Arquivo de novembro, 2009

 

 

eu gostaria de dizer uns versos mansos
enquanto o dragão feroz devora minha língua
e o tempo consome a meu templo
irmão do núcleo do sol eu sou
viro-me
e …      l . e . . n . . . t . . . . a . . . . . m . . . . . . e . . . . . . . . n . . . . . . . . . . t . . . . . . . . . . . .       e
vejo
um rastro
de fragmentos bóiando no espaço
por onde pasto
despedaço-me e despeço-me
sempre
gozando antes da hora da partida
de forma que urge um grito desesperado
e talvez para isso sirvam-me estas palavras
estes rudimentos de linguagem
símbolos
incapazes de dizer tudo o que sinto
a vida é o grande enigma
enquanto muitos cegos
só querem saber da esfinge
e por isso a ignoram
submersa dentro do templo
esquecem
o milagre improvável
que somos
e ínfimos os seus cantores
a cada dia encontro meu canto
noutros
me perco
para encontrar de novo
o mesmo canto que morrera mim
e vive nessoutros inda
em botão
inda
no avesso deles
renascidos
ânsia outrora minha
e agora ignorada
e descubro que não sou eu o outro
mas o outro é meu
palavras são inúteis para dizer disso
símbolos são inúteis para conceber isso
ouvir o batimento do coração
talvez seja
a única linguagem capaz
de explicar um pouco
as razões que permitiram
e ainda permitem
a existência
desse enigma
vida
implicada
evaporando-se
preservando-se
consubstanciando-se

 

cúmplices

Publicado: 08/11/2009 em Sem categoria

 

 

Aqui não há mais cúmplices do que tu e eu

tu por opressor

e eu por libertador

merecemos a morte.

                                         Túpac Amaru

Per / Verso

Publicado: 07/11/2009 em Sem categoria

 

pessoas boiando no avesso

 

                              fugindo de si mesmas

 

com medos

 

                             despidas de coragem para enfrentar suas verdades

 

cabe ao poeta apreender o ser

                                   quando ele emerge entre os sorrisos

ouvir-lhes o desejo

                                         e provocar

 

o doce que subjaz no espanto

 

somos cicerones do reverso

                                 construimos pontes

para o si-mesmo

 

 

equilibristas

                                      ditirambos

 

e quando as máscaras ficam distraídas

podemos tocar-lhes os corpos

                                                    nús, leves e perfeitos

                            divinas criações de Deus

 

dentes-de-leão

                                flutuando no espaço

 

um passe

um sopro luminoso

                                    um suspiro de gozo

um olhar indefeso

                                              um anseio por libertar-se

                         destas correntes que não são prisões sinceras

 

eis o mistério

                                   ecce homo… fato

a poesia

                        e o fenômeno

 

desconstruindo o avesso do encontro

reconstruindo o real

                                              verdadeiro

conjunção

 

                                        autêntico

 

EU e TU

 

mais-do-que-perfeito

 

Per  /  Verso