Arquivo de abril, 2009

O Sujeito e a sua história

Publicado: 28/04/2009 em Sem categoria

 

O sujeito vai alienando-se aos significantes

que foi construindo ao longo de sua história

 

não meu é quando escrevo

não meu é quando falo

é quando fodo

não meu é quando decido

não meu é quando sinto

é quando imploro

não meu é quando deploro

é quando exploro

quando estupro

é quando devoro

é quando rio

esse rio vazio

 

não meu é quando morro

é quando bato as botas

desse meu avô caduco

que nunca fui

 

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Nós temos de aprender errado

para tentarmos em vão

comprendermos

que não existe

 

o correto

 

 

O homem é apenas um arbusto, o mais tênue arbusto na natureza, mas é um arbusto que pensa. Não existe nenhuma necessidade de todo o universo de se armar para aniquilá-lo: um vapor, uma gota d’água já são o suficiente para matá-lo. Se, no entanto, o universo desejasse destruí-lo, o homem seria ainda mais nobre do que a força que o mata porque ele sabe que morre, e da vantagem que o universo tem sobre ele; e disso o universo não conhece nada.

Assim, toda a nossa dignidade está em pensamento. Pelo pensamento devemos nos erguer, não por tempo e espaço que não temos condições de preencher. Vamos lutar, portanto, para pensar bem – aí reside o princípio da moralidade. Pascal (1946, p. 35) In: May (1983, p. 106-107)

Talvez seja útil observarmos que por "pensamento" ele não se refere ao intelectualismo ou à razão técnica, mas sim à autoconsciência, a razão que também conhece as razões do coração. May (1983, p.107) 

“A Descoberta do Ser”

Publicado: 20/04/2009 em Sem categoria

 

"Quando uma cultura se vê tomada por profundas convulsões em um perído de transição, é compreensível que as pessoas sofram uma convulsão espiritual e emocional; e ao perceberem que os códigos de moral estabelecidos e linhas de pensamento não mais oferecem segurança, as pessoas tendem a mergulhar no dogmatismo e no conformismo renunciando à consciência, ou são forçadas a lutar por uma autoconsciência mais elevada com o objetivo de reavivarem suas existências com nova convicção e sobre novas bases. Esta é uma das mais importantes afinidades do movimento existencial com a psicoterapia – ambas tratam de indivíduos em crise." Rollo May (1988, p. 61)

Pensar

Publicado: 19/04/2009 em Sem categoria

 

 

Pensar é um pouco triste

Mas é desta tristeza que emana

Toda a genuína alegria

 

di-me

Publicado: 19/04/2009 em Sem categoria

 

di-me tu oh! inconsciente

ho! ignoto
que nos conduziu até aqui
 
di-me tu
oh! carcaça neuronal
esfinge e enigma
ao avesso
 
tu que és antes de mim
fragmentado
di-me !!!
tu que me mandas ao Lete
tu carcaça
devoradora de crânios
porque motivos !?!?!
 
deste ao fragmentado homem
tu
carcaça que comandas
quere-me o ponto de mutação?
 

 

  

O propósito do Grande Arquiteto
Se é que de fato existe Um
E eu rogo que sim!
Mas…
… é uma idéia questionável…
 
Visto que talvez nunca tenhamos acesso a ela
A Fé talvez seja tudo que o tenhamos, por milênios…
mas ela não é pouco…
e tem uma potência titânica de mover montanhas
 
E embora todo o aparato científico
… infelizmente consumido por uma medíocre vaidade
Talvez nunca tenhamos de fato
Acesso a esse saber
 
Mas penso que não devamos nos resignar tanto
Humildade e prudência são virtudes perfeitas
A autocrítica é um manjar fundamental
 
Meu pai já me dizia
… deveras … e centenas
"Cavalo dado não se olha os dentes"
Impressiona-me como uma sentença de sete palavras
Possa ter tanto a nos dizer
Tudo pode não passar de um mero acaso
De uma singularidade
Que desembocou na vida
E o nosso propósito
Seres que atingiram a inteligência
E capazes de acumular conhecimentos
Seja…
Criarmos o nosso próprio propósito
 
Somos nós quem construímos o nosso propósito
Por nós mesmos
É só observar a história
E valorizar um pouco a memória
Vários caminhos foram construídos
Mas nenhum deles ainda nos levou a todos
Ao ponto de mutação
 
Temos o milagre da vida
Da Inteligência
E agora?
O que faremos?
Que caminhos trilharemos?
Milagres insólitos
Capazes de construirmos uma trajetória
Um caminho pelo mundo
Da vida
 
Devo afirmar !!
O nosso propósito somos nós quem construímos
Basta de terceirizarmos nossas responsabilidades
Chegamos até aqui
E muitos nem conseguem ver onde estamos
A família inteira fica diante da tela
Hipnotizada por radiação
E pela estupidez
De uns poucos sonâmbulos
Ímã oco e quadrado
Onde se plantam fezes
E elas reverberam em ondas
Por todo o planeta biodigestor
Construíram até mesmo um acelerador de partículas
Querem devorar essa terra
Querem explodir os excrementos por todo o universo
Para admitirmos ao cosmos
Que ainda somos rasos
 
Obedecermos a quem?
 
A um Deus a quem talvez nunca saibamos a complexidade
Posto que efêmeros?
 
Eu rezo todos os dias da minha vida
Pelo amor de Deus
Agradeço por mais um dia de existência
Pelo alimento
Pela saúde dos próximos e dos distantes
E que a cada dia eu tenha mais sabedoria para conquistar o meu futuro
 
Temos que admitir
Nós somos irrelevantes diante da magnitude do universo
 
Existe um Deus em nossos corações
E ele nos acompanha desde os primórdios
Desde que formos lançados no abismo da existência
 
Rasos somos nós
Pois que implicados dos pés a cabeça
Com o nosso destino
 
Mas sempre responsabilizando esse Outro
Grande irmão
Que nos ultrapassa
 
 
E se pensarmos só um pouquinho
Sobre a origem da vida
Veremos que somos improváveis
Desde o início
 
Pérolas oriundas de um grão
 
Devo afirmar que o norte somos nós mesmos
Milagres em busca de significados
Fatalidades cósmicas
Projetando-se no mundo
 
Cujos destinos e significados
Cabe a nós criar
Instituir
Fundar
 
Qual é o verdadeiro ponto de mutação?
Antes da aniquilação total do mundo
Antes que o sol nos lamba
Com sua chama?
E o acelerador nos imploda
E as bombas nos cuspam para fora da terra
 
Se a premissa de uma verdade não existir
 
Não existe um propósito definido ou definitivo para a vida
Ela é um mero acaso
…. singularidade
E cabe a nós significá-la
E há milênios já não estamos fazendo isso?
Desde o primeiro símbolo
Signo
 
Psicóticos que conquistaram um limite
O cimento de toda civilização está na Ordem
Ordem para o Caos
 
Qual é o verdadeiro ponto de mutação?
 
O nosso propósito somos nós quem construímos
 
What a main job?
Significar a vida !?
Talvez essa seja a origem do Medo
Ousar e admitir que estamos sós
Condenados a liberdade
E a responsabilidade
De decidirmos por um caminho
 
Que desafio?
E que visão é esta?
 
E que missão e esta?
E quem nos a deu?
 
Eu não me sinto tão criativo para tal?
E tu meu irmão?
Tu que me olhas de soslaio?
Com um medo estranho nos olhos…
 
E porque não?
E porque não nos sentirmos criativos e vivos
Se chegamos até aqui?
 
Milagres cósmicos
Na superfície de Gaia
 
Que vicissitudes nos trouxeram até aqui?
Elas de fato importam?
Elas tem um compromisso fundante com a minha visão de mundo?
 
… prosseguir?
Com suas implicações fantásticas
Ou parar?
ECCE HOMO
 
 
Tu tremes carcaça?
Mas eu gostaria mesmo é que gozasses
Mas não esse gozo de pulha
Esse gozo raso
Esse lamber-se
Esse sorriso de asno
Eu gostaria que pelo menos uma vez nessa vida
Ou nessas
Provasses do néctar da vida
Como se fosses um animal predestinado há uma existência única
E fatal
 
E pudesses rir
E pudesses ficar nu
E pudesses dançar nos braços de Shiva
E pudesses explodir em uma supernova
E pudesses amar
Mesmos que o teu corpo estivesse esfacelando-se em radicais livres
Mesmo que a tua vida fosse um facho de luz
 
Pudesses dizer junto comigo
Eu que sou teu irmão e que te amo
Valeu !!!
Valeu demais esse milagre
E não importa quem mo o deu
Importa que foi sincero
Que foi genuíno
Que foi amor a primeira vista
Que foi um beijo sincero com o fim
 
Que foi um agradecimento sincero a Deus
Que foi uma cumplicidade genuína com o universo
Um transubstanciar-se com o cosmos
 
Em gotas
 
                       ! c ! a ! i ! n ! d ! o ! . ! . ! .
 
                                   ! !   !   !   !   ! !   !   ! ! ! !   ! !   !   !   ! !    !   !   ! ! !
 
                                               : t : o : c : a : n : d : o : – : s : e :
 
Uma sinfonia cósmica
 
                                                                       transformando-se na mais pura
 
… luz
 

… Imperdoáveis

Publicado: 19/04/2009 em Sem categoria

 

a mim também incomoda

esse estado de "coisas"

essa baixa moral
 
mas eu sei um pouco o motivo do meu incômodo
 
mas e aqueles que não sabem?
 
e se eles forem muitos?
 
e se eles estiverem no poder
 
e se eles forem cruéis
 
e se eles forem
 
… imperdoáveis
 
 
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a verdadeira caverna de sombras
 
é quando nós só conseguimos enxergar as "coisas"
 
pelos olhos dos outros
 
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dio mio
 
porque me ofertastes tanto?
 
e me deslumbrastes com esta viagem tão fantástica
 
um bastão em combustão sou eu
 
uma chama perfeita de radicais livres
 
 
milagre único
 
improvável
 
impossível
 
momento útero
 
e fatal
 
 
e como se não bastasse tudo isso
 
permitir-me comungar deste milagre com bilhões de seres
 
tão especiais quanto eu
 
 
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é preciso e necessário
 
iluminar a penumbra da caverna
 
nem que para isso
 
seja necessário um corpo
 
em combustão
 
corpos não se enxergam
 
sacos vazios não param em pé
 
uma flor é tão minuciosa quanto uma galáxia
 
e uma galáxia perde muito
 
se nela não houver pelo menos uma vida
 
é preciso e necessário
 
resgatar estes corpos expostos e fincados
 
na aspereza desse chão seco
 
e sem mistérios
 
o Grande Arquiteto com certeza não teria produzido a vida
 
não teria produzido o homem criativo
 
não teria possibilitado o constructo "humano"
 
se o seu propósito fosse o nada
 
um jogo de dados banal

 
 
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Poesia aos gritos

Publicado: 13/04/2009 em Sem categoria

 

Ave Claudinha!!!    Ave Mariazinha!!

"Enlouquecida e desesperada, me pus aos gritos: – Cade a minha felicidade! Onde se foi a minha felicidade? Alguem com cheiro de flor me cutucou as costas. – Sai daqui!! – Gritei sem me virar. Cheirei o ar confusa. Era cheiro de chuva? De crianca? De chocolate? Entre meu desespero e minha curiosidade, me virei. E ela estava ali de maos abertas, sorriso na face, doce nos olhos: a felicidade tinha forma de poesia!"  Cláudia Gomes

Fonte: http://poesiaaosgritos.blogspot.com/