excesso
não cabe
tudo que não cabe
tudo isso que não cabe
esse muito disfarçado
extraordinário
fermentado dentro
crisol
universo brilhante
tudo isso que não cabe
nos turbilhões neuronais
brilhos ofuscantes
aprisionados
por estranhas panteras
um insight
um encontro
entre um receptivo
e um bravo
tudo isso imenso
que não cabe em nós
e que é preciso
expor
simplismente tudo o que existe
perfeito
um deus para empinar pipas na chuva
para conter
e mesmo assim
não é contido
acolá um rudimento de linguagem
aqui uma obra de arte
mais adiante um asco
chega mais perto
e é branco
esse abismo
que já foi negro
mais um passo
um gruta de carne
e fogem
feito gotas
estas esferas quânticas
de sangue real
em exponencial multiplicação
cântico negro
mais perto
uma equação
uma orelha surda
desencantada
mais próximo
uma entidade plácida
saravá
um conto absurdo
contorcendo-se
querendo ser só ilha
atrás de uma porta mágica
onde não cabe
sequer
esse tudo quase-perfeito
sorriso na boca de um cão
humano
substância humana
onde gritos nervosos ecoam
na mesma velha dança ancestral
arabescos nas paredes
dos bosques
sombras cintilantes
caminhando sobre os sons
idéias ordinárias
surfando sobre o tempo
rabiscos nas sombrancelhas
e um fel na boca do ventre
o fígado
regenerando-se no penhasco
aguardando o homem
que saltou nas rochas
em busca de um segundo
que o reconectasse aos seus desejos
e aos seus sonhos
que jazem presos
no interior de tartarugas gigantes