Pérolas aos Porcos

Publicado: 17/12/2008 em Sem categoria

 

Estamos ai, sempre em busca de um significado cada vez mais especial para as nossas vidas.
 
Basta de sermos máquinas, o ser humano é muito mais que uma calculadora a prova de falhas. Nossos corpos estão cada vez mais desgastados, stressados com estes nossos dias de crash. E mais, nossa ética precisa evoluir muito, estamos num nível baixíssimo, e isso com certeza precisa mudar. Daqui a pouco não conseguiremos mais sair as ruas, ficaremos definitivamente presos em nossas caixas, absorvidos por uma outra caixa que se chama televisão, e agora internet.
   
E enquanto não compreendermos que todos nós somos responsáveis por este caos que está ai, e buscarmos fazer a nossa parte para melhorarmos, nos implicando cada vez mais com este outro, a quem o mestre dos mestres chamava carinhosamente de irmão, e que nós, infelizmente, por uma questão de miopia causado por esse sistema cavernoso que se chama capitalismo, só conseguimos exergar um ladrão.
 
"Quem é o teu inimigo?" Disse Brecht, "O que tem fome e te pede um pedaço de pão, chamá-lo teu inimigo? Mas não saltas ao pescoço do teu ladrão que nunca teve fome."
    
Como se de fato houvesse um bem maior e mais precioso que a própria vida, maior e mais precioso que esse sentimento que todos os grandes mestres e as almas sensíveis insistem em nos mostrar como o mais alto dos ensinamentos, que se chama amor. E que é a própria chama. E que eu insisto em tentar traduzir para os tempos modernos, como implicação.
 
Temos que dar conta desse sistema provocador de vaidades que nos aprisiona. Esse sistema que se aproveita meticulosamente do circuito dopaminérgico do prazer. Esse circuito maestralmente arquitetado pela natureza para que pudéssemos sobreviver ao longo de milênios, enquanto o homo sapiens ainda não tinha acesso ao fogo (que lhe proporcionou o tempo para pensar), e à linguagem (provavelmente advinda desse tempo para pensar).
 
Um sistema extremamente desumano, e a ele poderíamos muito bem alcunhar de O Grande Leviatã, pois sem dúvida deve ser o pai de todos os sistemas humanos que já houveram. Sistema que é capaz de transformar estas máquinas perfeitas, fantásticas, prontíssimas para serem formatada com o software do constructo humano, em simples objetos, banais. E por conta de uma programação maluca e vil (no sentido mais baixo da vileza), orquestrada por oportunistas, acaba tornando esse milagre biológico único, singular, em uma simples e medíocre máquina de satisfação, capaz de matar, roubar, estuprar, mentir, abusar, trair, por causa de uma mera satisfação de desejos. A criatura que adquiriu a capacidade do pensamento, quando esvaziada de sentido, acaba por sucumbir aos mecanismos internos, que a milênios possibilitou a sua sobrevivência.
 
Nós somos matéria em construção. E hoje mais do que ontem, precisamos resgatar o que foi construido até aqui, antes que até mesmo esse mínimo constructo se transforme em poeira.
 
O bem mais valioso do mundo nas mãos de um medíocre, não possui valor algum. Pérolas aos porcos.

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