quem é o teu inimigo?
o que tem fome e te rouba um pedaço de pão chamá-lo teu inimigo?
mas não saltas ao pescoço do teu ladrão que nunca teve fome.
Brectht
o real
é o avesso
do que é há
o que é visto
é uma fachada
o que está dentro
guardado
até o convite
adentrai !!!
é algo inusitado
perdido nos infindáveis cômodos
nas mansões da alma
previsto talvez
mas completamente
… improvável
nós somos potências
cada um
imprevisível a seu passo
cada qual
imperdoável do seu jeito
impensável em sua completude
intraduzível em sua incomplexidade
irresgatável pelo simbólico
apaixonado pelos sentimentos
e pelos sinais da carne
pelo colo
pela corpo-expressão
de acolhimento
um brilho no olhar
um gesto de ternura
um carinho
um sussurro no escuro
falam mais
do que qualquer som de linguagem
ou qualquer dessas invenções que humanam
emanam
essa coisas que a razão tenta
inultimente traduzir há milênios
e que os poetas
intuitivos desde o princípio
conseguem expressar
sentimentos em gotas
c
a
i
n
d
o
.’.’.
visto que exploradores do avesso
jorrando nas páginas
nos muros
nas paredes
sem quaisquer paradigmas ou calços
que segure
sem arestas e sem apoios
ou ordem da razão suficiente
esquema
ou mapa
talvez uma bússula
seta ígnea apontada para o coração
talvez um estranho sentimento
de pertencimento ao todo
ao tudo
ao milagre
a sensação de êxtase
e uma vontade instransponível
de subverter
qualquer anatomia
como se uma mensagem subliminar
houvesse
em cada batimento do coração
como se um mistério
houvesse
em cada brilho no olhar
em cada suspiro de satisfação
ou dor
contração
fuga
avesso
!c!h!a!m!a!
N . I . R . V . A . N . A