O sol é dominante, como uma tocha lá no alto
Os jatos cruzam ao seu lado
E os foguetes saltam feito sapos
A paz não é mais preciosa
A loucura circula como lírios em volta da lagoa
Os artistas pintam suas cores: vermelhas, verdes. Amarelas
Os poetas rimam sua solidão
Os músicos morrem de fome
Os escritores erram o alvo
Mas não os pelicanos. Não as gaivotas
Os pelicanos mergulham
Sobem, arrepiados quase mortos.
Com peixes radioativos em seus bicos
O céu se acende de vermelho
As flores desabrocham como sempre
Mas cobertas de uma fina poeira de combustível e cogumelos
Cogumelos envenenados
E em milhões de alcovas, os amantes se entrelaçam.
Perdidos e doentes como a paz
Não podemos acordar?
Não…
Temos de continuar, amigos.
A morrer enquanto dormimos
Bukowski