Arquivo de maio, 2008

Parto

Publicado: 28/05/2008 em Sem categoria

Parto de uma sentença grave
Assim como parto de uma esquina breve
Para encontrar gentes e gentis
Parto do conforto de uma nuvem de calças
Assim como parto do colo acolhedor de minha amada

Parto como quem parte
A sua própria vida em fragmentos de carnes
Vivas

Parto de um ponto seguro
Para encontrar novos portos
Em gloriosas manhãs

Parto de um sim
Assim como parto de um não em uníssono

Com as mesmas ânsias de um cão sem dono
Hei de encontrar vidas gloriosas e amargas

Parto de um início recebido com glória
Assim como parto de uma morte anunciada

Parto ao toque das trombetas e atabaques
Ao som do último silvo da morte
Antes de chegar em Samarra

Parto de estreitas verdades
Para encontrar mentiras sinceras

Parto de um aglomerado urgente de esferas
Para violentar a dor e o amor
Como um genuíno estupra – dor

Parto de um naco de carne
Que encontrei putrefado no chão
E saio em busca de um corpo subjetivo
Mais sólido do que o corpo real!!!

Parto de uma vida
Nascida de outras vidas
Em busca de um nascimento eterno
Aos tropeços em cada esquina

Parto de alguns
Para encher-me de milhões

A. L. M.

O Todo e a Unidade

Publicado: 25/05/2008 em Uncategorized

“(…) cada célula do nosso corpo é uma parte que está no todo de nosso organismo, mas cada célula contém a totalidade do patrimônio genético do conjunto do corpo, o que significa que o todo está presente também na parte. Cada indivíduo numa sociedade é uma parte de um todo, que é a sociedade, mas esta intervém, desde o nascimento do indivíduo, com sua linguagem, suas normas, suas proibições, sua cultura, seu saber; outra vez, o todo está na parte. Com efeito, ‘tudo está em tudo e reciprocamente’. Nós mesmos, do ponto de vista cósmico, somos uma parte no todo cósmico: as partículas que nasceram nos primeiros instantes do Universo se encontram em nossos átomos. O átomo de carbono necessário para a nossa vida formou-se num sol anterior ao nosso. Ou seja, a totalidade da história do cosmos está em nós, que somos, não obstante, uma parte pequena, ínfima, perdida no cosmos. E sem dúvida somos singulares, posto que o princípio ‘o todo está na parte’ não significa que a parte seja um reflexo puro e simples do todo. Cada parte conserva sua singularidade e sua individualidade, mas, de algum modo, contém o todo.”

Edgar Morin (1996), em Epistemologia da Complexidade, p. 275.

https://questcosmic.wordpress.com/2013/07/20/a-epistemologia-da-complexidade-de-bachelard-a-morin/

A GRANDE QUESTÃO É

Publicado: 09/05/2008 em Sem categoria

Porque o Grande Arquiteto ou a Natureza ou o Espírito do Universo, no intuito da preservação e evolução da espécie e manutenção da vida, produziria um artefato, um mecanismo que teoricamente representa o máximo do processo evolutivo, ao qual denominamos cérebro, tão facilmente corrompível em detrimento da própria vida?

Um mecanismo que aceita preservar-se através do assassínio da sua própria espécie, dos seres vivos e de seu próprio planeta, mesmo em uma condição em que este organismo esteja tão favorecido pelas oportunidades de existir, que tornaria desnecessário a eliminação de outro ser vivo para preservar-se? Que tipo de evolução e propósito é este?

Aonde e em que momento esse processo estancou e tomou este rumo vil?

Porque essa evolução não avançou para a promoção e preservação da vida, ao invéz de decair de forma absurda e despropositada para a obtenção do gozo sem limites, esse gozo mesquinho e banal que é capaz de excluir bilhões de seres humanos das potencialidades da existência?

Que ética é esta? Que pactuação medíocre de surdos-mudos nos metemos? Quem autorizou essa farsa?

E quem? Quem? POR DEUS? Permitiu esse descalabro?!

Prefácio

Publicado: 07/05/2008 em Sem categoria

 

Um livro que tivesse patas

E saísse a correr pelos campos elíseos

E tivesse tetas gigantes e várias

E a certa hora parasse e deitasse

Esparramado por sobre a relva

Sentindo-a crescer segundo a segundo

A espera destes inequívocos seres

De "telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor"

Características na grande maioria das vezes inúteis

Cujo alimento da idéia

Raramente gera

Uma nova condição

Carpe Diem

Publicado: 01/05/2008 em Sem categoria

Colha o dia, confia o mínimo no amanhã
Não pergunte, saber é proibido, o fim que os deuses
darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia
não brinque. É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho
Se muitos invernos Jupiter te dará ou se este é o último,
que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar
Tirreno: seja sábio, beba seu vinho e para o curto prazo
reescale suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciúmento
está fugindo de nós. Colha o dia, confia o mínimo no amanhã.

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Carpe diem quam minimum credula postero
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.
seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

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Carpe Diem é uma frase em Latim de um poema de Horacio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento.
É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite
gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o
prazer imediato, sem medo do futuro.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpe_diem