Subjetividade

Publicado: 26/01/2009 em Sem categoria

excesso

não cabe

tudo que não cabe

tudo isso que não cabe

esse muito disfarçado

extraordinário

fermentado dentro

crisol

universo brilhante

tudo isso que não cabe

nos turbilhões neuronais

brilhos ofuscantes

aprisionados

por estranhas panteras

um insight

um encontro

entre um receptivo

e um bravo

tudo isso imenso

que não cabe em nós

e que é preciso

expor

simplismente tudo o que existe

perfeito

um deus para empinar pipas na chuva

para conter

e mesmo assim

não é contido

acolá um rudimento de linguagem

aqui uma obra de arte

mais adiante um asco

chega mais perto

e é branco

esse abismo

que já foi negro

mais um passo

um gruta de carne

e fogem

feito gotas

estas esferas quânticas

de sangue real

em exponencial multiplicação

cântico negro

mais perto

uma equação

uma orelha surda

desencantada

mais próximo

uma entidade plácida

saravá

um conto absurdo

contorcendo-se

querendo ser só ilha

atrás de uma porta mágica

onde não cabe

sequer

esse tudo quase-perfeito

sorriso na boca de um cão

humano

substância humana

onde gritos nervosos ecoam

na mesma velha dança ancestral

arabescos nas paredes

dos bosques

sombras cintilantes

caminhando sobre os sons

idéias ordinárias

surfando sobre o tempo

rabiscos nas sombrancelhas

e um fel na boca do ventre

o fígado

regenerando-se no penhasco

aguardando o homem

que saltou nas rochas

em busca de um segundo

que o reconectasse aos seus desejos

e aos seus sonhos

que jazem presos

no interior de tartarugas gigantes 

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