capazes de desviar recursos de merenda escolar, saúde, segurança, muitos distantes da condição humana.

Mas mão devo desacreditar que existem espaços onde Homens e Mulheres de bem podem lutar pelo bem coletivo, só porque atualmente esses espaços estão sendo tomados por estes miseráveis, por gente da mais baixa estirpe, vis, “vis, no sentido mais baixo da vileza”.

Se eu agir assim, serei mais um brasileiro que se curvam ante a corrupção que assola o nosso país, feito erva daninha. E sei que essa corrupção só existe porque o povo brasileiro precisa avançar muito em termos de democracia, temos que admitir que nós somos coniventes, os currais eleitorias estão ai provando isso, e na fala do brasileiro existe essa cultura de que o político é aquele que faz o favor. Não entende ainda que o político recebe muito dinheiro para trabalhar por toda a comunidade e não para ficar dando geitinho aqui e ali. Não entende que muito imposto é pago não para ser trocado por favores, mas por direitos.

Nós já conquistamos muito, mas ainda é preciso muito luta, muito sangue e suor precisam ser derramados. Para que de fato nos responsabilizemos e deixemos de lado nossa passividade diante desta multidão de criminosos que não cansam em sugar o sangue do nosso povo. Mas se eles não cansam, e são maus, porque nós nos cansamos, se somos bons? É preciso  gritar fora Sarneys, fora Renans, fora Gilmar Mendes, Malufs e Barbalhos, pois esses ôcos continuam sendo  louvados pelo nosso povo-gado nos seus currais.

É uma luta dura essa democracia, pois temos que enfrentar com nosso voto consciente e nossa luta, milhões de brasileiros que trocam seu voto por 50 merréis, materiais de construção, comida e os tradicionais favores. Mas esse é o povo que somos, e muito ainda temos que andar e lutar para construirmos de fato uma nação, capaz de agigantar-se e espantar esses vermos que carcomem nossa história com a Luz dos seus alicerses. Dizer nação, povo, é um exercício que exige esforço. Fomos e sempre seremos um país em construção, mas espero que aos poucos, deixemos de ser tão obtusos, e comecemos a nos indignar com esses bastardos que usurpam o poder e a riqueza do nosso país imenso. E que apesar dessas sanguessugas, desses homo-vampyr, ainda continuamos crescendo e hoje somos a 6ª economia do planeta, amargando a 84ª colocação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). E se não fosse por causa desses boçais, dessas orelhas, desses fanáticos pela covardia, desses corruptos, desses ambiciosos, desses lacaios que entravam nossa nação, seríamos muito mais, e conseguiríamos distribuir a nossa riqueza não para meia duzia de milionários e bilionários, e seus agregados, mas para 200 milhões de brasileiros, e todos nós poderíamos ganhar 10 vezes mais, 20 vezes mais, fruto de um trabalho coletivo.

É preciso que votemos sim, precisamos ser muito mais do que esses que vende e anulam o seu voto. Que se vote até mesmo em branco, ainda assim é um exercício democrático, pelo menos algo foi feito, mas não votar em nada, e dizer eu não gosto de política, é dar carta branca ao bandido, é ouvir o aplauso do criminoso ante nossa ação, e isso é imperdoável. E esses que dizem que não gostam da política, vá… vá… vá ler Brecth! (O Analfabeto Político) para ver se aprendem alguma coisa.

E discordo dos que dizem que essa escravidão e subserviência a esses bandidos é causado pela falta de educação formal (da escola). Até mesmo o mais analfabeto dos homens teve um pai e uma mãe (minto… muitos de fato não tem essa fortuna) que lhes educou, e se foram pessoas de bem, lhes ensinaram o quanto é danoso roubar, matar, trapacear, mentir, humilhar. Esses itens básicos da ética, da educação, respeito, que não se aprende na escola, e sim na família (tão cara essa instituição, tão necessária), hoje tão mal cuidada por nós.

A família é o primeiro contato com o coletivo, é onde o verdadeiro homem é formatado. E se ela for desorganizada, fragmentada, desprovida de valores, é também lá que serão gestados os vermes. E muitos vermes nascem no seio siliconado, estético, plástico, de famílias miseráveis. Muitos se enchem de materialidade para dar o melhor para seus filhos, pois ignoram, que amor é o grande alimento, e o grande exercício capaz de fortalecer essa construção permanente ao qual denominamos existência humana.

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Alguns sites interessantes:

http://www.folhavitoria.com.br/eleicoes2012/guacui.html

http://www.politicos.org.br/

http://www.carregandooelefante.com.br/