Um motoqueiro mata um casal por causa de uma briga de trânsito.
O político esperto rouba milhões da sociedade, elege-se como presidente da casa de leis da sociedade, é preso, e é solto, outro dia vio-o andando tranquilamente num shopping.
Um bêbado atropela 7 pessoas que passavam na faixa de trânsito, para fugir passa duas vezes sobre um rapaz inconsciente no chão.
Outro político é preso ao ser flagrado dirigindo bêbado, e é solto no outro dia.
Um juiz manda matar um promotor. E mesmo que tudo nas investigações indiquem que ele foi o mandante do crime, ele continua impune.
O empresário mata a jornalista, ele continua impune.
O ator mata a atriz, ele continua impune.
O juiz mata o vigilante, ele continua impune.
O matuto vende seu voto, mas o matuto tem fome, tem sede, o matuto não tem idéia de pra que serve um voto, não tem idéia que seu voto elege. Será mesmo que o matuto não pensa, nos minutos singulares em que mata sua fome. Será que o matuto não sabe que precisa educar os seus filhos?
E o juiz, será que o juiz sabe pra que serve a sentença? Será que após anos de academia, anos de magistratura o juiz sabe pra que serve a sentença, será que ele sente a sentença, será que ele nota que a impunidade que ele alimenta provoca a morte de milhões de pessoas. Será que o juiz sabe que ele também ajuda a matar.
E o jornalista que faz uma imprensa medíocre, subordinada aos interesses, distante da imprensa verdadeira cuja intenção é informar. Será que ele sabe porque ele é jornalista? Será que ele sabe pra quem ele trabalha?
Impressiona alguns não saberem porque chamamos esse país de país da impunidade, será que precisamos tomar memoriol. Ou um pouquinho de vergonha na cara daria conta do recado.
Um antropólogo contratado para analisar a grande insidência de acidentes de trânsito fala que o problema não é o trânsito, são as pessoas que não tem mais respeito umas pelas outras.
Estes são alguns dos sinais da tempestade que está por vir.
A grande maioria ignora, não é comigo, eu sou individualista, estes sinais não me dizem respeito.
O que eu tenho de fazer é seguir as regras de bolo apresentadas pela sociedade que vou me dar bem na vida.
A tempestade continua aproximando-se.
Os avestruzes colocam suas cabeças nos buracos.
A tempestade invade sua casa.
Rouba sua voz.
E já não é possível mais reagir não é Da Costa / Vladimir?
Quando anunciastes a leniência dos homens, eles não acreditaram.
Um dos maiores poetas de todos os tempos nos disse a uma só voz (plenos pulmões!) que ele era todo coração, e nós não acreditamos. Ave Maiakóvski.
Um escritor octogenário avisou que nunca estivemos tão perto do mito da caverna de Platão como em nossos dias atuais. Ave Saramago! Desculpa se demoramos tantos séculos ensaiando essa nossa irritante segueira. Porque será que os homens tem esse hábito absurdo de acreditar mais nas palavras do que nas ações? Preocupam-se mais com a escrita, cegueira é com s ou c, do que com o significado da palavra em si.
Perdoa-nos mestre, nós nos transformamos em palavras, em símbolos. Perdemos tanto o nosso direito de sentir, que agora queremos estuprar e cortar nossos próprios corpos, para que a dor afirme que estamos vivos.
Os homens estão voltando a ser brutos, será que algum dia foram polidos.
Uma mulher diz que sua missão é nós avisar que estamos nos transformando em espertos ao contrário. Alguns dos tais espertos dizem que ela está louca. Ave Estamira!
Os homens estão cegos, e suas esposas estão nuas, e seus filhos desprotegidos.
Mas os olhares que estão por trás da tempestade são atrozes.
Os homens querem o que lhes foi tirado. O direito de existirem na face da terra, de serem filhos de Gaia.
Continuamos falando uns com os outros: – isso não é comigo. – eu não tenho nada haver com isso!
Não é minha esta responsabilidade.
A tempestade é furiosa, os raios estão caindo sobre os homens. Os cyclones extra-tropicais estão se formando. O vírus se alastra pelo planeta em rodopios pandêmicos e transmutações, vai comendo esses sapiens que não evoluem.
As chuvas estão devorando a terra, que outrora fora devorada pelos homens.
Enquanto isso, o grande colisor de ádrons descobriu a milésima particula.
Os buracos negros super-massivos nos centros das galáxia continua mandando sinais de fumaça. E os sufis continuam rodopiando em afirmação.
Ignorância é uma força.
Precisamos mudar o rumo da nossa história.
UNIDOS SOMOS MUITOS MAIS QUE SOMA DAS PARTES.
Amém.
Fantástico sua observação sobre o individualismo ou EGOÍSMO. Enquanto ficarmos presos olhando apenas para o nosso umbigo, não mudaremos nada, inclusive a nós mesmos. Precisamos de Altruísmo, amor pelo próximo, pensar sempre em salvar primeiro o próximo, o resto será consequência.
“Ignorância é uma força”: Andrey precisava nos lembrar essa obviedade que vai se camuflando sob nossa pele bronzeada. Os mansos herdarão a terra (q sempre esteve aí), diz o livro reconfortante, mas não a vida – essa velha desdentada e resistente. Renato Fardim está certo: o outro é nossa mais urgente conquista. E como já sublinhou Ulrich Beck, “Ninguém é mais cego para o perigo do que aqueles que continuam a confiar em seus próprios olhos”.
Ei Andrey, muito obrigada pelas palavras…
Muito bom o texto!!!!
Parabéns!!!