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Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
(Senhas: Adriana Calcanhoto)
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Impressiona-me como poucas palavras podem dizer tanto.
Uma verdade tão urgente que é difícil até corrompê-la.
Não é qualquer pulha que coloca estes símbolos na boca.
Não é qualquer pecador que comunga desta hóstia consagrada.
Mais fácil é dizer:
— Eu te amo!
— Deus lhe abençoe!
— Isso é uma calúnia!
— Tenho a consciência tranquila!
Num mundo onde as teorias e idéias nascem vendidas, onde há um encaixotamento de toda a intenção.
Constroem-se tratados, formatam-se conteúdos, estabelecem-se metas, para preencher páginas em branco.
A palavra serve aos amoladores de facas e aos homens da cobra.
O homem-da-cobra saiu da praça e subiu até a tribuna, e deu lugar aos pastores de ovelhas.
O homem de bem desceu do caráter e transformou-se em ovelha.
Foi ser coadjuvante no filme: O Silêncio das Ovelhas!
A fome continua a roer dentro dos corpos vazios.
Adoecendo toda a intenção.
Há não muito tempo, quando se usava a palavra, havia uma coisa chamada: respeito a palavra.
Avé Adrianapaixonada pela vida.
Comungamos da mesma sinfonia aprisionada em nossos corpos de desejos que não cessam.
Também sabemos transformá-los em aves vermelhas e gaviões.
Néctar são tuas palavras em meus ouvidos.
Fundem-se em minhas moléculas e ganham uma nova e mesma configuração.
Garoa que me sublima… orvalha e refresca….
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Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
(Senhas: Adriana Calcanhoto)