aonde permanece agonizando
o engano
de que os corpos não se atraem
falos e favos de mel são
atraentes ao espírito e a sombra
a angústia quer morrer
na maciez e quentura da carne
a semente quer germinar na
umidade da terra
um sorriso suave
quer ser a faísca da tempestade
dos desejos humanos
os corpos pedem abrigo
e pedem atrito
cada célula quer explodir
em outra
quer dividir-se
quer repartir-se em bilhões
assim é que o espírito da vida
vai corroendo a carne humana
como se o corpo fosse
uma bomba oxidante
que vai consumindo-se
até a completa consubstanciação
do fim que é a morte
e nesse ínterim entre o
início e o fim
facho de luz
da existência única
capaz de tomar consciência
de si mesmo
ser ai
até a sua consumação
possamos olhas as coisas
sem nos confundirmos com elas
se é que isso realmente é possível
se sim!
viver e sobretudo
implicar-se com a vida
acreditar que os corpos
tem muito mais o que dizer
do que essa docilidade
mais do que meras interpretações
cognitivas
das impressões vivenciadas
e traduzidas
com simples palavras
o homem é a coisa em si
é o alfa e o ômega
capaz de simbolizar
a vida
e as implicações que a vida
demanda
e ao tomarmos pé disso
sejamos o dínamo
que autorizou-se a nunca parar
até a última gota
de substância
e de tesão
e sejamos arautos
de um novo mundo
em que o homem
seja mais do que foi
até aqui
++++++++++
a vida é
simplesmente
última gota
uni-versos
primeira
resta saber
o quanto somos
realmente
absorventes
v