Será que um dia acordaremos e descobriremos que estamos dormindo?

Publicado: 06/02/2010 em Sem categoria

 

 

O sol é dominante, como uma tocha lá no alto

Os jatos cruzam ao seu lado

E os foguetes saltam feito sapos

A paz não é mais preciosa

A loucura circula como lírios em volta da lagoa

Os artistas pintam suas cores: vermelhas, verdes. Amarelas

Os poetas rimam sua solidão

Os músicos morrem de fome

Os escritores erram o alvo

Mas não os pelicanos. Não as gaivotas

Os pelicanos mergulham

Sobem, arrepiados quase mortos.

Com peixes radioativos em seus bicos

O céu se acende de vermelho

As flores desabrocham como sempre

Mas cobertas de uma fina poeira de combustível e cogumelos

Cogumelos envenenados

E em milhões de alcovas, os amantes se entrelaçam.

Perdidos e doentes como a paz

Não podemos acordar?

Não…

Temos de continuar, amigos.

A morrer enquanto dormimos

 

 

Bukowski

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