pessoas boiando no avesso
fugindo de si mesmas
com medos
despidas de coragem para enfrentar suas verdades
cabe ao poeta apreender o ser
quando ele emerge entre os sorrisos
ouvir-lhes o desejo
e provocar
o doce que subjaz no espanto
somos cicerones do reverso
construimos pontes
para o si-mesmo
equilibristas
ditirambos
e quando as máscaras ficam distraídas
podemos tocar-lhes os corpos
nús, leves e perfeitos
divinas criações de Deus
dentes-de-leão
flutuando no espaço
um passe
um sopro luminoso
um suspiro de gozo
um olhar indefeso
um anseio por libertar-se
destas correntes que não são prisões sinceras
eis o mistério
ecce homo… fato
a poesia
e o fenômeno
desconstruindo o avesso do encontro
reconstruindo o real
verdadeiro
conjunção
autêntico
EU e TU
mais-do-que-perfeito
Per / Verso