SAUDAÇÃO A WALT WHITMAN – Álvaro de Campos / Fernando Pessoa

Publicado: 25/01/2012 em Uncategorized

 

” . . .

Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural,
Ou de cabeça para baixo, pendurado numa especie de estabelecimento,
No tecto natural da tua inspiração de tropel,
No centro do tecto da tua intensidade inaccessível.
Abram-me todas as portas!
Por força que hei de passar!
Minha senha? Walt Whitman!
Mas não dou senha nenhuma…
Passo sem explicações…
Se fôr preciso metto dentro as portas…
Sim – eu franzino e civilizado, metto dentro as portas,
Porque neste momento não sou franzino nem civilisado,
Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar,
E que ha de passar porforça, porque quando quero passar sou Deus!
Tirem esse lixo da minha frente!
Mettam-me em gavetas essas emoções!
D’aqui pra fóra, politicos, literatos,
Comerciantes pacatos, policia, meretrizes, souteneurs,
Tudo isso é a letra que mata, não o espirito que dá a vida.
O espirito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da puta se me atravesse no caminho!
O meu caminho é pelo infinito fóra até chegar ao fim!
Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é comtigo, deixa-me ir…
É commigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito…
. . . ”

Fragmento do Magnífico Poema do Mestre Fernando Pessoa

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