Arquivo de novembro, 2010

há uma rosa no meu peito

Publicado: 02/11/2010 em Sem categoria

 

tenho um apresso incompreensível por essa fatalidade que é a vida

impossível suprimí-la do meu projeto

pesar de sentir-me pequeno ante o desafio de exortá-la

fazer-lhe a necessária e urgente apologia

valorizá-la perante um mundo gigantesco e titânico de mecanismos

fomentadores da permanência das ilusões

da passividade

 

um medo de que esse absurdo que é a vida

e a existência humana dentro da vida

sucumba

permaneça subjugada e alienada

ante a ignorância

titânica

que rege os nossos dias atuais

 

o meu para-sí não cansa

nem me acobarda

preciso sempre

organizar-me ante as premissas

este projeto não me solta

não me larga

não me dá outras alternativas

 

a vida assalta-me a cada novo segundo

e sempre que a nego

ela só ri

me cospe na cara

meu beija

me empurra

me lambe

me goza

 

meu projeto é um enigma urgente

decífra-me

ou devoro-te

 

o mesmo e singular

enígma

que há 5 milanos

animava os contemporâneos do nilo

esse rio-veia de gáia

mistério que 5 mil anos no futuro

traduzirá o átomo

 

e sigo assim

                     ….. cambaleando

segurando os meus pedaços

                                             …. que vão despencando dos ossos

fragmentos decompondo-se dos dedos das pernas das mãos dos braços

querem reunir-se uma vez mais a terra

como se o meu tempo fosse sempre

passagem urgente e inevitável

ephemeridade

 

sigo

aos trancos

mas não vou como a alice

escolhendo qualquer caminho

 

eu sigo uma coordenada

um presságio

um norte

uma idéia milenar

intuitivo desde o princípio

prestes a alcançar o umbral

sempre

prestes

 

vou no rumo de um propósito

constructo humano

demasiado humano

idéia passageira

singular

de que nossas vidas

são missões irrecusáveis

 

carrego em meu peito

uma rosa 

e um cruz pertinaz segue os meus passos

obstinada e furiosa

anseia destronar

minha própria sombra