Arquivo de dezembro, 2008

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Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero
há calma e frescura ma superfície intata
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio

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Chega mais parto e contempla as palavras
cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta
pobre ou terrível, que lhe deres:

Touxeste a chave?

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Drummond (Fantástico!!!!)

 

 

 

É preciso que estejamos nus, para que possamos saborear o fenômeno de um verdadeiro encontro, eu e tu, cúmplices de um crime perfeito, a existência.
 
Onde possamos ter a liberdade de nos mostrarmos e nos enxergarmos.
 
Compreendendo a distância entre a nudez estética, e a nudez ética.
 
Entre o eu, o tu e o isso.
 
Sair da fortaleza sem armaduras.
 
Sair da mansão despido da veste insignificante da vaidade.
 
Deixar de ser inapaixonante.
 
Sentir a grama crescendo sob os pés.
 
Molhar-se na chuva sem calafrios.
 
Ter esperanças e Sedes para o mundo.
 
Permitir-se a cumplicidade de um beijo.
 
O brilho e a potência de um encontro verdadeiro.
 
Onde não há mais cúmplices do que tu e eu.
 
Aiuda-me a colorir esse sorriso pálido nos que estão cegos para o encontro.
 
Nos que estão deficientes para o amor.

Pérolas aos Porcos

Publicado: 17/12/2008 em Sem categoria

 

Estamos ai, sempre em busca de um significado cada vez mais especial para as nossas vidas.
 
Basta de sermos máquinas, o ser humano é muito mais que uma calculadora a prova de falhas. Nossos corpos estão cada vez mais desgastados, stressados com estes nossos dias de crash. E mais, nossa ética precisa evoluir muito, estamos num nível baixíssimo, e isso com certeza precisa mudar. Daqui a pouco não conseguiremos mais sair as ruas, ficaremos definitivamente presos em nossas caixas, absorvidos por uma outra caixa que se chama televisão, e agora internet.
   
E enquanto não compreendermos que todos nós somos responsáveis por este caos que está ai, e buscarmos fazer a nossa parte para melhorarmos, nos implicando cada vez mais com este outro, a quem o mestre dos mestres chamava carinhosamente de irmão, e que nós, infelizmente, por uma questão de miopia causado por esse sistema cavernoso que se chama capitalismo, só conseguimos exergar um ladrão.
 
"Quem é o teu inimigo?" Disse Brecht, "O que tem fome e te pede um pedaço de pão, chamá-lo teu inimigo? Mas não saltas ao pescoço do teu ladrão que nunca teve fome."
    
Como se de fato houvesse um bem maior e mais precioso que a própria vida, maior e mais precioso que esse sentimento que todos os grandes mestres e as almas sensíveis insistem em nos mostrar como o mais alto dos ensinamentos, que se chama amor. E que é a própria chama. E que eu insisto em tentar traduzir para os tempos modernos, como implicação.
 
Temos que dar conta desse sistema provocador de vaidades que nos aprisiona. Esse sistema que se aproveita meticulosamente do circuito dopaminérgico do prazer. Esse circuito maestralmente arquitetado pela natureza para que pudéssemos sobreviver ao longo de milênios, enquanto o homo sapiens ainda não tinha acesso ao fogo (que lhe proporcionou o tempo para pensar), e à linguagem (provavelmente advinda desse tempo para pensar).
 
Um sistema extremamente desumano, e a ele poderíamos muito bem alcunhar de O Grande Leviatã, pois sem dúvida deve ser o pai de todos os sistemas humanos que já houveram. Sistema que é capaz de transformar estas máquinas perfeitas, fantásticas, prontíssimas para serem formatada com o software do constructo humano, em simples objetos, banais. E por conta de uma programação maluca e vil (no sentido mais baixo da vileza), orquestrada por oportunistas, acaba tornando esse milagre biológico único, singular, em uma simples e medíocre máquina de satisfação, capaz de matar, roubar, estuprar, mentir, abusar, trair, por causa de uma mera satisfação de desejos. A criatura que adquiriu a capacidade do pensamento, quando esvaziada de sentido, acaba por sucumbir aos mecanismos internos, que a milênios possibilitou a sua sobrevivência.
 
Nós somos matéria em construção. E hoje mais do que ontem, precisamos resgatar o que foi construido até aqui, antes que até mesmo esse mínimo constructo se transforme em poeira.
 
O bem mais valioso do mundo nas mãos de um medíocre, não possui valor algum. Pérolas aos porcos.

Um Sim que lhe permita Ser

Publicado: 17/12/2008 em Sem categoria

 

Segundo Buber, no cerne da abordagem dialógica está a questão da confirmação. Para ele, a base subjacente de toda psicopatologia é a ausência de confirmação que cada um de nós sobre no esforço para nos tornarmos seres humanos. Diferentemente dos animais, que parecem não questionar sua “natureza animal”, o ser humano precisa ser confirmado pelos outros, para se perceber como um ser humano. (Hycner, 1995, p. 60)

 

 

 

Secreta e timidamente, ele espera por um Sim que lhe permita ser e que só pode chegar até ele vindo de uma pessoa para outra. É de um homem para o outro que é passado o pão celestial de ser o seu próprio ser. (Buber, 1965, p.71)

 

Eis a eterna origem da arte:

Publicado: 17/12/2008 em Sem categoria

 

Uma forma defronta-se com o homem e anseia tornar-se uma obra por meio dele. Ela não é um produto de seu espírito, mas uma aparição que se lhe apresenta exigindo dele um poder eficaz. Trata-se de um ato essencial do homem: se ele a realiza, proferindo de todo o seu ser a palavra~princípio EU~TU à forma que lhe aparece, ai então brota a força eficaz e a obra surge. (Buber, 1974, p.11)

 

O Normal e o Patológico

Publicado: 12/12/2008 em Sem categoria

 

Não é demonstração de saúde ser bem ajustado a uma sociedade profundamente doente. 

Jiddu Krishnamurti

o amor

Publicado: 11/12/2008 em Sem categoria

 

"Não há objeto de desejo que satisfaça o ser humano"

 

o que pode dar conta de um parcela desta falta

talvez seja a implicação

 

e uma idéia que talvez traduza essa implicação

seja o amor

 

 

o poder faz o homem defrontar-se com a sua fera

com a sua sombra

com os seus desejos mais viscerais

 

tudo isso que tem de ser contido e que precisa ser sublimado

em benefício de um fenômeno maior

e mais grave

 

o Ser Humano

A Comunidade

as transformações na superfície de Gaia

nave que nos transporta universo adentro

com uma missão

 

fazer valer a pena

 

O Perigo e a Tempestade

Publicado: 06/12/2008 em Sem categoria

 

Ninguém é mais cego para o perigo do que aqueles que continuam a confiar em seus próprios olhos.

Ulrich Beck – Citado por Alexander Nassau

Os Sinais da Tempestade

Publicado: 04/12/2008 em Sem categoria

 

Um motoqueiro mata um casal por causa de uma briga de trânsito.

O político esperto rouba milhões da sociedade, elege-se como presidente da casa de leis da sociedade, é preso, e é solto, outro dia vio-o andando tranquilamente num shopping.

Um bêbado atropela 7 pessoas que passavam na faixa de trânsito, para fugir passa duas vezes sobre um rapaz inconsciente no chão.

Outro político é preso ao ser flagrado dirigindo bêbado, e é solto no outro dia.

Um juiz manda matar um promotor. E mesmo que tudo nas investigações indiquem que ele foi o mandante do crime, ele continua impune.

O empresário mata a jornalista, ele continua impune.

O ator mata a atriz, ele continua impune.

O juiz mata o vigilante, ele continua impune.

O matuto vende seu voto, mas o matuto tem fome, tem sede, o matuto não tem idéia de pra que serve um voto, não tem idéia que seu voto elege. Será mesmo que o matuto não pensa, nos minutos singulares em que mata sua fome. Será que o matuto não sabe que precisa educar os seus filhos?

E o juiz, será que o juiz sabe pra que serve a sentença? Será que após anos de academia, anos de magistratura o juiz sabe pra que serve a sentença, será que ele sente a sentença, será que ele nota que a impunidade que ele alimenta provoca a morte de milhões de pessoas. Será que o juiz sabe que ele também ajuda a matar.

E o jornalista que faz uma imprensa medíocre, subordinada aos interesses, distante da imprensa verdadeira cuja intenção é informar. Será que ele sabe porque ele é jornalista? Será que ele sabe pra quem ele trabalha? 

Impressiona alguns não saberem porque chamamos esse país de país da impunidade, será que precisamos tomar memoriol. Ou um pouquinho de vergonha na cara daria conta do recado. 

Um antropólogo contratado para analisar a grande insidência de acidentes de trânsito fala que o problema não é o trânsito, são as pessoas que não tem mais respeito umas pelas outras.

Estes são alguns dos sinais da tempestade que está por vir.

A grande maioria ignora, não é comigo, eu sou individualista, estes sinais não me dizem respeito.

O que eu tenho de fazer é seguir as regras de bolo apresentadas pela sociedade que vou me dar bem na vida.

A tempestade continua aproximando-se.

Os avestruzes colocam suas cabeças nos buracos.

A tempestade invade sua casa.

Rouba sua voz.

E já não é possível mais reagir não é Da Costa / Vladimir?

Quando anunciastes a leniência dos homens, eles não acreditaram.

Um dos maiores poetas de todos os tempos nos disse a uma só voz (plenos pulmões!) que ele era todo coração, e nós não acreditamos. Ave Maiakóvski.

Um escritor octogenário avisou que nunca estivemos tão perto do mito da caverna de Platão como em nossos dias atuais. Ave Saramago! Desculpa se demoramos tantos séculos ensaiando essa nossa irritante segueira. Porque será que os homens tem esse hábito absurdo de acreditar mais nas palavras do que nas ações? Preocupam-se mais com a escrita, cegueira é com s ou c, do que com o significado da palavra em si.

Perdoa-nos mestre, nós nos transformamos em palavras, em símbolos. Perdemos tanto o nosso direito de sentir, que agora queremos estuprar e cortar nossos próprios corpos, para que a dor afirme que estamos vivos.  

Os homens estão voltando a ser brutos, será que algum dia foram polidos.

Uma mulher diz que sua missão é nós avisar que estamos nos transformando em espertos ao contrário. Alguns dos tais espertos dizem que ela está louca. Ave Estamira!

Os homens estão cegos, e suas esposas estão nuas, e seus filhos desprotegidos.

Mas os olhares que estão por trás da tempestade são atrozes.

Os homens querem o que lhes foi tirado. O direito de existirem na face da terra, de serem filhos de Gaia.

Continuamos falando uns com os outros: – isso não é comigo. – eu não tenho nada haver com isso!

Não é minha esta responsabilidade.

A tempestade é furiosa, os raios estão caindo sobre os homens. Os cyclones extra-tropicais estão se formando. O vírus se alastra pelo planeta em rodopios pandêmicos e transmutações, vai comendo esses sapiens que não evoluem.

As chuvas estão devorando a terra, que outrora fora devorada pelos homens.

Enquanto isso, o grande colisor de ádrons descobriu a milésima particula.

Os buracos negros super-massivos nos centros das galáxia continua mandando sinais de fumaça. E os sufis continuam rodopiando em afirmação.

Ignorância é uma força.

Precisamos mudar o rumo da nossa história.

UNIDOS SOMOS MUITOS MAIS QUE SOMA DAS PARTES.

Amém.

 

A difícil arte de não ser um filho da puta:

em um sociedade de assassinos togados,

oportunistas estúpidos e cruéis,

individualistas anêmicos e apáticos.